Eles querem movimento

Publicação: 2012-07-27 00:00:00
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Tádzio França - repórter

Solo de dança, só no palco. O cenário potiguar almeja mais integração e coletividade. Lançar mais ações coletivas para que profissionais, bailarinos, escolas e espetáculos possam se movimentar com maior visibilidade por territórios locais e nacionais. O Encontro Nacional de Dança Contemporânea, realizado de 27 de julho a 05 de agosto, chega a sua quarta edição com a ideia de consolidar essa proposta de expandir  ideias, palcos e experiências através de uma programação integrada com grupos diversos. O evento de 2012 - maior que as edições passadas – será composto por uma maratona de apresentações, palestras, oficinas e intervenções urbanas. Tudo com acesso gratuito.
Ballet de Londrina vem a Natal e realiza espetáculo dia 30, no Teatro Alberto Maranhão
“O evento cresce a cada ano porque se integra e age. Participamos de plataformas, fóruns e eventos de dança ao redor do País, fazendo parcerias e trocando contatos. É assim que o Encontro e o cenário da dança, como um todo, podem se consolidar”, afirma a coordenadora Diana Fontes. A edição de 2012 vai marcar essa fase, segundo ela, com uma série de inovações a cargo de renomados artistas nacionais, intervenções artísticas nas áreas mais públicas da cidade, e a primeira abertura do evento para um grupo internacional, vindo da Espanha.

NOS PALCOS E NOS ARES

O Encontro Nacional abre nesta sexta-feira com o início das oficinas - “todas lotadas e com fila de espera”, segundo Diana, trazendo nomes como Rui Moreira (MG), Esther Weitzman (RJ) e Mário Nascimento. O primeiro evento aberto será no domingo (29), com intervenção urbana no Parque das Dunas, a partir das 16h, a cargo de Rui Moreira, apresentando a coreografia “Receita”, e do coletivo natalense Entre Nós, apresentando um fragmento do espetáculo “Entre nós”. Já a abertura dos espetáculos será na segunda-feira (30), no Teatro Alberto Maranhão, às 20h, com o Ballet de Londrina (PR) apresentando “A sagração da primavera”, com produção local de Lula Belmont.

Estilos diferentes se encontram

As apresentações de grupos locais se darão na Casa da Ribeira, enquanto as nacionais e internacionais serão no TAM. Os destaques na extensa programação são muitos, segundo Diana Fontes.

Ela cita o espetáculo carioca “Boca de lobo” (dia 03/08), de Renato Vieira, um dos nomes mais incensados pela crítica nacional; a paulista Virtua Cia de Dança, que apresentará dois trabalhos, o adulto “Diálogos sobre Nijinski” (04/08), e “Peter Pan” (05/08), pela primeira vez, uma peça infantojuvenil na programação do encontro. No dia 31/07 Rui Moreira apresentará “Receita – Faça Algum Barulho”, especialmente na Casa da Ribeira, às 20h.

O Ballet Carmen Roche, de Madri, será a primeira presença internacional no evento potiguar, no dia 02 de agosto, às 20h30. O grupo apresentará o espetáculo “Danzar la danza” será um passeio pela história da dança, desde o clássico até o contemporâneo, passando pelo típico flamenco espanhol. “O Carmen Roche vem a Natal graças a uma parceria com a Secretaria de Cultura da Espanha, e vai passar também por João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba. É um dos maiores grupos formadores de dança da Espanha, e são muito simpáticos”, ressalta Diana Fontes.

Prédio da Fiern será palco da Companhia dos Pés

A produtora acredita que um dos momentos mais bonitos do Encontro Nacional de  Dança Contemporânea será proporcionando pela intervenção urbana da Companhia dos Pés (SP), que fará um balé aéreo no prédio da Fiern, às 18h, no dia 01/08. A performance, denominada “Casca de nós”, contará com estrutura especial de escala esportiva e iluminação. “Era super difícil trazer a Cia dos Pés devido a parafernália especial que eles utilizam, mas desta vez conseguimos, e promete ser um momento inesquecível”, afirma a coordenadora.

O encontro também contará com a presença representativa das companhias locais, como a Domínio, Gira Dança, Cia de Dança do TAM, e Ballet da Cidade de Natal. De Mossoró, vem a Cia Gesto. A programação também inclui uma volta às origens da dança em Natal, com o Projeto Memória, dia 03/08, na Casa da Ribeira, que perfilará uma homenagem aos pioneiros que contribuíram para o cenário local. Serão apresentados trechos das obras de Roosevelt Pimenta (Balé da Cidade do Natal), Dimas Carlos (A Porta), Edson Claro (Acauã/Roda Viva) e a própria Diana Fontes (Corpo Vivo). “É um registro importante para as novas gerações. Consideramos merecido”, afirma.

A dança contemporânea integrada em rede

O encontro de 2012 deseja firmar de vez a postura de agregar para expandir o cenário de dança potiguar – ainda muito concentrado em Natal. “Acredito que já temos um trabalho de excelência em dança, pública e privada, na cidade. Precisamos é dar mais visibilidade a ele. Nossa sociedade, os gestores  e o Brasil precisam saber mais disso.  Quando a gente forma plateia, também forma um mercado, que é ótimo para o bailarino que se forma aqui mas não quer ir embora do Estado. Quando se linka cultura, educação e turismo, esse mercado se forma”, diz.

Expandir horizontes está entre os objetivos da Rede Nordeste de Dança (Renda), criada em Natal no ano passado, já contando com adesão do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, e agora, Bahia. Diana ressalta que 12 curadores e programadores de dança de todo Brasil estão vindo para o evento. A coordenadora acredita que a dança potiguar necessita ver além. “A mídia nos dá respaldo e temos reconhecimento, mas ainda acho o cenário muito fechado em si. Artista não deve só fazer espetáculo para artista. Só podemos conquistar as massas agindo coletivamente e atuando nos fóruns de cultura que existem na cidade”, explica. A Intenção da Renda é fazer os produtos culturais circularem.

Diana confia na qualidade do que a dança oferece em Natal, mas ressalta a necessidade de “trocar mais figurinhas”. “Intercâmbio funciona muito. Estamos batalhando por mais ‘residências artísticas’, que possibilita a circulação, através de convênios e editais”, diz. Ela acredita que bailarinos e escolas podem investir mais em projetos ousados, locais ou não. Para Diana, participar de eventos como o Festival de Dança de Joinville (SC) é um bom começo para iniciantes, mas não deve ser pensado como um objetivo maior. “Acho o festival catarinense muito focado no comercial, mas é ótimo para quem está começando, pois pode ver muita coisa e se mostrar. Não deixa de ser um investimento, mas há muito mais para se ver”, diz. Diana participará, no próximo dia 03/08, de um debate na Câmara Municipal de Natal, onde as políticas públicas para a cultura estarão em debate. Aguarda-se novos passos para a dança.

O Encontro de Dança tem apoio do Programa Djalma Maranhão, Vivo EnCena, Sebrae, Sesc, Fiern, Idema e Governo do Estado.

Serviço: 4º Encontro de Dança Contemporânea, de 27/07 a 05/08. Mais informações no <www.encontrodedanca.com>