Emplacamentos no RN caem 1,4%, apesar do IPI

Publicação: 2010-01-09 00:00:00
O total de veículos emplacados no Rio Grande do Norte cresceu 68,83% em dezembro de 2009, mas, no ano, registrou queda de 1,14% na comparação com o mesmo período de 2008. Os números, divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), incluem autos, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários. Foram esses dois últimos segmentos que puxaram o desempenho anual ligeiramente negativo. Na outra ponta, a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concedida como forma de minimizar os efeitos da crise, ajudou a segurar empregos e as vendas no setor automotivo.

Os dados mostram que, no total, o volume de emplacamentos em 2009 chegou a 64.371 no estado. Foram 744 veículos a menos que no ano anterior. O segmento de implementos rodoviários foi o que mais sofreu prejuízo, com queda, de janeiro a dezembro, de  30%. No de motos, os emplacamentos fecharam o ano com resultado 9,32% inferior.

“O ano de 2009 foi atípico. Começamos em recessão e  terminamos com o reaquecimento da economia. Mas, como existiu redução no nível de crédito, o segmento  acabou figurando entre os que foram afetados”, diz o economista Giovani Rodrigues Junior. A retração ocorreu num momento em que a economia caminhava em marcha lenta e em que aumentavam o desemprego e os riscos de inadimplência nas operações financeiras. “Os bancos ficaram mais rigorosos. Tiveram que se retrair e realinhar a  forma de liberação de crédito. E o consumidor também recuou, à espera do melhor momento para poder comprar”, explica o economista e coordenador do curso de Gestão Financeira da Universidade Potiguar (Unp), Janduir da Nóbrega.

Na contramão da desaceleração, para o setor de autos e comerciais leves o crescimento anual foi 8,05%. A alta está diretamente ligada à redução do IPI, um estímulo que, segundo economistas e concessionárias, foi decisivo para os resultados da atividade no ano.

Em dezembro, mesmo com a volta progressiva do imposto, o crescimento no número de emplacamentos para esses segmentos específicos foi de nada menos que 75,77%, segundo o levantamento divulgado pela Fenabrave, com base em números fornecidos pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

“A redução do IPI aqueceu o mercado interno. Os consumidores souberam bem como aproveitar o estímulo”, continua Rodrigues Junior. Para este ano, o crescimento esperado para a economia, por volta de 5,5%, também deverá se refletir na manutenção do consumo, de acordo com o que estima. Para Janduir Nóbrega, haverá crescimento. “O que faz o consumidor comprar não é redução de tributo é manutenção de emprego”, frisa, acrescentando que os prognósticos apontam que o mercado de trabalho se manterá aquecido ao longo de 2010. 

A reportagem procurou a representação estadual da Fenabrave para comentar os números, mas o porta-voz indicado para conceder entrevista não retornou as ligações até o fechamento desta edição. O Detran também foi procurado na tarde de ontem para comentar o desempenho de dezembro, que pode refletir, a retomada dos emplacamentos no órgão, que esteve em greve em novembro. Ninguém atendeu, no entanto, as ligações nesse período.