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Natal
Em crise, Giselda Trigueiro fecha dois leitos de UTI
Publicado: 00:00:00 - 02/11/2016 Atualizado: 23:53:05 - 01/11/2016
O lixo acumulado nos corredores da enfermaria do Hospital Giselda Trigueiro é só a face visível da crise enfrentada pela Saúde Pública. A unidade hospitalar já fechou dois leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por conta de uma dívida. Além disso, o número de profissionais na cozinha foi reduzido. O cenário é semelhante ao que ocorreu no início do mês de setembro, quando a unidade teve que fechar porque não havia quem fizesse a limpeza e a comida no hospital. Ambos serviços são realizados por profissionais terceirizados. Também há menos enfermeiros do que o necessário.

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Dos sete leitos de UTI, apenas cinco estão em funcionamento. Isso porque há uma dívida do governo do Estado com empresa que fornece os equipamentos e insumos para esses leitos. “Como existe uma dívida da Secretaria com a empresa. Ela deixou de fornecer insumos. Aí reduzimos dois leitos”, disse João Bosco Barbosa, diretor-geral do Hospital Giselda Trigueiro. Ainda segundo ele, esse fechamento ocorreu há uma semana.

Conforme o diretor, o montante da dívida é algo em torno de R$ 3,2 milhões. A empresa fornece desde a cama do paciente até o respirador. Por meio de uma nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap/RN) afirmou que tem a perspectiva de transferir o contrato de aluguel dos equipamentos e insumos da UTI para a fonte 160 (recursos federais). Ao lado disso, também deverá fazer uma licitação para a compra desses equipamentos e “para não mais depender da terceirização do serviço”. A nota não diz quando isso deve ser feito.

A situação do Hospital Giselda Trigueiro foi tema da reunião do Conselho Estadual de Saúde, realizada ontem, com a presença do secretário estadual, George Antunes. Na reunião, ficou definido que o déficit de enfermeiros deve ser resolvido com a realização de processo seletivo para a contratação de profissionais e pagamento de horas extras para aqueles que já são do quadro de funcionários. Segundo a Sesap, o Giselda Trigueiro precisa de 22 enfermeiros novos na escala.

Alimentação e limpeza
Dos 19 funcionários terceirizados responsáveis pela limpeza do Giselda, apenas cinco aparecem no hospital diariamente. “Tem dias que são seis, quatro. Em média, são cinco”, disse João Bosco Barbosa. Esses profissionais são enviados pela empresa contratada para o serviço. O diretor não falou o motivo dessa redução. Segundo ele, ontem houve uma reunião com a empresa na tentativa de regularizar a quantidade de funcionários. O diretor-geral não participou do encontro. Nossa equipe de reportagem tentou falar por telefone com o diretor-técnico, André Prudente, mas não conseguiu.

Conforme a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde/RN), Rosália Fernandes, durante a noite esse número é ainda menor. “Fizemos uma visita na segunda-feira ao hospital, e nos foi relatado que à noite fica só um profissional de limpeza, mas tem noite que não tem nenhum”, afirmou. O resultado é o acúmulo de lixo de forma visível pelos corredores do hospital e nas áreas assistenciais também.

Para a preparação da alimentação dos pacientes e servidores, o diretor-geral do hospital disse que já conseguiu encontrar uma solução. “Na cozinha, nós precisamos de cozinheiros e copeiros, mas a gente tem conseguido resolver com servidores do próprio hospital”, explicou João Bosco. Para diminuir a demanda na preparação e distribuição da comida, o hospital também analisa uma proposta do chefe da Saúde Pública estadual. “O secretário propôs que os servidores do hospital recebessem alimentação por quentinha. Dessa forma, nossos funcionários de cozinha ficariam responsáveis apenas pela alimentação dos pacientes”, explicou. Ele não soube especificar quantas pessoas trabalham na cozinha do hospital.

Desvio de função
De acordo coordenadora-geral do Sindsaúde/RN, Simone Dutra, técnicos em enfermagem fazem as vezes de cozinheiros. “Os técnicos de enfermagem do Hospital Santa Catarina [José Pedro Bezerra] ganham hora extra para cortar carne, preparar comida. É desvio de função oficializado em favor da exploração dos servidores”, enfatizou. Dutra trabalha na unidade hospitalar e acredita que profissionais aceitam esse trabalho em virtude da deterioração de seus salários ao longo dos anos.


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