Política
Em defesa a Forças Armadas, Bolsonaro afirma que 'marginais roubam a liberdade'
Publicado: 00:00:00 - 14/05/2022 Atualizado: 00:43:45 - 14/05/2022
O presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a defender as Forças Armadas e fez críticas indiretas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em evento de formatura de oficiais da Polícia Militar em São Paulo, na Academia de Polícia Militar do Barro Branco, na capital, ontem, o chefe do Executivo afirmou que “marginais do passado hoje usam de outras armas” para “roubar a nossa liberdade”.

Isac Nóbrega/PR
Presidente Jair Bolsonaro afirmou que os “marginais” culpam a liberdade de expressão para “fustigar pessoas de bem”

Presidente Jair Bolsonaro afirmou que os “marginais” culpam a liberdade de expressão para “fustigar pessoas de bem”


“Nós, pessoas de bem, civis e militares, precisamos de todos para garantir a nossa liberdade. Porque os marginais do passado hoje usam de outras armas, também em gabinetes com ar-condicionado, visando roubar a nossa liberdade”, disse Bolsonaro.

A fala de Bolsonaro acontece em meio a embates com o Supremo, após a condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) a oito anos e nove meses de prisão por incitar agressões a ministros e atentar contra a democracia, e com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a lisura do processo eleitoral.

O presidente também afirmou que os “marginais” culpam a liberdade de expressão para “fustigar pessoas de bem” e fazer com que elas “desistam do seu propósito”.

“Nós, Forças Armadas, nós, forças auxiliares, não deixaremos que isso aconteça. Nós defendemos a nossa Constituição, a nossa democracia e a nossa liberdade”, completou Bolsonaro, pedindo, ainda, que o Exército e civis se unam pela liberdade.

Embates
As críticas de Bolsonaro a ministros do Supremo e do TSE ganharam força no mês passado, após a condenação de Silveira, que recebeu o perdão presidencial. Dias depois da graça, o parlamentar foi recebido, no Palácio do Planalto, para um ato pela “liberdade de expressão”. Na ocasião, Bolsonaro pôs em dúvida, mais uma vez sem apresentar provas, o sistema eleitoral brasileiro, e defendeu uma contagem paralela de votos, controlada pelas Forças Armadas.

Na quinta-feira (12), o ministro Edson Fachin, atual presidente do TSE, mandou recado a quem, segundo ele, incita “a intervenção militar”. “A contribuição que se pode fazer é de acompanhamento do processo eleitoral. Quem trata de eleições são forças desarmadas e, portanto, as eleições dizem respeito à população civil, que, de maneira livre e consciente, escolhe os seus representantes”, disse Fachin, na primeira declaração pública após a Justiça Eleitoral rebater a lista de questionamentos do Ministério da Defesa que levantavam dúvidas sobre a segurança das urnas. Em reação à fala, Bolsonaro afirmou que o ministro “vê fantasmas” e foi “descortês” com as Forças Armadas.

Segurança
Na formatura de policiais em São Paulo, ontem, Jair Bolsonaro também voltou a defender o excludente de ilicitude e disse que os profissionais que portam uma arma devem usá-la. Para o presidente, a letalidade não precisa ser diminuída para a “bandidagem”.

“Gostaria muito de um dia aprovar o excludente de ilicitude, para que vocês, após o término da missão, fossem para casa se recolher no calor de seus familiares e não esperar a visita de um oficial de Justiça”, afirmou Bolsonaro. “Com todo respeito aos profissionais da Segurança Pública, temos que diminuir a letalidade sim, mas é a do cidadão de bem e de pessoas como vocês, e não da bandidagem. Se vocês nas ruas portam uma arma na cintura ou no peito, é para usá-la.”

A possibilidade de redução ou mesmo isenção de pena a policiais que causarem morte durante sua atividade - o excludente de ilicitude - foi prometido pelo presidente Jair Bolsonaro ainda na campanha eleitoral. A medida foi incluída pelo então ministro da Justiça, Sérgio Moro, em seu pacote anticrime, uma série de alterações na legislação para endurecer o combate à criminalidade. O projeto foi rejeitado duas vezes na Câmara.

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