Em 2020, atividade econômica recua 2,1% no Nordeste, diz Banco Central

Publicação: 2021-03-05 00:00:00
Brasília (AE) - O Índice de Atividade Econômica Regional, em 2020, recuou 2,1% na região Nordeste, de acordo com  box do Boletim Regional publicado pelo Banco Central, nesta quinta-feira (4). O documento mostra que a desigualdade dos efeitos da pandemia sobre os setores da economia, o alcance das medidas governamentais e as especificidades das estruturas produtivas no País levaram a resultados regionais distintos no ano passado. “Ainda que o processo econômico tenha caracterizado todas as regiões, os resultados de 2020 do IBCR divergiram - Norte e Centro-Oeste registraram desempenho positivo e as demais regiões, contração da atividade", destacou o BC. 

Créditos: fernanda luzCom pandemia, adversidades impactaram o mercado de trabalho e reduziram vendas no comércioCom pandemia, adversidades impactaram o mercado de trabalho e reduziram vendas no comércio

No Nordeste, o BC analisou desempenho entre 2019 e 2020 dos estados do Ceará (-2,8%), Pernambuco (estável) e Bahia (-3,2%). Em 2019, os dois primeiros estados tinham registrado avanço de 2,4% e 1,2%, respectivamente, eu terceiro ficou estável. 

Os indicadores de 2020 para as regiões Norte e Centro-Oeste avançaram 0,4% e 0,2%, respectivamente. Além do Nordeste, houve queda nas regiões Sudeste (-1,3%) e Sul (-2,1%). 

O menor ritmo da atividade no Nordeste, apesar do desempenho agrícola positivo, segundo o BC, decorreu sobretudo das adversidades dos serviços de maior interação entre as pessoas, que têm maior peso na região. Essas adversidades impactaram o mercado de trabalho, com efeitos sobre o comércio, cujo volume acumulou queda – no conceito restrito (exclusive comércio automotivo e de material de construção). O BC destaca que o Nordeste foi a única região com retração no comércio em 2020, apesar do auxílio emergencial ter atingido 55,3% dos domicílios nesses Estados, em novembro de acordo com a PNAD Covid-19, divulgada pelo Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE).

No caso do Norte, o BC destacou que a região foi "especialmente estimulada" pelo desempenho do comércio, impulsionado pelo auxílio emergencial. A região também apresentou bons resultados na agricultura, na construção civil e na indústria extrativa, enquanto a indústria de transformação foi bastante afetada pela crise.

Já o desempenho positivo do Centro-Oeste em 2020 esteve relacionado com a safra recorde de grãos e as cotações das commodities, em especial de soja e carnes, que impulsionaram as exportações. A região também apresentou bons resultados no comércio e no setor de transportes no ano passado.

No Sudeste, a retração menor que a de outras regiões é explicada, pelo BC, pela estrutura produtiva diversificada que permitiu que atividades mais impactadas pela crise - como os serviços - tivessem seus resultados compensados, em parte, pela evolução favorável de outras.

"No setor de serviços, o segmento de atendimento às famílias permaneceu deprimido; no entanto, os serviços financeiros, fortemente concentrados na região, tiveram alta significativa. Na indústria, a menor produção de veículos contrapôs-se à ampliação em alimentos, produtos químicos, farmoquímicos e de limpeza e higiene pessoal", destacou o documento.

Por fim, a região Sul também foi penalizada pela quebra das safras de verão de soja e milho, que não puderam atenuar os impactos da pandemia sobre os demais segmentos da economia regional.

O BC divulgará o Boletim Regional completo nesta sexta-feira (5), às 10 horas. A publicação trimestral tem o objetivo de trazer uma visão das regiões do País a partir de dados e indicadores econômicos.

Diferenças no emprego
O box do Boletim Regional sobre as políticas de combate à crise mostra uma recuperação desigual do emprego formal no País. Apesar dos dados do fim de 2020 apontarem para um retorno à dinâmica de geração de vagas com carteira assinada pré-pandemia, há uma grande variedade no comportamento do emprego entre as microrregiões brasileiras. 

Enquanto o Nordeste registrou alta de 2,7% na comparação entre o saldo de dezembro e a média de janeiro e fevereiro de 2020, o Sudeste teve retração de 0,8%. "Dentre os fatores associados a tais diferenças estão os relacionados à pandemia ou à estrutura produtiva local e às políticas públicas", destaca o Banco Central.

O documento traz cálculos que apontam que as estruturas produtivas locais têm relação com o comportamento do emprego e, desta forma, seriam mais atingidas regiões onde a participação de setores mais sensíveis ao distanciamento é maior. Por outro lado, o auxílio emergencial e os programas de crédito às empresas estão positivamente associados à criação de emprego.

"Em síntese, o exercício realizado neste box sugere que fatores relacionados à pandemia, políticas públicas e a estrutura setorial do emprego ajudam a explicar as diferenças regionais de geração de emprego formal em 2020", conclui o BC. "Convém ressaltar que esse boxe não deve ser visto como uma avaliação formal das políticas econômicas adotadas em 2020 e que os coeficientes estimados podem refletir apenas correlações, em vez de relações de causa e efeito", pondera o documento.