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Alex Medeiros
El Maestro de Potosí
Publicado: 00:00:00 - 05/05/2022 Atualizado: 21:53:33 - 04/05/2022
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Era o dia 31 de março de 1963, um domingo quente como tantos em Cochabamba, na Bolívia. Cerca de trinta mil torcedores bolivianos se espremeram no pequeno estádio Félix Capriles, gritando por um sonho que parecia impossível, mas prestes a realizar-se.

A seleção nacional havia chegado audaciosamente onde nem o mais otimista locutor do país ou o mais extravagante palpiteiro de boteco imaginariam. Passou invicta por todos os seus jogos e foi decidir a Copa América com o Brasil, bicampeão mundial em 1962.

E se a seleção canarinho não levou o rei Pelé para a altitude dos Andes, o time local depositava as fichas naquele jogador que a História consagraria como o maior ídolo e craque do futebol boliviano. Naquela final, 16 anos o separava do début em 1947.

Victor Agustin Ugarte trocou ainda garoto as peladas no barro das ruas de Potosí pelos treinos no time do Bolívar, onde aos 20 anos ingressou como titular para só devolver a camisa em 1958, onze anos depois, quando o San Lorenzo o levou para a Argentina.

Técnico, habilidoso e de uma disciplina irretocável, Ugarte escreveu sua trajetória com o traço invisível que suas jogadas, seus passes e seus gols deixaram como marca indelével nos gramados em que seus pés pisaram. O toque refinado era de um maestro.

E “El Maestro” passou a ser o epíteto de uma louvação que atravessou décadas pela memória afetiva do povo boliviano. E naquela tarde de 31 de março de 1963, seu talento dava uma última prova de eficiência como um herói nacional na sua última glória.

A Bolívia havia estreado com o Equador num complicado empate de 4 x 4, depois superou a Colômbia por 2 x 1 e o Peru por 3 x 2. A partir daí a fé no imponderável tomou conta das arquibancadas. E o craque Victor Ugarte tratou de fazer o resto.

Dois ossos duros no meio do caminho, o sempre destemido Paraguai e a temida Argentina, embalada por uma goleada de 3 x 0 no Brasil. Sob a batuta do seu maestro, a Bolívia meteu 2 x 0 nos guaranis e venceu os platinos no sufoco, 3 x 2.

É preciso assistir ao curta metragem que o governo boliviano patrocinou depois daquela Copa América e fez os cinemas do país se abarrotarem de torcedores enlouquecidos. O filme é até hoje uma espécie de símbolo nacional a registrar um fato mais que histórico.

O peso de um bicampeonato mundial na camisa amarela não assustou Ugarte, que logo aos 15 minutos mandou a bola para as redes do goleiro Silas. No banco boliviano, um príncipe do futebol brasileiro aliviou-se esfregando as mãos. O técnico Danilo Alvim.

Dez minutos depois, Wilfredo Camacho (para muitos o segundo maior da Bolívia até hoje) aumentou para 2 x 0. Uma ousadia que teve troco nos três minutos seguintes com dois gols relâmpagos do Brasil, por Marco Antonio e Almir Pernambuquinho.

Os corações bolivianos atingiram picos de escala Richter quando aos 13 do segundo tempo novamente o toque de classe de Victor Ugarte fez a diferença, estabelecendo 3 x 2. E a loucura instalou-se aos 17 minutos com Garcia definindo uma jogada do maestro.

Mas a seleção brasileira tinha em campo um substituto à altura de Pelé, um goleador nato que dali a treze anos atingiria também a marca de 1.000 gols. Em apenas 4 minutos, Flávio Minuano mandou duas bolas para as redes de Arturo Lopez.

Na tarde quente de Cochabamba, frio na espinha dos milhares de torcedores da Bolívia, que passaram a rezar para os deuses do vasto sincretismo entre a cultura Inca e o catolicismo. Ugarte inicia a jogada que culmina num pênalti convertido por Alcócer.

O futebol boliviano, nascido no século 19 pela iniciativa de operários ingleses a 3.760 metros de altitude, alcança seu maior feito que atravessaria o século XX como único: campeão da Copa América e consagrando de uma vez seu maior ídolo, Victor Ugarte.

Liberdade 
Toda a imprensa destacando desde ontem a infraestrutura de mordomias para Sergio Cabral dentro da prisão. Isso não me espanta. O que me espanta é toda a liberdade dada pelo STF ao Lula fora da cadeia, onde deveria estar ainda.

Democracia 
Ser comprometido com a democracia, como disse o ministro da Defesa em relação às Forças Armadas, é coisa comum a todos os cidadãos, cada um a seu modo. Importa saber se os militares irão defender a Constituição Federal.

Militares 
Termômetros que flutuam sobre os quartéis das três forças mostram um elevado grau de mal-estar com os ataques e achincalhes dirigidos aos militares, como se as novas gerações fossem parte dos episódios pós-1964.

Balaio 
O partido Solidariedade apoiando Lula no plano nacional e mantendo forte oposição ao governo do PT no RN, já definido no apoio ao candidato Fábio Dantas que tem na sua chapa o ex-ministro de Bolsonaro, Rogério Marinho.

Balaio II 
O jornal Estadão revelou um levantamento no MDB onde 70% do partido votarão em Bolsonaro se Simone Tebet não for candidata. Aqui, o MDB de Garibaldi e Walter Alves está na chapa do PT e defendendo o nome de Lula.

Mirongas 
A rebeldia, o espírito aventureiro, as ideias controversas são coisas de juventude. Quando adultos do clube dos “enta” se tornam esquerdistas, “progressistas”, entram no ridículo mundo da “tonga da mironga do kabuletê”.

Índias 
O geógrafo e petista capixaba Pedro Rochi diz que o Brasil de Bolsonaro retrocedeu tanto que estão estuprando índias como há 500 anos. Não sabe que nos anos 70, antropólogos esquerdistas pegavam índias adolescentes.

Dengue 
A onda se alastra pelos bairros de Natal, longe dos olhos da mídia e das autoridades de saúde pública. Postos de saúde e UPAs em locais como Cidade da Esperança, por exemplo, estão lotados de pacientes buscando auxílio.

Transa 72 
O leitor Paulo Roberto França escreve dizendo que viajou no texto do LP Transa, que ouviu garoto numa radiola Isabela V ABC. O disco de Caetano o fez se apaixonar pela MPB, apesar de algumas canções cantadas em inglês.

Camisa 10 
Depois de ter sua figurinha da Copa 2014 arrebatada em leilão por US$ 522 mil, como já divulgado aqui, o craque Lionel Messi gerou outra proeza: a camisa usada no 500º gol, contra o Real Madrid, foi vendida por 430 mil euros. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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