Economia e turismo serão beneficiados

Publicação: 2010-06-06 00:00:00
O impacto da preparação de Natal para abrigar alguns jogos da Copa do Mundo de 2014 será sentido nos mais diversos setores da sociedade, com importantes mudanças no sistema de transportes, saneamento e em obras estruturais que serão desenvolvidas em toda a cidade fazendo interferindo substancialmente na vida dos natalenses nos próximos três anos. Para representantes de importantes áreas ligadas à economia da cidade, os maiores ganhos serão percebidos na área de infraestrutura e atração de visitantes estrangeiros, uma vez que boa parte dos habitantes da cidade não terá acesso aos jogos, devido aos altos valores que são cobrados pelos ingressos, que devem variar entre R$ 150 e R$ 1.700.

Na avaliação do economista Aldemir Freire, o ganho com o torneio em si, talvez não seja tão importante para a população natalense, porque serão apenas 30 dias de torneio e poucos jogos serão realizados em Natal. De acordo com ele, mais importante, e o que sentiremos com mais força, serão as mudanças na parte estrutural da cidade, com mudanças no tráfego de veículos, no saneamento básico da cidade e no surgimento de um grande número de novos prédios, além da Arena das Dunas, que é o local onde acontecerão os jogos. “Se a Copa do Mundo ocorresse hoje, seria inviável realizar um único jogo em Natal”, enfatiza.

Por outro lado, explica o economista, os efeitos mais difíceis de mensurar serão na área do turismo. Natal deverá atrair, além de visitantes brasileiros, um público formado por europeus e sul-americanos, dependendo de quais seleções virão para cá. “Mas a vinda de turistas e a exposição de Natal na mídia mundial servirá de vitrine e isso é o que fará com que um grande número de pessoas continue vindo à cidade durante anos depois do torneio”, analisa.

Acesso

Com relação aos efeitos diretos que o mundial provocará na economia, Freire acredita que as classes média e alta do Rio Grande do Norte terão acesso aos jogos da Copa, mas o elevado preço dos ingressos excluirá uma parte significativa da população potiguar da Arena das Dunas. Ele prevê que os preços que serão cobrados pelos ingressos daqui a quatro anos deverão ser equivalentes aos vistos no torneio deste ano, com o mais barato custando algo em torno de R$ 150 e o mais caro, cerca de R$ 1.700.

Aldemir Freire comenta existir o temor de que os produtos consumidos no dia-a-dia tenham seus preços inflacionados, pela grande quantidade de turistas que estará em Natal durante o mundial, mas ele acredita que isso não acontecerá. Para ele, não deverá ser percebido aumento no que diz respeito a itens como alimentos, bebidas e vestuário, uma vez que Natal é uma cidade turística e as empresas se preparam constantemente para atender a um grande volume de pessoas.

Entretanto, as diárias em hotéis, refeições em restaurantes localizados nos locais de grande concentração de turistas e até imóveis nas áreas com maior visibilidade deverão ter seus valores elevados. Isso deverá ser visto principalmente durante os 30 dias em que a Copa ocorre, uma vez que esses produtos e serviços passarão por um período de intensa procura. “É bom dizer que a grande procura por hospedagem pode abrir a oportunidade para que alguns natalenses possam disponibilizar quartos para estrangeiros, como forma de conseguir um rendimento extra no período”, destaca o economista.

Início das obras deve expandir setor de construção civil 

Apontadas como o principal motivo de mudança em Natal durante a preparação para a Copa do Mundo de 2014, as obras de infraestrutura que serão erguidas na cidade deverão abrir oportunidades para os mais diversos profissionais que atuam na construção civil. Dessa forma, o mais provável é que haja a necessidade de contratar pessoas de outros estados do país, principalmente entre o final de 2010 e meados de 2013.

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), Adalberto Pessoa, ocorrerão eventos significativos nas áreas de arquitetura, nas engenharias, agronomia e geologia, uma vez que há uma expectativa muito ampla em relação à Copa, envolvendo obras que ultrapassam a cifra de R$ 1,5 bilhão. “Na minha ótica, a praça de esportes é a obra física menos representativa para a comunidade da região metropolitana de Natal, já que haverá a construção do aeroporto de São Gonçalo, a adequação do Augusto Severo, abertura de avenidas, drenagem pluvial e esgotamento sanitário”, detalha.

Questionado se esses grandes equipamentos não ficarão subutilizados após os 30 dias de Copa do Mundo de Futebol, Pessoa foi enfático ao dizer que ocorrerá justamente o contrário. Para ele, é vital que os gestores e empresários do setor pensem em formas de continuar desenvolvendo as obras após a Copa, possibilitando que a sua realização seja apenas o ponta pé inicial de um período de intenso desenvolvimento estrutural para a capital do estado. “Quando as obras em questão estiverem concluídas, elas projetarão os nossos problemas reais de ocupação para 20 anos na frente. Ou seja, vão ser resolvidas questões atuais e teremos mais umas duas décadas sem preocupação no que diz respeito ao trânsito da capital, por exemplo”, prevê.

Esse grande volume de obras exigirá uma intensa concentração de profissionais e, mesmo afirmando não ser possível estimar a quantidade, o presidente do Crea revela que será preciso contratar trabalhadores de outros estados do país. Com isso, os salários pagos a essas pessoas deverá sofrer forte valorização, daqui para a frente. “Mas não creio que isso será motivo de paralisação das obras, já que a Paraíba poderá fornecer mão de  obra para o Rio Grande do Norte e Pernambuco, enquanto o Piauí fornecerá grande volume de operários para o Ceará”, completa Pessoa.

Melhorias

O presidente do Crea diz que as obras de preparação para a Copa de 2014 também deverão resolver problemas antigos, como a fluidez do trânsito e a falta de vazão das águas pluviais em importantes pontos da cidade, por meio da construção de dutos que levarão as águas diretamente para o rio Potengi. “O esgotamento sanitário e a drenagem serão vistos por pouca gente, mas precisarão de investimentos que  ultrapassam R$ 300 milhões”, afirma.

Como exemplo de uma das modificações que afetarão permanentemente a rotina da cidade, Adalberto Pessoa cita a readequação da avenida Engenheiro Roberto Freire, na Zona Sul, que atualmente é um dos grandes gargalos do trânsito em Natal. Ele revela que para aumentar a fluidez no local, estão previstos três túneis, que deverão representar um ganho real para a população, ao longo de um período superior a 15 anos.