Empresa 3R Petroleum compra sete campos de produção petróleo no RN

Publicação: 2020-05-31 00:00:00
A+ A-
A empresa SPE 3R Petroleum S.A, subsidiária integral da 3R Petroleum e Participações S.A, comprou sete campos de produção terrestre de petróleo no Rio Grande do Norte, no Polo Macau da Bacia Potiguar. A aquisição,  feita junto à Petrobras, foi finalizada na última sexta-feira (29), por R$ 676,8 milhões, já com os ajustes previstos no contrato. O Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro-RN) teme que, com a queda no preço dos barris e a pandemia, a empresa não comece a atuar de imediato no local. O Polo Macau engloba os campos de Aratum, Macau, Serra, Salina, Cristal, Porto Carão e Sanhaçu. A Petrobras detinha 100% de participação em todas as concessões, com exceção da concessão de Sanhaçu, na qual era operadora com 50% de participação, enquanto os outros 50% são da Petrogal Brasil S.A. A produção total de óleo e gás desses campos é de cerca de 5 mil barris de óleo equivalente por dia.

Créditos: Alex RégisAinda não há previsão para que os campos terrestres de produção de petróleo começam a operarAinda não há previsão para que os campos terrestres de produção de petróleo começam a operar

Quem avaliou a chegada da 4R ao Estado de forma positiva foi o superintendente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas (Sebrae-RN), Zeca Melo. “É mais um produtor independente que vem para o RN acredita no nosso potencial ao contrário da Petrobras, que está indo embora. Acho que em condições normais poderíamos esperar um aumento significativo da produção. Vamos esperar como esse mercado fica para ver o preço do barril, mas de qualquer forma, são muito bem vindos. Vejo isso de forma animadora”, disse.

Para o presidente da Redepetro-RN, Gutemberg Dias, o impacto da venda pode ser positivo, uma vez que, como as empresas vêm ao Estado buscando aumentar a produção, há necessidade de investimentos.

“Essas empresas, quando compram esses campos, tem  o objetivo de aumentar a produção. Junto com esse aumento vem também aumento de investimentos no segmento e consegue dinamizar a economia já que eles precisam fazer investimentos para aumentar produção, tem que contratar empresas e pessoas para fazer com que o campo aumente o rendimento. Gera royalties, tanto para o estado e para os municípios e superficiários, donos da terra”, disse.

O Sindicato dos Petroleiros do RN teme que a empresa não ative imediatamente os campos. “A atuação da Petrobras nunca é a mesma quando vem uma empresa privada. A atuação é diferenciada nas questões da cautela com segurança, o controle ambiental é diferente. A promessa de que existe ampliação de produção não vem acontecendo em Apodi e Mossoró com a entrada da Potiguar E&P S/A. A 3R vem protelando o início e não sabemos se ela vai iniciar as operações logo em sequência. Não sabemos se a 3R vai operar nessa área nesse momento”, avaliou Rodolpho Vasconcelos, diretor do Sindipetro-RN. Ao todo, no Polo Macau, segundo o sindicato, 15 trabalhadores da estatal e outros 100 terceirizados atuavam no local.

De acordo com a companhia estatal, a venda dos campos está  alinhada à estratégia de melhoria de alocação do capital da companhia, que busca concentrar seus esforços e investimentos cada vez mais os seus recursos em águas profundas e ultraprofundas, onde a Petrobras tem demonstrado grande diferencial competitivo ao longo dos anos.

Segundo a gerente executiva de Gestão de Portfólio da Petrobras, Ana Paula Saraiva, o desinvestimento da companhia tem atraído novos participantes para a indústria, trazendo mais dinamismo pra o setor. “É uma ótima notícia para a Petrobras, para a 3R-Starboard, para o setor onshore e para o mercado em geral. Um bom momento para termos novidades”.

O sócio da Starboard, acionista controladora da 3R, Paulo Thiago Mendonça, falou sobre os planos da companhia para o Rio Grande do Norte. “A venda de ativos onshore e águas rasas é uma estratégia muito sadia para a Petrobras e cria oportunidades para novos entrantes no setor, que irão priorizar seus recursos gerando valor para a região e para o país. Temos como importante missão ser a maior produtora de gás do Rio Grande do Norte e aumentar essa oferta de gás".

Desde 2013, a Petrobras vem anunciando uma série de desinvestimentos. Desde então, o RN teve uma redução de 63,03% dos investimentos da companhia no Estado. Ao longo dos sete anos, foram pelo menos 6,9 mil postos de trabalho efetivos e terceirizados perdidos no setor.

Plataformas

Com a pandemia de covid-19 e a queda do preço internacional no barril de petróleo, a Petrobras resolveu fechar 24 plataformas no Rio Grande do Norte ao longo do mês de abril, conforme mostrou reportagem da TRIBUNA DO NORTE em edição do último dia 16 de abril.

O fechamento deve provocar uma queda de produção de até 4 mil barris por dia na Bacia Potiguar. Levando em consideração os dados sobre a produção de petróleo, divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o número equivale a uma redução imediata de 11,56% da produção total no RN. O Estado foi o mais afetado com o projeto de “hibernação” das plataformas proposto pela Petrobras e abriga 53,3% das plataformas desativadas no mês de abril.





Deixe seu comentário!

Comentários