Em 10 anos, número de homicídios no RN cresceu 12 vezes mais do que média brasileira

Publicação: 2018-06-05 11:02:00 | Comentários: 0
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O Rio Grande do Norte apresenta o maior crescimento de homicídios no Brasil entre os anos de 2006 e 2016, segundo o Atlas da Violência 2018, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e divulgado nesta terça-feira (5). O crescimento no período é de 307,5% em números absolutos, passando de 455 homicídios em 2006 para 1.854 em 2016. Somente outras três unidades federativas tiveram aumento semelhante, acima de 100%. No Brasil, o aumento foi de 25,8%, quase 12 vezes menor comparado ao estado potiguar.
Objetivo de Plano Estratégico é reduzir os altos índices de homicídios. Neste mês, o RN superou a marca de 500 homicídios, entre eles, o do PM Aldo Tavares Irineu
Segundo o relatório, 1.129 das vítimas do último ano (60%) no estado são jovens, entre 15 e 29 anos. A grande maioria (94,6%) do sexo masculino. Esse cenário não é uma realidade isolada: no Brasil, o crescimento de vítimas nessa faixa de idade foi de 23,3% entre 2006 e 2016. O que destoa, no entanto, é o aumento de 382,2% apresentado localmente. “A juventude perdida trata-se de um problema de primeira importância no caminho do desenvolvimento social do país”, apontam os pesquisadores do Atlas.

Entre as vítimas mulheres, o Rio Grande do Norte não está entre as maiores taxas no último ano tabulado, mas apresenta um crescimento de 130% em dez anos. Foram 42 mortes em 2006 para 100 em 2016. Proporcionalmente, foram 5,7 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes no último ano, próximo a média brasileira, de 4,5. O estado mais letal para o gênero é Roraima, com 10 mulheres mortas a cada 100 mil habitantes. Nesses casos, o relatório não diferencia os homicídios e feminicídios (quando a morte decorre por questão de gênero). 

Em números proporcionais para cada 100 mil habitantes, foram 14,9 mortes violentas no Rio Grande do Norte a cada 100 mil habitantes em 2006, e 53,4 em 2016. O estado fica atrás, proporcionalmente, somente de Sergipe (64,7 em 2016) e de Alagoas (54,2). “Esse índice crescente revela, além da naturalização do fenômeno, a premência de ações compromissadas e efetivas por parte das autoridades nos três níveis de governo: federal, estadual e municipal”, avaliam os pesquisadores do Atlas da Violência.

Negros

O Atlas da Violência também dá destaque ao aumento no número de negros vítimas de homicídios. Em 2016, 70,5% das vítimas estaduais eram negras ou pardas e 16% eram brancas. Entre 2006 e 2016, o aumento de vítimas no primeiro grupo foi de 321,1%, e, do segundo, 118,1%. Assim como em outras categorias, o Rio Grande do Norte também é líder de crescimento de vítimas negras.

As mulheres negras também são mais vítimas da violência. Das 100 mortas no RN em 2016, 65 eram negras, representando um crescimento de 142,1% em dez anos. Do outro lado, as vítimas não negras aumentaram 64,4% no período. Essa situação também é nacional: o relatório aponta que 20 estados tiveram crescimento na taxa de homicídios de mulheres negras, sendo doze deles uma taxa maior que 50%.


Intervenções policiais

No Rio Grande do Norte, há uma diferença nos dados de vítimas decorrentes de intervenções policiais. O Atlas leva em consideração duas fontes diferentes nesse caso: o Sistema Informativo de Mortalidade (SIM) e os registros policiais.

No primeiro, há duas vítimas em 2016. Já os registros apontam 65. Em outros anos, os números tabulados são somente do SIM, com apenas uma vítima em 2012, 2013 e 2015. Os outros anos registrados não tiveram mortes decorridas de intervenções policiais.

O relatório chama a atenção para as mortes decorridas nessas intervenções.  “A fronteira entre o uso legítimo e ilegítimo da força letal é tênue e, por isso, as circunstâncias muitas vezes não são apuradas de forma adequada no Brasil, fazendo com que uma diversidade de casos, legítimos e ilegítimos, sejam contabilizados da mesma forma e com pouca transparência”, conclui.

Atualizada às 11h35

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