Em Parelhas, padre lidera projeto de saúde mental

Publicação: 2019-09-15 00:00:00 | Comentários: 0
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"O que estamos tentando, desde o começo do projeto, é fazer com que as pessoas entendam que depressão não é falta de Deus: é uma doença, e tem tratamento". Foi assim que o padre Rômulo Azevedo, da paróquia de Parelhas, cidade de pouco mais de 25 mil habitantes e 246 km distante da capital do Rio Grande do Norte, começou a explicar o projeto Saúde e Espiritualidade. Há quase cinco anos, o padre lidera o programa, que foi criado para ajudar a informar e oferecer ajuda profissional às pessoas com depressão do município. Hoje, cinco psicólogos participam de forma voluntária do projeto, pelo qual 20 pessoas receberam alta, e cerca de 50 são atendidas atualmente.

De acordo com o padre, o interesse pela psicologia veio quando ainda estava concluindo seus estudos, em São Paulo. “Lá, tive contato, a partir da filosofia, com temas como espiritualidade e psicologia. Comecei a ler e estudar, e era algo que me provocava interesse”, afirma. Quando assumiu a paróquia de Parelhas, há 4 anos e 9 meses, ele decidiu iniciar o projeto, que visava oferecer informação e auxílio para a população, que muitas vezes carece de acesso aos serviços de atenção à saúde mental, de acordo com o padre.

“O projeto foi pensado para ser feito em diferentes momentos. Há a parte comigo, que trata sobre questões de espiritualidade, e há a parte dos psicólogos, que tratam de forma profissional essas pessoas”, afirma. A distinção, de acordo com o padre, é importante para desfazer alguns dos estigmas que as pessoas ainda possuem a respeito de doenças como a depressão. “A ciência também é algo de Deus, e precisamos fazer uso dela. A depressão é uma doença, e o nosso mundo está doente, cheio de problemas. É preciso tratá-la com responsabilidade, e oferecer as ferramentas para que as pessoas possam encontrar esse caminho”, afirma.

A maior parte das pessoas que procura o programa, de acordo com padre Rômulo, são os jovens. “Também me surpreendeu muito, e positivamente, o fato de que muitos homens mais velhos procuraram o programa. Acho que isso tem ajudado a diminuir o estigma sobre essas doenças”, diz. O público também deixou de ser apenas composto por membros da Igreja Católica: “temos uma relação muito boa com outras pessoas, de outras religiões, que acabam buscando o programa”, diz.

Além dos psicólogos, que atendem os que procuram a paróquia, o Saúde e Espiritualidade atua em outras frentes: com palestras em comunidades rurais e a produção de material informativo sobre o tema, distribuído de forma gratuita pela paróquia. “É tudo feito com o dinheiro do dízimo. É uma forma de fazer isso voltar para a sociedade de uma forma positiva”, diz padre Rômulo. Agora, ele busca parcerias na cidade para iniciar um projeto de musicoterapia. “Vimos que havia uma lacuna na sociedade muito grande em relação a questão da saúde mental. Muitas pessoas nos procuram, e já há fila de espera para os atendimentos”, conta.



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