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Editora Sebo Vermelho reedita a 'Reinvenção do Descobrimento'
Publicado: 00:01:00 - 25/06/2022 Atualizado: 21:18:30 - 24/06/2022
O historiador e escritor potiguar Lenine Pinto (1930-2019) tinha um ponto: o Brasil colonial começou no Rio Grande do Norte. Ele escreveu três livros sobre sua polêmica teoria, e o primeiro deles está sendo reeditado agora pelo Sebo Vermelho, “Reinvenção do Descobrimento”, que será lançado  sábado, na Cidade Alta. A obra reforça a tese de que as primeiras caravelas portuguesas aportaram em terras potiguares, e não baianas, como diz a historiografia oficial. Para enfatizar sua defesa, Lenine se cercou de documentos, relatos históricos, pesquisas, e demais evidências que coletou ao longo dos anos. 

Adriano Abreu


A primeira edição de “Reinvenção do Descobrimento” foi lançada em 1998. Em seguida vieram “Ainda a questão do descobrimento” (2000) e “O mando do mar” (2015). Lenine viu sua tese do “descobrimento” ganhar maior atenção em 2018, com a criação da campanha “Tudo Começa Aqui”, da Secretaria de Turismo do RN. O tema chegou a gerar debates na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Natal, além uma série de mesas redondas com pesquisadores prós e contra a tese. 

Segundo a teoria de Lenine, 522 anos atrás, os colonizadores portugueses avistaram a Praia do Marco, entre São Miguel do Gostoso e Pedra Grande, e não Porto Seguro, na Bahia. As suposições do autor se baseiam em diversos argumentos. O primeiro deles diz respeito às correntes marítimas do oceano Atlântico; ele calculou que seria mais fácil para os navegadores, aproveitarem a corrente equatorial sul, que levaria naturalmente ao RN. 

Outra teoria afirma o monte avistado pelos portugueses pode ter sido o Pico do Cabugi (e não o Monte Pascoal), a cerca de 100km da costa. O pico tem 590 metros de altitude, e até hoje pescadores nativos o tomam como referência para voltar à terra. Lenine também citou a “aguada”, ou seja, água doce, presença registrada na famosa carta de Pero Vaz de Caminha, que seria presente nas proximidades de Touros, mas inexistente em Porto Seguro. 

O histórico Marco de Touros seria outra importante evidência da reinvenção histórica de Lenine. O potiguar é diferente do outro fincado na Bahia: o local é esculpido com símbolos e brasões semelhantes ao marco chantado no município de Cananea, em São Paulo, que seria o segundo marco português erigido no Brasil. 

Um dos argumentos mais evidentes do “descobrimento” potiguar, segundo a pesquisa de Lenine, estaria no mapa português, que afirma terem os lusitanos navegado duas mil léguas ao sul do país para fincar o segundo marco: essa distância corresponderia exatamente ao percurso do Rio Grande do Norte até São Paulo. Segundo Lenine, caso partisse da Bahia, o segundo marco teria sido colocado já em território argentino. 

Lenine era filho do também escritor Lauro Pinto, outro autor que também apreciava escrever sobre a história de Natal. Para além da questão do descobrimento, Lenine se mostrou ao longo dos anos um importante autor sobre a Natal da 2ª Guerra Mundial, muito por ser ele mesmo testemunha daquela época.  Seus livros sobre o tema são “Natal, RN” (1975) e “Os americanos em Natal” (1976). “Natal, RN”, por sinal, foi relançado em 2018 depois de anos esgotada. 

Serviço:
“A Reinvenção do Descobrimento”, de Lenine Pinto. Lançamento sábado, das 9 às 12h, no Sebo Vermelho, Cidade Alta. Preço: R$70.

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