Emparn prevê chuvas de até 533mm entre os meses de março e maio

Publicação: 2020-02-20 00:00:00
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Anthony Medeiros
Repórter

A previsão de chuvas para o trimestre de março, abril e maio indica volume de precipitações maior que a média histórica para o período. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do RN (Emparn), as maiores chuvas no período serão registradas no Leste potiguar (533,8 mim), enquanto o Agreste apresenta a menor expectativa (342,2 mim). A previsão é classificada pelos meteorologistas “normal a acima do normal climatológica”.

Créditos: Adriano AbreuA capital amanheceu registrando chuvas intensas e com trovoadas, com maior volume no fim da manhã e começo da tarde, prejudicando o trânsito em alguns pontos com alagamentosA capital amanheceu registrando chuvas intensas e com trovoadas, com maior volume no fim da manhã e começo da tarde, prejudicando o trânsito em alguns pontos com alagamentos


O anúncio foi feito pela Emparn na manhã desta quarta feira, 19, através da exposição do boletim elaborado após a reunião realizada no início da semana com meteorologistas de diversos estados do Nordeste sobre a previsão climática para o RN. “A previsão, a partir das condições observadas desde janeiro deste ano indicam chuvas normais ou acima da média histórica para o Rio Grande do Norte", afirma o meteorologista. Para se ter uma ideia do quanto os prognósticos são otimistas, em todo o ano de 2019, quando já houve uma reação no comparativo com a severa seca que o RN passou pelos últimos anos, a média de chuvas foi de 840 mm. Apenas no trimestre informado, as chuvas podem chegar a 533 milímetros, como as esperadas para o Leste potiguar. As regiões Oeste (479,2 mm) e Central (376,9 mm) também trazem consigo expectativa para bom volume de chuvas durante o período.

De acordo com a Emparn, os padrões climáticos monitorados não indicam mecanismos que interfiram no volume chuvoso, como El Niño e La Niña. O chefe de meteorologia da autarquia, Gilmar Bristot, atribui, entre outros fatores, a alta na temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Sul como fator favorável à ocorrência de chuvas nos próximos meses. Segundo Bristot, “as análises consideram parâmetros de temperatura na superfície dos oceanos, ventos e pressão atmosférica". Segundo Bistrot há aquecimento no Atlântico Sul e temperatura baixa no Pacífico e isto favorece ocorrências de chuvas no Nordeste brasileiro nos próximos três meses. “Hoje há essa tendência", reforçou.

O meteorologista afirma que, se mantendo esse padrão de temperatura, pode haver contribuição para a formação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), principal sistema responsável pela manutenção da qualidade do período chuvoso no Nordeste. “As chuvas no Leste devem acontecer em maior quantidade até pela proximidade do Atlântico Sul. Essa situação varia de região pra região dentro do próprio estado", afirma o meteorologista.

A média de chuvas obtida através da previsão climática foi objeto para um piloto apresentado pela Emparn durante a exposição. Com cálculos relacionados à volumetria dos reservatórios da Bacia Pluviométrica de Pau dos Ferros, os pesquisadores calcularam que, com a chuva esperada, os reservatórios da região conseguiriam transbordar, inclusive o principal reservatório do município, o açude Pedro Diógenes Fernandes, popularmente conhecida como Barragem de Pau dos Ferros. O estudo ainda está em estágio preliminar e carece de novos investimentos que virão de recursos do Governo Cidadão para ser expandido para outras bacias pluviométricas potiguares.

Em relação à temperatura, toda a Região Nordeste deve manter índices entre o padrão “normal e acima do normal”. A sensação de calor está mais aparente em razão do próprio aumento na temperatura dos oceanos, que contribui para o aumento da umidade relativa do ar, que incide diretamente na sensação de maiores temperaturas motivadas pelo clima abafado.

A conclusão apresentada pela Emparn resulta das análises também de meteorologistas dos principais centros de previsão climática da região Nordeste que promoveram em Parnamirim, a III Reunião de Análise Climática para o Semiárido Nordestino - Etapa Rio Grande do Norte. Os especialistas fizeram o balanço dos primeiros meses do ano, análises de modelos meteorológicos, condições atuais dos oceanos e elaboração de boletins para o período.

Também participaram da apresentação do relatório a Governadora do Estado, Fátima Bezerra, o diretor geral da Emater, César Oliveira, o coordenador da Defesa Civil estadual, tenente-coronel Marcos Carvalho, diretor do Instituto de Gestão das Águas do Estado do RN - Igarn, Mário Manso, o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e da Agricultura Familiar - SEDRAF, Alexandre Oliveira e meteorologistas dos estados que participaram da III Reunião de Análise Climática para o Semiárido Nordestino.

Relatório apresenta melhora de reservatórios
De acordo com o Relatório do Volume dos Principais Reservatórios Estaduais divulgado pelo Igarn, mesmo com as recentes chuvas os principais mananciais do Estado, a quantidade de água recebida não significou uma recarga expressiva. Apesar disso, as reservas hídricas superficiais totais continuam superiores ao apresentado mesmo período de 2019.

Em relação ao relatório apresentado no último dia 10 de fevereiro, o açude Itans, localizado em Caicó, que apresentava apenas 0,05% da sua capacidade, se apresenta como seco. Em 2019, neste mesmo período o manancial possuía 1,66% de sua capacidade. A barragem Armando Ribeiro Gonçalves, maior reservatório do RN, com capacidade para 2,37 bilhões de metros cúbicos, atualmente está com 521.088.765 m³, correspondentes a 21,96%. No mesmo período do ano passado o reservatório estava com 476.585.733 m³, percentualmente, 19,86% da sua capacidade total.

Dos 47 reservatórios monitorados pelo Igarn, 12 permanecem com menos de 10% das suas capacidades, considerados em nível de alerta, percentualmente, 25% dos mananciais monitorados. Já os secos são 7, o correspondente a 14,89% dos reservatórios. No mesmo período do ano passado os mananciais em nível de alerta eram 9, percentualmente, 19,14% dos açudes monitorados. Os secos eram 8, percentualmente, 17% dos mananciais monitorados.

Inmet publicou aviso de alerta de chuvas para Estado
O Inmet publicou aviso meteorológico no final da manhã desta quarta, alertando para chuvas intensas em 155 municípios potiguares, entre eles a capital Natal. O aviso tem validade até às 10h desta quinta-feira, 20.

Créditos: Adriano AbreuGilmar Bristot explica as análises feitas pelos especialistasGilmar Bristot explica as análises feitas pelos especialistas

De acordo com o órgão, as chuvas podem trazer ventos entre 40 e 60 km/h. Ainda de acordo o aviso, a precipitação pode acarretar risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e descargas elétricas.

Em caso de rajadas de vento, o Inmet recomenda que não se abrigue debaixo de árvores e não se estacione veículos próximos a torres de transmissão ou placas de propaganda, além de evitar usar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

As fortes chuvas que caem em Natal desde o início da manhã acarretaram em diversos pontos de alagamento espalhado por vias de toda a capital potiguar. No início da tarde desta quarta-feira, 19, os condutores tiveram problemas para transitar no trecho da BR-101 próximo à Arena das Dunas, por exemplo. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), através do Twitter alertou os motoristas e sugeriu que "rotas alternativas fossem procuradas".

De acordo com a PRF, o alagamento se apresenta no sentido Parnamirim/Natal da rodovia. Os condutores que preferirem, poderão fazer uso da avenida Prudente de Morais como rota alternativa.

A Secretaria de Mobilidade Urbana também identificou outros pontos de alagamento pela capital: Avenida Bernardo Vieira, em frente à Semtas; Avenida Senador Salgado, em frente ao Hotel Maine; Avenida Engenheiro Roberto Freire, em frente à UNP; Via Costeira com vários pontos de alagamento; Avenida Prudente de Morais nas proximidades do Corpo de Bombeiros, sentido centro.








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