Em São Paulo, Covas e Boulos criticam 'fake news'

Publicação: 2020-11-24 00:00:00
Os dois candidatos à Prefeitura de São Paulo disseram ontem que suas campanhas estão sendo alvo de notícias falsas. O prefeito Bruno Covas (PSDB) classificou como fake news mensagens que circulam pela internet dizendo que ele pretende apertar a quarentena após o segundo turno. Já o candidato do PSOL, Guilherme Boulos, se queixou da quantidade de informações falsas que são divulgadas sobre sua candidatura.

Créditos: Arquivo TNBruno Covas classificou como “fake news” mensagens sobre mais rigor na quarentena/ Boulos reclamou de mensagens segundo as quais ele é a favor da descriminalização de LSD e crackBruno Covas classificou como “fake news” mensagens sobre mais rigor na quarentena/ Boulos reclamou de mensagens segundo as quais ele é a favor da descriminalização de LSD e crack

Covas fez ontem uma caminhada pela Liberdade, no centro. Ao falar com jornalistas, negou que esteja esperando o resultado da eleição de domingo para anunciar aumento das restrições de circulação de pessoas devido ao coronavírus. "Os dados aqui da cidade apontam para uma estabilidade em relação ao número de casos e óbitos e um aumento no número de internações muito explicado pela população da classe A. Não há nenhum número que aponte a necessidade de qualquer ação drástica a partir de segunda-feira", disse o tucano.

Desde quinta-feira passada, Covas vem dizendo que os números da covid-19 em São Paulo estão estabilizados. Ele credita o aumento de internação a moradores mais ricos que, agora, reduziram os cuidados e acabaram sendo infectados. Além disso, segundo o prefeito, muitos pacientes do interior buscam hospitais da capital. "Refutamos qualquer notícia de que estamos esperando a eleição para tomar essa ou aquela medida", afirmou. O governo do Estado, comandado por João Doria (PSDB), pretende fazer um anúncio da nova fase do Plano São Paulo no dia 30, um dia após o segundo turno da eleição municipal. O governo justificou a medida apontando instabilidade nos dados sobre óbitos e casos graves de coronavírus, que vêm do governo federal.

Evangélicos
Boulos participou ontem de um encontro com evangélicos. Ele afirmou que espera se conectar com este eleitorado por meio do compromisso de sua campanha de dar mais atenção à periferia. "Quando a pessoa está na fila do posto de Saúde esperando um exame ou na porta da creche esperando uma vaga ninguém pergunta qual é a religião", disse o candidato. Mais cedo, em entrevista à Rádio Eldorado, Boulos disse crer que ideais que movem sua candidatura, como pautas voltadas para a diversidade, tolerância e justiça social se comunicam com valores evangélicos. 

Cerca de 30% dos eleitores de São Paulo se declaram evangélicos. Segundo pesquisa Ibope, Covas tem 25% das preferências entre os evangélicos, ante 14% de Boulos. O candidato do PSOL disse que não se comprometeu nem foi demandado a assumir compromissos com os participantes do ato, a não ser o respeito à liberdade religiosa. "Muitos evangélicos, muitas lideranças, muitos pastores não aceitam a intolerância, a mentira, o ódio como ferramenta, nem o uso da fé das pessoas como instrumento para promover a intolerância como a gente tem visto do outro lado", afirmou. 

O candidato do PSOL tem rebatido mensagens que circulam nas redes sociais com um texto dizendo que ele é a favor da descriminalização de drogas como LSD, cocaína e crack, um tema caro aos religiosos. "A quantidade de fake news que tem sido dita a meu respeito, contra a minha candidatura, inclusive da boca de algumas dessas lideranças (religiosas) que estão com o meu adversário mostra um certo desespero."

Anteontem, Covas participou de quatro eventos com lideranças evangélicas de grandes denominações, como a Assembleia de Deus e a Igreja Mundial do Poder de Deus. Boulos afirmou que "determinadas lideranças não representam a comunidade evangélica" e criticou a Prefeitura por ter facilitado, no ano passado, a obtenção de alvará para igrejas, por meio da Lei de Anistia das Edificações, aprovada pela Câmara Municipal. Covas nega ter privilegiado os templos.