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Economia
Em cerimônia fechada, Andrade assume o comando da Petrobras
Publicado: 00:01:00 - 29/06/2022 Atualizado: 21:39:03 - 28/06/2022
Rio, 28 (AE) - O novo presidente da Petrobras, Caio Paes de Andrade, quarto indicado pelo governo Bolsonaro em menos de quatro anos, tomou posse nessa terça-feira (28) no cargo, um dia após sua nomeação. O executivo foi aprovado na segunda-feira (27) pelo Conselho de Administração da estatal para conselheiro e presidente da companhia por sete votos a três.

Divulgação
Paes de Andrade é o quarto presidente no govenro Bolsonaro

Paes de Andrade é o quarto presidente no govenro Bolsonaro


Formado em Comunicação Social e sem experiência no setor de óleo e gás, Andrade destoa pela segunda vez dos presidentes anteriores da empresa. Além de dispensar o habitual discurso de posse, o ex-secretário de Desburocratização do Ministério da Economia também recusou convite do Comitê de Elegibilidade (Celeg) para entrevista formal antes da nomeação, onde poderia expor seus planos para a empresa. Segundo a Petrobras, "Caio tomou posse no Rio, sede da companhia, em agenda interna". O mandato como conselheiro segue até a realização da próxima Assembleia Geral de Acionistas (ainda sem data) e o de presidente, até 13 de abril de 2023.

Nomeado pelo presidente Jair Bolsonaro, Andrade nega que tenha sido orientado a segurar novos reajustes de preços dos combustíveis. Aliados do governo temem que o impacto dos preços possa minar a campanha à reeleição de Bolsonaro.

Em seu primeiro dia, Paes de Andrade teve reuniões individuais com os diretores da companhia, que o governo espera substituir. Ainda não há, porém, informação sobre quando serão feitas as destituições nem sobre os nomes dos substitutos.

Fontes da alta administração da companhia relatam ainda que o novo presidente demonstrou interesse pelas verbas publicitárias da Petrobras, que investiu R$ 138 milhões na área em 2021 e tem hoje licitação aberta para a contratação de novas agências.
Os contratos atuais, assinados com as empresas Propeg e DPZ&T, vencem no dia 19 de julho.

Embora o novo presidente da Petrobras tenha dito a comitê interno que não recebeu "qualquer orientação" para mudar a política de preços dos combustíveis, o governo espera que ele segure novos reajustes ao menos até as eleições presidenciais.

Para isso, o governo tenta reforçar o discurso de que a estatal precisa aprimorar a parte social de sua pauta ESG (sigla em inglês para meio ambiente, sustentabilidade e governança).

A senha já foi dada na semana passada pelo ministro Adolfo Sachsida (Minas e Energia), durante audiência na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Ele defendeu que as empresas devem "pensar na reputação da marca a longo prazo", não só a curto prazo.

Ele alega que todas as empresas de petróleo do mundo têm minoritários e "todas estão levando prejuízo para preservar a marca", citando as que deixaram a Rússia por causa da Guerra da Ucrânia. "É natural que a Petrobras também faça sacrifícios."

Petroleiros ainda tentam barrar a nomeação, alegando que fere o estatuto da companhia e a Lei das Estatais. Na segunda, anunciaram denúncia à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), alegando que sua posse poderia "gerar instabilidade e oscilação indesejada no mercado de capitais da companhia".

No comunicado sobre a posse, a Petrobras repetiu defesa do currículo de Paes de Andrade, que é formado em comunicação social e não tem passagem por empresas do setor de petróleo ou do porte da estatal, como determina a lei.

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