Educação amarga piores indicadores e exige evolução

Publicação: 2019-01-01 00:00:00
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O secretário de Estado da Educação, Getúlio Marques Ferreira, irá gerir, a partir de hoje, uma das pastas mais complexas da administração pública estadual. Com escolas de todos os tamanhos espalhadas pelo Rio Grande do Norte e seus rincões, o Estado tem o terceiro pior Índice de Desenvolvimento do Ensino Médio (IDEB) no Brasil. Com uma nota de 2,9 no índice, o ensino médio da rede pública estadual fica abaixo da meta estimada para o ano de 2018, que foi de 3,9. Somente o Pará e a Bahia tiveram notas menores, com 2,8 e 2,7, respectivamente. Em relação ao ensino fundamental, o estado potiguar sustenta índice de 4,6 para os anos iniciais, acima da meta estimada de 4,2; e 3,3 para os anos finais, abaixo da meta de 4 pontos.

Créditos: DivulgaçãoCom uma nota de 2,9 no índice, o ensino médio da rede pública estadual potiguar fica abaixo da meta estimada para o ano de 2018, que foi de 3,9. EscolasCom uma nota de 2,9 no índice, o ensino médio da rede pública estadual potiguar fica abaixo da meta estimada para o ano de 2018, que foi de 3,9. Escolas
Com uma nota de 2,9 no índice, o ensino médio da rede pública estadual potiguar fica abaixo da meta estimada para o ano de 2018, que foi de 3,9. Escolas

O IDEB foi realizado e divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em setembro do ano passado. Na hora de realizar os cálculos, são levadas em conta as notas das provas de língua portuguesa e matemática realizadas pelos alunos (SAEB) e a média das taxas de aprovação das séries da etapa (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio). A média de cada Estado é comparada com metas anuais estimadas em 2007 pelo Ministério da Educação (MEC).

Entre o último IDEB, feito em 2015, e o mais atual, o Rio Grande do Norte avançou minimamente no que diz respeito ao ensino médio, o seu pior índice. A rede pública estadual passou de uma nota de 2,8 para 2,9 em dois anos. Na avaliação da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC), uma das razões que dificultam a melhoria do ensino nessa categoria são os diferentes tipos de alunos que chegam à rede, provenientes do Município, Estado ou escolas privadas. O Estado implementou, ao longo do ano passado, escolas de tempo integral em Natal e região metropolitana. A nova modalidade de ensino tem o objetivo de aprimorar as notas medidas pelo IDEB. De 2015 até agora, a SEEC convocou mais de 5 mil professores novos. O ensino médio do estado, nível com as maiores dificuldades, tem uma taxa de evasão anual de 13%.

Getúlio Marques diz que os indicadores educacionais põem o estado em uma posição desconfortável em nível nacional e na região Nordeste, mas disse que a equipe da governadora está preparada para enfrentar desafios e reverter a atual situação, melhorando a qualidade da educação no Rio Grande do Norte.  “Buscaremos parcerias com as instituições de educação, com as federações e sociedade civil organizada. A integração da educação, cultura e esporte com a ciência e tecnologia, as políticas educacionais voltadas para a inclusão, diversidade e apoio às classes mais vulneráveis estarão presentes em nosso trabalho. O espaço de diálogo permanente com os profissionais da educação será fundamental para que, juntos, participemos de um processo de verdadeira revolução na educação do nosso Estado”, diz o secretário.

Tempo integral
O Ministério da Educação (MEC)  autorizou a transferência de recursos para estados implementarem a educação em tempo integral no ensino médio no final do ano passado. Ao todo, foram liberados R$ 99 milhões distribuídos entre todos os estados e o Distrito Federal, com exceção do Mato Grosso.

A liberação foi feita, no âmbito do Programa de Fomento às Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral, para complementar o pagamento da primeira parcela de recursos correspondentes ao ano de 2019. Os estados precisaram encaminhar planos de trabalho e indicar escolas onde o ensino em tempo integral será implementado.

O dinheiro do programa pode ser usado, entre outras coisas, para remuneração e aperfeiçoamento de professores e dos demais profissionais da educação; para aquisição, manutenção, construção e conservação de instalações e equipamentos necessários ao ensino; aquisição de material didático-escolar e manutenção de programas de transporte escolar.

O programa busca viabilizar uma das ações previstas no novo ensino médio, aprovado em lei em 2017, de ampliar a educação em tempo integral. Os estudantes passam a participar de atividades na escola 7h por dia e não mais 5h ou 4h, como ocorre atualmente na maioria das escolas.

Sobre o auxiliar, a governadora Fátima Bezerra destaca que a experiência e sensibilidade social do professor Getúlio Marques demonstradas nos exercícios de suas funções, contribuirão para o novo rumo da Educação que se pretende implantar no Estado, com inclusão e oportunidades.

“Será essencial na conquista do sonho de termos mais creches, mais educação de tempo integral. Pela restruturação do Ensino Médio com Ensino Técnico e Profissionalizante. Na luta incansável pelo novo Fundeb, para que os Estados e Municípios, especialmente do Nordeste e do Norte, possam cumprir com as metas de expansão, fortalecimento e melhoria da qualidade da Educação, com fortalecimento da UERN (Universidade do Estado do Rio Grande do Norte) e  valorização dos nossos professores“, assinalou a governadora eleita.

A proposta é seguir iniciativas bem-sucedidas de implantação do ensino integral em alguns estados, como Pernambuco, e atender aos objetivos do Plano Nacional de Educação (PNE). Uma das metas do PNE é oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% dos alunos da educação básica até 2024. Atualmente, a educação tem tempo integral chega a 40,1% das escolas públicas e atende a 15,5% das matrículas. Considerando apenas o ensino médio, a porcentagem é menor, 17,4% das escolas oferecem educação em tempo integral.

Para o ano letivo de 2019, que começa em 14 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Educação está ofertando, ao todo, 283.329 vagas nas escolas que compõe a rede estadual de ensino. Equalizar a qualidade do ensino, colocar mais professores em salas de aula e otimizar a utilização das Escolas Técnicas e de Tempo Integral, são necessidades urgentes. Em 2018, a Secretaria de Estado da Educação, em diálogo com o Ministério da Educação, iniciou a implementação de 18 escolas de ensino médio com uma jornada de atividades de oito horas, conhecida como tempo integral. Para a implantação do tempo integral em escolas do ensino médio, o Governo do RN investiu mais de R$ 14 milhões oriundos de recursos próprios.

Como funcionam as escolas estaduais do RN

610 Escolas Estaduais no RN

10,5 mil professores

235 mil alunos

7 escolas técnicas em funcionamento no RN

R$ 124,1 milhões investidos via Ministério da Educação mais R$ 1,2 milhão de contrapartida do Estado. Três escolas estão em construção e deverão começar a funcionar neste ano

2,9 foi a nota obtida pelo Ensino Médio da rede pública de Educação do Rio Grande do Norte no IDEB do ano passado.  A média fica abaixo da meta estimada para o ano de 2018, que foi de 3,9



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