Em outro capítulo da briga com SP, empresários do Rio se reúnem com F-1 em Mônaco

Publicação: 2019-05-22 14:40:00 | Comentários: 0
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A disputa nos bastidores entre São Paulo e Rio de Janeiro para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 terá uma nova etapa a partir desta quarta-feira. Representantes do projeto de construção do novo autódromo carioca no bairro de Deodoro desembarcam em Mônaco para uma série de encontros e reuniões com o comando da categoria. O objetivo será reforçar o interesse de sediar a etapa.

Terreno do novo autódromo no Rio de Janeiro será cedido pelo Exército Brasileiro no bairro Deodoro, na zona Norte do Rio
Terreno do novo autódromo no Rio de Janeiro será cedido pelo Exército Brasileiro no bairro Deodoro

Ao mesmo tempo, as autoridades paulistas tentam se organizar para garantir a renovação de contrato com a Fórmula 1. A corrida será realizada em São Paulo até 2020, ano que termina o atual acordo. Mas o Rio de Janeiro conta com um projeto em andamento para construir um autódromo cujo projeto de cerca de R$ 700 milhões prevê a utilização de recursos privados para a utilização do espaço em concessão por 35 anos.

O Estado resgatou o passo a passo dessa história e explica como a busca pelo Rio de Janeiro em reconstruir uma pista acabou por se tornar uma concorrência com São Paulo para receber o GP do Brasil de Fórmula 1 nos próximos anos.

1.º Capítulo - O fim de Jacarepaguá

A antiga pista, que foi palco da Fórmula 1 na década de 1980, foi fechada de vez em 2012 para dar lugar ao Parque Olímpico dos Jogos do Rio, em 2016. Desde então, a prefeitura passou a procurar um novo local para erguer o autódromo. No mesmo ano, o Exército cedeu um terreno 2 milhões de metros quadrados, na Floresta do Camboatá, em Deodoro, mas o local precisava de cuidados especiais.

Como por muito tempo o espaço era utilizado para guardar munições, havia restos de bombas e minas. O sinal de alerta ficou evidente em junho de 2012, quando soldados do Exército acenderam uma fogueira no terreno e houve uma explosão. Uma pessoa morreu e três ficaram feridas. Por isso, foi necessário realizar uma varredura e uma limpeza no local para se confirmar a viabilidade da construção do autódromo.

2.º Capítulo - A "faxina" no terreno

De 2012 a 2015, o Ministério do Esporte investiu R$ 60 milhões no trabalho de descontaminação do terreno do Exército em Deodoro. Ao longo de três anos, escavações de até 10 metros de profundidade e a atuação de 250 pessoas resultaram na retirada de cerca de 4 mil granadas enterradas, além de estilhaços de explosões antigas e restos de munições velhas.

3.º Capítulo - A prefeitura do Rio dá o primeiro passo

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), abre o Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) para receber propostas sobre a construção de um novo circuito, desde que os projetos cumpram as exigências técnicas de infraestrutura e cumpram requisitos ambientais. A concorrência ficou aberta por mais de um ano, sem que houvesse a aparição de interessados.

4.º Capítulo - A entrada do Consórcio RioMotorsport

Em junho de 2018, o Consórcio Rio Motorsports, formado por mais de 60 profissionais, entregou um projeto de 700 páginas para a prefeitura. A proposta do grupo foi elaborada com a parceria do arquiteto alemão Hermann Tilke, o responsável por assinar os desenhos das pistas de autódromos como Yas Marina, em Abu Dabi, Sochi, na Rússia, e Sakhir, no Bahrein.

O material passou nos meses seguintes por correções, análises, consulta pública e audiências até ser declarado pela prefeitura como o modelo vencedor para nortear a futura licitação, que só viria a ser lançada no próximo ano, em 2019.

O projeto final tinha como detalhes a construção de uma pista de 4,5 km de extensão e 20 curvas, capacidade para receber até 130 mil pessoas, possibilidade de receber eventos como a Fórmula 1 e a Moto GP, mais a construção no espaço de uma arena multiuso. O custo seria de R$ 697 milhões.

5.º Capítulo - A mobilização política

Logo após ser eleito governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), assumiu como compromisso levar a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Em novembro do ano passado, ele recebeu o chefe da Fórmula 1, Chase Carey, para uma reunião sobre o projeto carioca. O encontro serviu para as duas partes se aproximarem e combinarem de prosseguir com as conversas sobre o tema.

6.º Capítulo - Os obstáculos

Apesar da vontade dos governantes, o projeto do novo autódromo encontrou alguns problemas. Antes da licitação poder ser finalmente lançada, o Tribunal de Contas do Município (TCM) solicitou mais de cem correções ao texto inicial apresentado pela prefeitura. A Câmara dos Vereadores também apresentou um projeto de lei para transformar o terreno do Camboatá em Area de Proteção Ambiental (APA), por ser um dos últimos locais de Mata Atlântica em área plana na cidade.

A licitação foi finalmente lançada em maio. Semanas depois, no mesmo dia em que foi anunciado o consórcio RioMotorsport como o vencedor da concorrência para construir o autódromo, o Ministério Público Federal entrou com um pedido de liminar para suspender o edital. O motivo: a expedição de uma licença prévia para comprovar a viabilidade ambiental do empreendimento. Por isso, mesmo com o anúncio da vitória no edital, o caso pode continuar com problemas na Justiça.

7.º Capítulo - O apoio de Jair Bolsonaro

No começo de maio, o presidente Jair Bolsonaro manifestou apoio ao projeto carioca. Durante evento no Rio de Janeiro, ele assinou termo de compromisso com a Fórmula 1 para construir o autódromo e afirmou que o GP do Brasil de 2020 já seria na capital fluminense. O posicionamento causou estranheza em São Paulo, principalmente por Interlagos ter acordo assegurado até o ano que vem para sediar a etapa brasileira da competição. As duas maiores cidades do País passaram a ter uma concorrência aberta pelo GP do Brasil.

8.º Capítulo - A reação dos paulistas

O governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito da cidade, Bruno Covas, se mobilizaram para explicar que Bolsonaro se confundiu ao afirmar que o Rio de Janeiro já receberia a Fórmula 1 em 2020. Os dois políticos paulistas realizaram reunião no Palácio dos Bandeirantes para montar uma estratégia de negociação para ressaltar que para a corrida migrar para o Rio, a categoria teria de romper contrato e pagar uma multa pesadíssima.

São Paulo quer manter a Fórmula 1 pois o evento gerou movimentou em 2018 mais de R$ 330 milhões em atividades turísticas. O esforço em renovar com a categoria levou Covas a convocar deputados federais paulistas para debater e organizar um plano de ações em Brasília com o intuito de provar a importância de continuar a receber a etapa brasileiras.

O plano de São Paulo de privatizar o autódromo de Interlagos passou por uma mudança nesse período. A prefeitura decidiu alterar o projeto e prosseguir com uma concessão do espaço à iniciativa privada. A Câmara de Vereadores aprovou na última semana o texto do projeto.

9.º Capítulo - Reuniões com dirigentes da F-1

As autoridades políticas de Rio e São Paulo trataram também de buscar contatos com dirigentes da categoria. Os paulistas recebem no próximo mês o chefe da F-1, Chase Carey, para uma reunião. A pauta será a renovação do contrato para continuar com o GP do Brasil para depois de 2021 e, assim, vencer a concorrência com o Rio de Janeiro.

Os cariocas, por outro lado, receberam na última a diretora de promoções e eventos da Fórmula 1, Chloe Targett-Adams para um jantar no hotel Copacabana Palace. Witzel e Crivella participaram do encontro. A conversa teve como intuito reforçar o esforço das autoridades locais em levar o GP do Brasil para a capital fluminense nos próximos anos.

Estadão Conteúdo





 

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