Em Natal, greve de entregadores por aplicativo tem baixa adesão

Publicação: 2020-07-02 00:00:00
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Em todo Brasil, entregadores que trabalham por aplicativos fizeram paralisação nesta quarta-feira, dia 1 de julho. De acordo com os organizadores, nacionalmente, a expectativa era de que ao menos metade do efetivo que atua através de aplicativos como IFood, Rappi e Uber Eats aderissem ao movimento, conhecido como breque dos apps, onde parte dos trabalhadores desligam os aplicativos. Em várias cidades do País, teve atos presenciais. Em Natal, alguns dos entregadores aderiram à paralisação, mas muitos afirmam que o valor que recebem é tão baixo que não podem optar por parar as atividades durante um dia.

"Infelizmente, aqui não está parando nem a metade. Está havendo paralisação, mas de uma minoria. Na minha percepção, todos deveriam parar, porque seria importante para mostrar que a nossa categoria tem força", conta Josimar Soares, de 44 anos. Conhecido como "Doda", ele conta que trabalha com entregas por aplicativo há pouco mais e 1 ano e meio, e divide a atividade com entregas para outras empresas de fretes e logística.

A pauta de reivindicações dos entregadores engloba questões como o aumento da taxa mínima pago por quilômetro rodado, uma ajuda de custo para aquisição de EPIs, o fim dos "bloqueios indevidos" feitos pelos aplicativos aos trabalhadores, que não possuem critérios definidos pelas plataformas.

Josimar conta que o valor fixo que era pago inicialmente aos entregadores por turno pela plataforma, que começou em um preço considerado por ele como "razoável", foi sendo reduzido à medida em que o aplicativo ganhava popularidade e mais pessoas passaram a aderir aos pedidos. Hoje, muitos dos motoboys denunciam condições de trabalho inadequadas, turnos exaustivos de até 12 horas e os baixos valores pagos por quilometragem rodada. "Teve semanas em que eu trabalhei a semana toda para não ganhar nem 50 reais", conta Josimar.

Apesar do movimento não ter tido uma adesão generalizada na capital potiguar, alguns donos de restaurantes decidiram apoiar a iniciativa e fecharam as portas na quarta-feira para demonstrar solidariedade à categoria, como é o caso da hamburgueria Carpanos, que anunciou o fechamento na data através de suas redes sociais. 

Amilton Dantas, um dos sócios da hamburgueria, explica que observa no dia a dia a negligência dos aplicativos com os entregadores que passam pelo local para pegar os pedidos. "Uma coisa básica durante a pandemia seria oferecer Equipamentos de Proteção Individual porque além de estarem se expondo ao risco, eles acabam expondo também outras pessoas. Mesmo antes da pandemia, no entanto, o valor pago já era muito baixo. Sempre que andamos nas ruas, vemos grupos reunidos em lugares com 10, 15 entregadores, expostos e sem lugar para ficar. Não há um banheiro, um lugar para fazer refeição, e às vezes eles passam até 14 horas nessas condições", relata Amilton.

De acordo com ele, além de oferecer condições precárias de trabalho aos entregadores, que não contam com nenhum tipo de amparo em caso de acidentes, por exemplo, às plataformas acabam prejudicando também os pequenos proprietários de restaurantes, principalmente em decorrência da dependência criada por parte da sociedade dos aplicativos, que cobram taxas elevadas de participação para os proprietários. 

"Hoje, o que acontece é que você acaba virando refém: ou você está ali, ou você não vende e, ou você repassa o valor cobrado pelo aplicativo ao cliente, ou você tem que vender uma quantidade muito grande para ter alguma margem de lucro.", diz Amilton. Até o fechamento dessa reportagem não tinha sido divulgado balanço com índices da greve.