Natal
Edgar Morin estará em Natal
Publicado: 00:00:00 - 16/09/2010 Atualizado: 21:25:47 - 15/09/2010
Jóis Alberto - especial para a TN

Os filósofos Albert Camus e Maurice Merleau-Ponty, o sociólogo marxista Georges Friedmann, o ex-presidente da França, o socialista François Mitterand, são alguns dos mais importantes nomes da cultura e da política francesa no século 20, com os quais o sociólogo e antropólogo francês Edgar Morin manteve amizade. Ao longo de mais de 60 anos de intensa vida política e intelectual, que ultrapassou as fronteiras da França e da Europa, pelo menos desde a década de 1960, quando foram traduzidos no Brasil e outros países, seus livros inovadores sobre a cultura de massa, Edgar Morin tem tido boa receptividade e feito grandes e duradouras amizades em vários países.

Morin, que ao final desta primeira década do século 21 está com 89 anos de idade e retorna a Natal pela quarta vez. É aguardado na cidade nesta sexta-feira (17), quando, a partir das 19h, fará conferência sobre  “O Destino da Humanidade”  na Praça Cívica do Campus da UFRN. Antes, haverá apresentação da Orquestra Sinfônica daquela Universidade.

Edgar Morin chegará à tarde, quando será recebido, dentre outros, pela professora da UFRN Maria da Conceição Xavier de Almeida, uma das grandes amizades do escritor no Brasil, como o próprio Morin cita num dos seus livros mais recentes, “Meu Caminho – Entrevistas com Djénane Kareh Tager”, editado este ano pela Editora Bertrand Brasil. No livro, ao responder à questão de Djénane Kareh sobre se Edgar Morin se dá conta de que a reforma do ensino proposta por ele é bastante ambiciosa, e se acredita que um dia ela acontecerá, o pensador francês responde que a reforma já começou em universidades de alguns países, sobretudo na América Latina, em particular no Peru, no Brasil, na Colômbia, no México, mas também na Espanha, Itália e Portugal, onde as proposições feitas por ele suscitaram efetivamente diversos projetos de reforma capazes de fazer a universidade evoluir. E cita, dentre outros, o GRECOM – Grupo de Estudos da Complexidade, da UFRN, criado em Natal em 1990, pela professora Maria da Conceição Xavier de Almeida, docente dos Programas de Pós-Graduações em Ciências Sociais e em Educação dessa Universidade. 

Morin cita nominalmente a professora Conceição Xavier de Almeida, tratada afetuosamente por ele e pelos muitos amigos como Ceiça Almeida, em outro trecho de “Meu caminho...”, no qual comenta que “O método” – título geral que reúne uma série de seis livros – fez nascer comunidades de pensadores de onde surgiram novas amizades.  Além de Ceiça Almeida, ele cita  Edgard de Assis Carvalho,  professor titular de Antropologia da PUC de São Paulo, dentre os amigos no Brasil. Assis Carvalho, tradutor de livros de Morin, coordena do Núcleo de Estudos da Complexidade – Complexus, daquela Universidade paulista.  

Quarta visita à capital do RN

Esta será a quarta visita de Edgar Morin a Natal. Faz parte das atividades da Cátedra Itinerante Unesco Edgar Morin para o Pensamento Complexo (CIUEM), que tem no GRECOM  o seu primeiro ponto instalado no Brasil. As outras três visitas à cidade ocorreram em 1998, 1999 e 2003. Na segunda vinda, em 1999, Morin recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFRN, título com o qual o pensador francês já foi igualmente agraciado por outras universidades em outras cidades e países. Uma homenagem acadêmica reconhecidamente merecida não só pelo prestígio que esse intercâmbio internacional com Morin dá à UFRN, mas também pelas contribuições desse pensador para a renovação do pensamento científico e da educação, com base na religação dos saberes, da transdisciplinaridade. 

Nascido em Paris em 1921, Edgar Morin – seu nome verdadeiro é Edgar Nahoum – realizou os estudos universitários em História, Geografia e Direito na renomada Universidade da Sorbonne. Nessa época, início dos anos 40, aproximou-se do Partido Comunista francês, ao qual se filiou em 1941, ou seja, em plena época da Segunda Grande Guerra Mundial. Descendente de judeus, Morin engajou-se ativamente no movimento de resistência à ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado de gaullistas – partidários do general De Gaulle, líder da resistência.  Foi nessa ocasião em que ele conheceu François Mitterrand, como conta no livro de entrevistas citado. Terminado o conflito, participou da ocupação da Alemanha. Foi nessa época também em que publicou o seu primeiro livro, “O ano zero da Alemanha”, de 1946. Em 1949, afastou-se do PC, que o excluiu dos seus quadros posteriormente.

Edgar Morin sempre foi um pesquisador competente e um grande estudioso. Licenciado em História, Geografia e Direito, Morin não fez pós-graduações, mestrado ou doutorado, como tem se tornado comum nos dias de hoje para milhares de estudantes em vários países, mas teve o privilégio de conhecer pessoalmente ou freqüentado cursos de alguns dos mais destacados pensadores da França.

Os cursos do grande filósofo e renovador da ciência Gaston Bachelard na Sorbonne, por exemplo. Ou o fato de ter merecido a amizade de Maurice Merleau- Ponty, por exemplo, que juntamente com Vladimir Jankélévitch e Pierre Georges deram pareceres favoráveis que ajudaram na aprovação de Edgar Morin, então com as credenciais de talentoso e promissor jovem intelectual, em sua candidatura de pesquisador do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS). Algum tempo depois Morin criou o Centro de Estudos de Comunicações de Massa e editou as revistas Arguments e Communications.

Assessor isenta o vereador Zé Peixeiro

Um dos assessores parlamentares do vereador José Domingos Gondim (PMDB), o “Zé Peixeiro”, prestou depoimento esta semana na Delegacia do Adolescente (DEA) e assumiu a responsabilidade sobre o carro usado no assassinato do ex-policial militar, sexta-feira passada. O assessor, que não teve seu nome divulgado, disse que estava com o veículo e que os jovens pegaram sem sua autorização.

O assessor isenta o vereador Zé Peixeiro de qualquer responsabilidade sobre o veículo, segundo o delegado Francisco Edvan Queiroz. No depoimento, o funcionário do parlamentar afirma que estava em um sítio próximo ao local do crime e que teria deixado o carro, uma Mitsubishi Pajero de cor vinho e placas MZI – 9038, Mossoró, estacionado, porém não retirou as chaves.

“Ele disse que estava em um local onde conhecia todo mundo e por isso deixou aberto”, relembra Edvan, acrescentando que o assessor disse ter sido pego de surpresa com a notícia de que os jovens saíram no carro sem sua autorização e que, pior ainda, o utilizaram em um assassinato.

Por enquanto ainda não há previsão de quando o vereador Zé Peixeiro será intimado para prestar depoimento sobre a utilização do seu carro para a prática de um assassinato. “Não sei como o delegado Renato (que assumirá o caso) vai trabalhar a partir de então. Se ele achar necessário, deve chamar o vereador para depor também”, acrescenta Edvan. A princípio, segundo o delegado que vinha investigado o assassinato do ex-PM, não há nenhum indício que possa ligar o vereador ao assassinato, seja direta ou indiretamente.

“Não há nenhum detalhe que o coloque na situação que emprestou ou que tinha ciência que os jovens estavam em seu veículo. Quanto ao homicídio diretamente, não temos nada a perguntar ao vereador, ao não ser que no futuro possa surgir novas informações que precisem da oitiva do vereador, mas agora não”, frisa.

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