Eleições, sim

Publicação: 2020-05-21 00:00:00
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Garibaldi Alves Filho
Ex-senador da República

Este ano de 2020 ficará para a história como um marco de transformações. Em pouco menos de 120 dias as pessoas alteraram suas rotinas e o mundo adiou seus eventos. As mudanças vão desde as nossas pequenas atitudes a grandes acontecimentos programados e ansiosamente esperados. Fora o carnaval, nada foi como antes. Em nossas lembranças fica o registro da imagem solitária e contrita do Papa na Praça de São Pedro, em plena Semana da Paixão. Se o mundo não tivesse mudado, daqui a poucos dias estaríamos com os olhos grudados na TV para acompanhar a performance dos atletas nas Olimpíadas de Tóquio. Mas datas históricas e outras celebrações foram reprogramadas. Acreditem, Semana Santa de Nova Jerusalém e festas de São João foram transferidas para Setembro! 

Um calendário para não esquecermos. Deixei de fora dessa síntese, as eleições municipais previstas para outubro próximo. Aos que enxergam com reserva a política, pode parecer um assunto menor diante da pandemia. Mas não é. São quase seis mil municípios que irão manter ou trocar os seus governantes. E essa escolha é muito importante, quando se leva em conta a adequada gerência e a melhor qualidade dos serviços das cidades onde vivemos.

Duas pesquisas divulgadas semana passada indicam que os brasileiros querem votar este ano, apesar das atuais circunstâncias. É um alento para os que têm apreço pelo regime democrático. Embora mais de dois terços do eleitorado ainda não saibam ou não tenham certeza em quem votar. Cenário pouco diferente de outros anos, que se modifica com a proximidade do pleito. Há poucos dias, em uma entrevista à Globo News, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, que assumirá este mês a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, admitiu apenas adiar por poucas semanas as eleições marcadas para outubro próximo. Mas tudo dentro deste ano. Esse adiamento, aliás, é iniciativa do Congresso Nacional por meio de emenda à Constituição. Os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, também sinalizam com alguma mudança de data, mas sempre ressalvando que isso não pode implicar em prorrogação de mandatos.

Constata-se, assim, o alto grau de conscientização da sociedade, em todos os níveis, preservado neste momento de sofrimento e dor. Permanece o espírito dos brasileiros de exercer, na plenitude, o direito de escolher quem lhes governa e, por consequência, a repulsa  às ideias e atitudes monocráticas e autoritárias. O estadista Winston Churchill nos ensina: “A Democracia é o pior dos regimes, mas não há melhor sistema que ela”.

Para todos nós — que tanto nos empenhamos nas lutas pela redemocratização do país e para que tivéssemos, como conquistamos, eleições diretas, com livre escolha do eleitor — não deixa de ser motivo para renovarmos as esperanças a constatação de que a sociedade não aceitará retrocessos na democracia e que está certa da necessidade de enfrentarmos este momento tão difícil sem rompimentos institucionais.







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