Educação pública no RN evolui, mas não atinge metas do IDEB

Publicação: 2020-09-16 00:00:00
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O Rio Grande do Norte mais uma vez não atingiu as metas preconizadas pelo Ministério da Educação (MEC) no Ensino Médio, segundo avaliação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o principal indicador da qualidade do ensino nas escolas brasileiras. Apesar de apresentar uma evolução em relação ao último levantamento, a rede de ensino do Estado teve média 3,2 - a meta de 2019 era 4,4. No índice total, levando em consideração também as escolas privadas, a média estadual ficou 3,5, apresentando crescimento de 0,3 pontos em relação ao último Ideb, em 2017. No Ensino Fundamental, os índices nos anos iniciais na rede pública atingiram as metas, enquanto que nos anos finais as médias não foram alcançadas.

Créditos: Alex RegisÍndice de qualidade da educação no Ensino Médio no Rio Grande do Norte é um dos piores do Brasil conforme dados do IDEB 2019Índice de qualidade da educação no Ensino Médio no Rio Grande do Norte é um dos piores do Brasil conforme dados do IDEB 2019

Em comparação com outros Estados, os índices do Rio Grande do Norte no Ensino Médio, somadas as redes pública e privada, foi um dos quatro mais baixos do País, ficando à frente somente do Pará (3,4), Amapá (3,4) e empatado com a Bahia (3,5). Quando se observa apenas a rede pública de ensino, o Estado também ficou entre os quatro mais baixos do Brasil, ao lado desses mesmos Estados.

O titular da Secretaria de Estado da Educação do RN, Getúlio Marques, reconheceu que o Estado precisa melhorar, mas comemorou o fato de ter apresentado crescimento em relação ao último Ideb. Ele atribuiu essa evolução à continuidade de trabalhos de gestões anteriores, que já apresentavam crescimentos decimais nos pontos do levantamento, e aprimorando conceitos como a “gestão do aprendizado”, uma ferramenta que os professores acompanham o aluno bimestralmente no tocante às dificuldades e evoluções. “Colocamos meta escola por escola, regional por regional. Tiveram escolas nossas que cresceram 0,5”, disse Marques.

“Foi o maior crescimento em toda a série histórica. Qual é a dificuldade de se atingir essa meta? É a velocidade desse crescimento. 

Passamos praticamente 12 anos, não digo estagnado, mas com um crescimento muito lento. A maior taxa foi agora, entre um Ideb e outro. Se continuássemos no ritmo anterior, em 12 anos, de meio ponto em seis Idebs, só iríamos alcançar 3,2 daqui a 12 anos. Para mim isso foi um grande salto: crescemos 0,3. Isso é graças a esse trabalho feito, mas continuamos preocupados com isso. Vamos trabalhar o ano inteiro para recuperarmos melhor esses dados”, se comprometeu Getúlio Marques. 

Quando se analisa a série histórica, desde que o Ideb passou a ser aplicado no sistema escolar brasileiro, o Rio Grande do Norte alcançou sua melhor marca para o Ensino Médio em 2019. Por várias  medições, o Estado tinha dados “estagnados”, segundo Cláudia Santa Rosa, diretora executiva do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) e ex-secretária de Educação do RN. Analisando o número total, somados rede pública e privada, o Estado passou, de 2009 a 2017 crescendo apenas um décimo, saindo de 3,1 em 2009 para 3,2 em 2015, número que se manteve em 2017 e só voltou a crescer em 2019.

“Você não consegue, a partir do Ideb, de uma hora para outra, atingir a meta, se você vem de um histórico de não alcance dessa meta. Na hora que o RN, lá em 2007, 2009, 2013, não atingiu a meta para cada ano desse, é difícil que em 2019 se atingir a meta que era prevista. Existe uma leitura que precisa ser feita nesse sentido, que é a mesma dificuldade da maioria dos estados, porque o Ensino Médio, pela primeira vez no Brasil, apresentou reação, um avanço.”, comentou a especialista em Educação.

O Ensino Médio brasileiro estava com médias 3,7 e 3,8 entre 2011 e 2017 e em 2019 avançou,  chegando a 4,2, - não atingindo a meta de 5. Para o Governo Federal, o aumento no indicador do ensino médio aconteceu em função da melhora nas taxas de aprovação e nos resultados da avaliação dessa etapa de ensino no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Para tentar atingir a meta do Ideb, fato que só aconteceu na primeira edição do cálculo do índice, em 2005, o secretário estadual de Educação, Getúlio Marques, estimou que o RN precisa manter essa taxa de crescimento nos próximos três anos. “Queremos dar mais tempo à formação integral aos alunos. Essas médias se elevam pela formação integral e vão se elevar mais ainda, porque nesse Ideb ainda não colocaram as profissionais, porque quando elas entram, crescemos 0,1. Já é outro dado. Nossa política de governo é estabelecer, até 2022, a educação profissional como itinerário em todas as escolas do Ensino Médio”, comentou Marques.

Fundamental
Os anos iniciais do Ensino Fundamental apresentaram índices positivos no Estado. Em quase todas as esferas, exceção das privadas, o Rio Grande do Norte atingiu as metas estabelecidas para essa faixa de idade da educação básica. O índice geral do Estado foi de 5,2, quando a meta era de 4,7. Nas escolas públicas, o índice alcançado foi de 4,7, ultrapassando a meta de 4,4. Nas privadas, a média foi de 6,5 para uma meta que era de 6,7. 

A situação, porém, não se repete nos anos finais do Ensino Fundamental. Em geral, o Estado teve nota de 4,1, quando a meta era de 4,9. Nas escolas particulares, o índice foi mais alto, porém, também não chegou ao objetivo: 6,1, quando a meta era de 6,6. Na rede pública, o índice foi de 3,6, quando a meta era de 4,3. Nos anos finais, segundo o Ideb, apenas 9,6% das cidades potiguares atingiram a meta.

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou a Secretaria Municipal de Educação (SME) para repercutir os dados da educação fundamental em Natal, mas a secretária Cristina Diniz disse estar analisando as estatísticas junto a gestores das escolas e profissionais da rede para poder ter um posicionamento sobre o assunto.