Elmar e a vocação de avô

Publicação: 2020-08-13 00:00:00
Garibaldi Filho
Ex-senador

Hoje quero homenagear um amigo que faleceu, subitamente, na segunda-feira (10) — Elmar Santos Leite. Ele era sogro do meu filho, Walter, na casa de quem nos encontrávamos semanalmente. Nesta fase da vida, quando as ambições fenecem e as vaidades desaparecem, as minhas conversas com Elmar já não se detinham tanto nas atividades às quais nos dedicamos por tanto tempo. Elmar Santos Leite estava, e eu também estou, aposentado. 

Dentista e depois agropecuarista, ele foi vitorioso em ambas. Eu trilhei os caminhos da política. Aqui e acolá é que falávamos sobre este passado. Minha contribuição com relação às histórias ligadas à agropecuária era muito rarefeita. Meu pai é que sempre se envolveu com a atividade agrícola e pecuária, dividindo as suas atenções com a política. 

Elmar viu a política entrar em casa com o casamento da sua filha, Carol, com o meu filho Walter, na época já deputado estadual. Mesmo assim, ele se voltou só para ajudar o genro, enquanto eu, desde cedo, fiz uma opção definitiva pela política. Sua propriedade rural era no município de Lagoa Salgada e, a despeito dos convites, só pude ir lá pouquíssimas vezes. 

Foram importantes, para mim, as conversas que mantivemos, das quais participavam, sempre que estava em Natal, seu amigo Francisco Olímpio. No governo, as minhas prioridades foram voltadas para o campo com os Programas do Leite e das Adutoras. Os depoimentos dele quanto a isso foram lisonjeiros, porque Elmar estava plenamente integrado com relação à participação no Programa do Leite e elogiava o que representou para a população interiorana. 

Quando falávamos da política, ele dizia que nunca se sentira atraído por abraçá-la. Na verdade, chegamos à conclusão de que só a família passava mesmo a ser o centro das nossas atenções e de que exercitávamos uma vocação descoberta ao longo das nossas conversas: a vocação de avô. 

A sua esposa Jane dizia sempre aos netinhos, juntamente com a minha, Denise, que eles eram muito felizes porque tinham sempre os quatro avós reunidos.

Agora vamos ter que fazer um esforço para que os netos não sintam orfandade com a despedida de Elmar. Ele tinha quatro: Luiz Eduardo e Maria Fernanda, filhos de Walter e Carol; e Bruno e Bruna, filhos de Bruno e Kelly. Eu que, além de Luiz Eduardo e Maria Fernanda, tenho mais dois netos — Miguel e Pedro, filhos de Bruno e Patrícia — sei bem como essa convivência nos enche de alegria.

Há algo que nunca vamos esquecer nesta amizade que tive com Elmar: Ele foi um cidadão exemplar na sua seriedade, solidariedade e deixa saudades não apenas no círculo familiar, mas junto a uma legião de amigos e admiradores.


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