Em um mundo em crise é necessário filosofar melhor

Publicação: 2012-08-29 00:00:00
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A sociedade contemporânea vive uma crise em escala planetária. Ela precisa pensar novas coordenadas para se orientar em um futuro ainda incerto. A filosofia seria um dos “lumes” orientadores. “O mundo precisa de filosofia mais do que nunca”, reflete o professor, filósofo e escritor Oswaldo Giacóia Júnior, que veio a Natal para discutir essas e outras ideias no IV Colóquio Internacional de Metafísica, que segue até o dia 30/08, na UFRN.

Filosofia está na moda – o que não significa que haja uma compreensão plena dela. Livros como “Mais Platão, menos Prozac” e “Nietzsche para estressados” figuram em listas dos mais vendidos. Oswaldo Giacóia analisa o fenômeno com ceticismo. “Ainda não li esses livros para julgá-los, não posso dizer se eles ajudam ou atrapalham a filosofia, mas tenho a impressão que eles só figuram num nicho mercadológico, um tipo de ‘terapia filosófica’ com viés de autoajuda”, diz. Segundo ele, essa utilização “não filosófica da filosofia” ainda não se compara ao material original, ou de estudos mais elaborados sobre o assunto.

Oswaldo Giacóia acredita que, para além dos modismos, o estudo da filosofia é uma necessidade natural, pois tem ligação direta com o cotidiano. “Não se deve estudar filosofia como mero elemento de erudição, pois através dela se pode pensar problemas e impasses que nos tomam no dia-a-dia”, afirma. “A filosofia nasceu na praça pública. Era Sócrates debatendo numa praça de Atenas. Por ela passam questões relativas ao conhecimento, política, moral, ética, beleza, e a existência como um todo, são interesses universais”, explica.

Um certo caos de pensamento aflige a sociedade contemporânea, e a questão filosófica se apresenta como uma forma de pensar o assunto. “A tecnologia transforma a sociedade em escala planetária, uma aldeia unificada pelo mercado. A noção de futuro entra num processo de crise permanente”, analisa. Ele vê, como exemplo, o surgimento de fenômenos contraditórios, como a coexistência de um ateísmo militante ao lado de uma necessidade de mais crença e fé, quase fundamentalista. “Parece contraditório, mas é um sintoma de quando os valores entram em colisão e se enfrentam”, diz.

A contradição aparente, segundo ele, é o que acontece quando a sociedade mergulha numa crise constante, que afeta todas as esferas da vida social – seja na política, ciência, educação e religião. “Ao analisar as causas da crise e seus sintomas, sob o olhar da filosofia, é possível divisar novos horizontes de ação. A planificação com base na técnica racional coloca em questão uma série de representações nossas, como a própria noção de futuro”, afirma.