Viver
Eles vão invadir sua praia
Publicado: 00:00:00 - 09/12/2011 Atualizado: 21:31:27 - 08/12/2011
A orla urbana de Natal será palco de intervenções inusitadas e efêmeras, iniciativas artísticas que almejam propor reflexões sobre o espaço urbano, a ocupação da orla e o papel de cada um enquanto engrenagem desta máquina chamada cidade. Essa é a essência do desafio lançado pelo projeto ArtePraia 2011, edital público elaborado pela Casa da Ribeira e patrocinado pelo Ministério da Cultura e Funarte, que contemplou cinco performances alicerçadas nas diversas linguagens – lúdica e simbólica, tecnológica e interativa. As apresentações acontecem de hoje a domingo nas praias de Redinha, do Forte, do Meio e Ponta Negra e a intenção é surpreender, chamar atenção e instigar a reação dos banhistas diante das atividades.
Contemplados no edital Arte Praia, artistas realizam intervenções artísticas nas praias da Redinha, Ponta Negra, Forte e praia do Meio
Primeiro edital do gênero no RN, o ArtePraia 2011 selecionou os seguintes projetos: os lúdicos “Ventemos!” e “Ao mar o que é do mar”, de Sofia Bauchwitz; o simbólico “Mensagem para você”, de Jean Sartief; a ciberintervenção “#morrodocareca”, do Coletivo PotiguArt; a performance “Compre seu espaço na praia”, de Chrystine Silva; e a instalação “Inviabilidade”, do Coletivo Laparina. Cada uma das cinco propostas recebeu R$ 5 mil para viabilizar sua performances.

As atividades têm quatro horas de duração diária e serão acompanhadas por debates informais. Toda a movimentação será registrada em foto e vídeo, o material utilizado e o que mais sobrar das performances será recolhido para a “Sala Resíduo”, instalada no primeiro andar da Casa da Ribeira, que abrigará exposição coletiva em cartaz de dezembro a fevereiro a partir da próxima semana.

PRIMEIRA INTERVENÇÃO

A primeira intervenção que ‘invade’ a beira mar é “Inviabilidade”, do Coletivo Lamparina. Formado por Ramom Ribeiro, Marly Melo e Joto Gomo, o trio irá construir – logo no início da manhã – rampas e escadas com areia na Praia do Meio, como forma de levantar o debate quanto à falta de acesso a praia. A dinâmica será repetida sábado e domingo, sempre no período matutino, em vários pontos da orla a partir do antigo Hotel Reis Magos.

“Nossa proposta é levantar uma reflexão sobre a ‘manobra’ que se faz para passar do calçadão para a areia”, informou Joto Gomo.

Sartief manda mensagens

O simbolismo imagético de mensagens lançadas ao mar dentro de garrafas é a proposta apresentada pelo artista visual e poeta potiguar Jean Sartief na performance “Mensagem para você”, realizado durante três manhãs na Praia do Forte. Jean irá espalhar cem garrafas pela areia com mensagens anônimas para destinatários anônimos. “Quando uma pessoa recebe uma mensagem, imediatamente é convidada a deixar outra. Sou apenas o mensageiro, passo e repasso”, garante.

A ideia surgiu em Natal há seis anos e já percorreu diversas cidades da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Pernambuco, Minas Gerais e recentemente no Rio Grande do Sul, onde foi apresentada na Bienal do Mercosul. “A mensagem que irá iniciar este novo ciclo de troca na Praia do Forte foi escrita em Porto Alegre”.

VENTO E SAL

Ainda no período da manhã desta sexta-feira, na Praia do Forte, Sofia Bauchwitz apresenta “Ventemos!”, onde irá ‘vestir’ grandes pedaços de tecido (voal e cetim) para brincar com o vento, em uma coreografia aleatória e colorida. “E quem quiser participar, sentir e ‘voar’ é só se aproximar que teremos tecidos para ‘vestir’ adulto, criança e até cachorro”, adiantou. Estudante de Artes Visuais, Sofia leva “Ventemos!” para a redinha no sábado. Já no domingo, também pela manhã, ela se arrisca na intervenção “Ao mar o que é do mar”. A meta é criar um caminho com uma tonelada de sal grosso que será desmanchado pela maré cheia.

VENDE-SE

À tarde em Ponta Negra, das 13h às 17h, a atriz Chystine Silva se mistura ao vendedores ambulantes munida de megafone para oferecer um dos produtos mais disputados em dias de grande movimento: um espaço na areia. Por R$ 0,50, ela delimita o espaço do ‘comprador’ com contorno de areia colorizada por tinta gache. “É uma critica direta a ocupação indiscriminada do litoral, das dunas”, explicou.

MORRO DO CARECA

Quando a noite chegar será a vez da ciberintervenção urbana “#morrodocareca” entrar em ação. A proposta do Coletivo PotiguArt (Marcílio Amorim, Kiko Barreto e Gustavo Soares) é projetar na própria duna símbolo da cidade imagens construídas a partir de um programa de computador que processa mansegens enviadas pelo twitter com a ‘hashtag’ #morrodocareca – cada letra também estará vinculada a um som específico. O ‘show’ será repetido na noite de sábado e domingo e tudo será transmitido via twitcam.

“Queremos redimensionar as relações sociais e com a cidade através do ciberespaço. Vamos transformar essa massa amorfa de informação em imagem e som, numa sinfonia construída através da interatividade. A obra depende dessa participação”, explicou Amorim, que conheceu os paraibanos Kiko e Gustavo durante uma viagem à João Pessoa – ambos pesquisam a relação entre arte e tecnologia.

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