Educadora potiguar fala na Flip

Publicação: 2012-07-03 00:00:00
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Tádzio França - repórter

Cláudia Santa Rosa, educadora: As bibliotecas escolares devem ser um complemento. Não podem substituir as públicas.O trabalho realizado há cinco anos pela Rede Potiguar de Escolas Leitoras já deu um livro, e segue dando o exemplo. A iniciativa que forma bibliotecas escolares chamou a atenção do maior encontro literário do país, e sua experiência será discutida na programação da 10ª Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP, de 04 a 08 de julho. A professora Cláudia Santa Rosa, coordenadora do projeto potiguar, participará de um bate-papo no dia 07/07, sobre o papel social e político das bibliotecas. O poeta e escritor mineiro Carlos Drummond de Andrade é o homenageado de 2012. Nada mais oportuno. 

A Rede Potiguar de Escolas Leitoras foi criada em 2007 pelo Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), em parceria com o Instituto C&A e o poder público. O trabalho consiste em organizar as bibliotecas de escolas públicas entre Natal e Parnamirim, seguindo um formato que torna a leitura parte do cotidiano do estudante, de forma prática, prazerosa e marcante. Uma tarefa nada fácil. “Ficamos muito felizes com o convite da FLIP. É um reconhecimento nacional de um trabalho desenvolvido no Estado. Esperamos que isso sensibilize ainda mais o poder público quanto à importância do que fazemos”, afirma Cláudia.

A professora resume a importância de se ter mais e boas bibliotecas, como uma questão de “consolidar a cidadania”. “É a formação de base, onde tudo começa. A relação entre estudante e livro não deve acabar junto com o ano letivo, mas deve ser levada para toda a vida”, explica. Atualmente, quase 180 escolas estão integradas à Rede Potiguar. O trabalho se sustenta num tripé básico, segundo Cláudia: um acervo de qualidade, ambientação adequada do espaço, e a presença de um professor mediador de leitura, que faça os alunos gostarem de ler.

FUNCIONAMENTO

A Rede arca com os acervos de livros, os itens para ambientação, e mantém uma sistemática agenda de encontros e atividades anuais, de março até dezembro. As ações incluem o estímulo à participação de políticas públicas que favoreçam o livro. Será um dos temas para o 6º Seminário Potiguar Prazer em Ler, nos dias 06 e 07 de agosto, que contará com a presença dos candidatos a prefeitos de Natal e Parnamirim: eles assinaram um termo de adesão - o Manifesto por um RN de Leitores - que os compromete a tomar ações políticas na questão da leitura. O evento terá ainda a participação de escritores locais, de São Paulo, Rio de Janeiro, e Portugal.

Segundo Cláudia Santa Rosa, o maior desafio para a Rede de Escolas é fazer com que as gestões públicas entendam que o trabalho literário deveria ser “algo ordinário e não o extraordinário”. O estado das bibliotecas públicas e comunitárias também será discutido por ela na FLIP. “Em Natal, como se sabe, a situação é preocupante. A Câmara Cascudo e a biblioteca da Cidade da Criança estão inoperantes. O ideal não é as bibliotecas escolares substituírem as públicas, mas que elas pudessem se complementar. São mais um caso de política pública urgente”, finaliza.