Educação básica: desafios e responsabilidades

Publicação: 2018-06-13 00:00:00 | Comentários: 0
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Ângela Maria Paiva Cruz
Reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Neste mês de junho, comemoramos o aniversário de 60 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Temos muita clareza da nossa missão institucional de educar, produzir e disseminar o saber universal, contribuir para o desenvolvimento humano e firmar compromisso com a justiça social, a democracia e a cidadania. Tais elementos permeiam as nossas ações, voltadas à consolidação do ensino superior público, inclusivo e de excelência. Porém, essa conquista depende de um esforço que vai além dos muros da instituição, pois precede o âmbito universitário e nos faz regressar aos bancos das escolas básicas. Afinal, a educação é um sistema, o que pressupõe a dependência de todos os níveis, para ter como resultado final a formação plena do ser humano.

Nesse cenário, trouxemos o tema do fortalecimento da educação pública básica, no último dia 28 de maio, como ponto único de debate durante o 2º Seminário Temático UFRN e Desenvolvimento. Na ocasião, propusemos abordar os desafios e as responsabilidades dos atores sociais no que tange a melhoria do sistema educacional público, que atende a maior parte da população do País, mas cujo cenário de precariedade inquieta e entristece. A fragilidade da educação básica dá contornos ao aprendizado dos estudantes brasileiros e potiguares, como podemos constatar em números.

Dados de 2015 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelam que, de todos os alunos da rede pública de ensino no Brasil, apenas 50% e 30% aprenderam adequadamente a competência de leitura e interpretação de textos, até o 5º ano e o 9º ano do Ensino Fundamental, respectivamente. No Rio Grande do Norte, essas proporções caem para 33% até o 5º ano e 21% até o 9º ano. O conhecimento da matemática é ainda mais preocupante: apenas 39% e 14% dos estudantes no Brasil aprenderam adequadamente a resolução de problemas até o 5º e o 9º ano, respectivamente. Em relação ao RN, os números registram queda para 20% e 8%.

Considerando que essas são competências essenciais ao desenvolvimento do processo de aprendizagem de outras áreas do conhecimento e na compreensão do mundo, os percentuais indicam que a qualidade da formação básica está bastante comprometida. Diante de uma realidade alarmante, problemas já foram mapeados em vários diagnósticos, com diferentes perspectivas. Posso afirmar que entre diversos fatores, certamente, figura no cerne da questão a necessidade de dignificação da carreira docente da educação básica, assim como de um programa de profissionalização dos professores.

Para contribuir com a qualificação dos docentes, a UFRN tem atuado na formação inicial e continuada, que ganha maior relevância no projeto pedagógico do Centro de Educação e dos cursos presenciais e a distância de licenciaturas, nos quais os professores têm se engajado de maneira colaborativa e propositiva, em inúmeros projetos, programas, convênios e assessorias formalizadas junto às secretarias de Educação e escolas dos sistemas públicos de ensino.

Entre as ações podemos citar o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), que insere alunos de licenciaturas no cotidiano de escolas da rede pública, onde planejam e participam de experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar. No âmbito da formação continuada, a UFRN oferta cursos voltados aos professores do ciclo de alfabetização das escolas públicas estaduais e municipais, com vistas ao cumprimento do Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (PNAIC). Do mesmo modo, o Programa de Formação Continuada do Centro de Educação da UFRN (Profoco) disponibiliza capacitações, aperfeiçoamentos e especializações para profissionais da educação básica e do ensino superior.

Outras parcerias renderam frutos, como a Rede Giga Metrópole, que fornece mais de 500 quilômetros de fibra ótica para acesso a internet de alta velocidade nas escolas públicas de Natal, Parnamirim, Macaíba e São Gonçalo do Amarante. A inovação tecnológica é complementada pela criação do Sistema Integrado de Gestão da Educação Básica do Estado (SIGEduc), desenvolvido pela UFRN nos moldes do Sistema Acadêmico de Gestão de Atividades Acadêmicas (Sigaa). A ferramenta permite a disponibilização de materiais, realização de matrículas, visualização do calendário escolar, criação de fóruns, entre outras utilidades que proporcionam o direcionamento mais organizado das ações. 

Essas e outras iniciativas de ensino, pesquisa, extensão e inovação, contribuem para alterar o cenário da educação básica, aqui brevemente apresentado, em uma transformação na qual é necessária uma articulação afinada entre universidades, governantes, lideranças políticas, gestores, professores e familiares, de modo que compartilhem responsabilidades junto a essa estratégica política pública. A UFRN tem se engajado fortemente, pois a educação superior de qualidade e de excelência exige o cuidado com a educação básica. Não adianta expandir e melhorar uma delas, sem que o mesmo tratamento seja dispensado à outra. Portanto, seguimos os esforços desempenhados há 60 anos para pensar no futuro da educação em todos os seus níveis, do ensino infantil à pós-graduação, para proporcionar a igualdade de oportunidades e a formação adequada dos cidadãos.


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