Empresa dá crédito à Codern

Publicação: 2019-04-03 00:00:00 | Comentários: 0
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O retorno das operações da empresa francesa CMA CGM no Porto de Natal foi um “voto de confiança” dado à Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), classificou o empresário Luiz Roberto Barcelos, presidente do Comitê Executivo de Fruticultura do Rio Grande do Norte (Coex). De acordo com o empresário, a Codern mostra disposição para melhorar a segurança do porto, mas “nada de concreto foi realizado ainda”.

Expectativa é de que até agosto, quando inicia a safra de frutas, o nível de segurança do Porto tenha sido retomado após implantação de medidas
Expectativa é de que até agosto, quando inicia a safra de frutas, o nível de segurança do Porto tenha sido retomado após implantação de medidas

Apesar da situação, os empresários não consideram que isso seja prejudicial por enquanto. As exportações de frutas, principal produto transportado através do porto, estão no chamado “entressafra”, intervalo entre um período de colheita e outro. A volta das exportações ocorre em agosto, daqui a quatro meses. “Em agosto, a expectativa dos produtores é que as medidas tenham sido efetivas e o nível de segurança esteja melhor”, afirmou Barcelos.

Três cargas estão programadas para saírem do porto nos próximos 35 dias (nos dias 08/04, 15/04 e 22/04). São os primeiros navios desde o retorno das operações da CMA CGM, única empresa que presta esse serviço no Porto de Natal. O conteúdo da exportação não foi informado pela Codern até o fechamento desta reportagem. A viagem faz parte da linha “North Europe French Guiana North Brazil”, única operada pelo porto, que tem como destino os portos de Algeciras, na Espanha, e o de Roterdã, na Holanda. Os dois portos encontraram cocaína em cargas provenientes de Natal.

Existe um plano de ação entregue pelo diretor-presidente da Codern, o almirante Öberg, à CMA CGM para a melhoria dos níveis de segurança. Esse plano visa retomar o certificado internacional de segurança (ISPS Code) até outubro deste ano – o Porto de Natal perdeu o certificado em 2014 e não o recuperou desde então. No ofício enviado pela empresa à Codern anunciando a retomada das operações, no dia 21 de março, o plano é citado como um fator que favoreceu o “voto de confiança”.

 Öberg se reuniu com a direção da CMA CGM no dia 1º de março, oito dias depois da empresa anunciar as deficiências do porto e ameaçar a retirada definitiva do local pela presença do tráfico internacional de drogas no local. Nessa reunião, a CMA CGM deixou a disposição um técnico próprio para auxiliar nas medidas de segurança necessárias. Uma fiscalização não-prevista da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), motivada pela denúncia da empresa, também teve início para apurar todas as falhas e emitir recomendações.

Segundo o presidente da Coex, os produtores que utilizam o porto para exportar as frutas colaboram nessa fiscalização, que está na fase de análise de documentos.  “Enviamos alguns documentos pedidos por eles, pedido pela Codern, para colaborar nessa fase de fiscalização”, afirmou Barcelos. “Existe um esforço de todos para conseguir recursos para o porto”. Nos dias 8 e 9, dois técnicos da Antaq estarão em Natal para realizar visitas presenciais, como segunda parte da fiscalização.

A principal demanda do porto, além dos procedimentos de segurança que não exigem recursos financeiros, é o escâner de contêineres. A falta do equipamento é apontada pela Polícia Federal como o principal fator que contribui para o local se tornar uma rota do tráfico internacional de drogas. Na última semana, o Ministério Público Federal do Rio Grande do Norte voltou a cobrar a compra do equipamento para aumentar a segurança do local.

Outro lado
A reportagem perguntou à Codern quais ações concretas haviam sido tomadas no Porto de Natal para a recuperação do nível de segurança e qual o produto a ser exportado nas cargas, já que a colheita de frutas se encontra na entressafra. A Codern se prontificou a responder a TRIBUNA DO NORTE hoje a respeito das providências a serem tomadas. Por meio da assessoria de comunicação, foi informado que o almirante Öberg, diretor, está em Brasília.

A CMA CGM também foi procurada. A reportagem questionou por que a empresa decidiu retomar as operações no Porto de Natal, se os níveis de segurança permaneciam os mesmos. A empresa não respondeu até o fechamento desta edição.

Memória
Uma operação da Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal encontrou 3,2 toneladas de cocaína em duas operações realizadas Porto de Natal, nos dias 12 e 13 de fevereiro. A droga estava dentro de contêineres, camufladas entre as caixas de frutas.

Um dia depois da apreensão, a TRIBUNA DO NORTE revelou que pelo menos 4,5 toneladas de cocaína traficadas através do Porto de Natal haviam sido encontradas em Roterdã, na Holanda, em quatro meses. As apreensões, feitas pelas polícias dos respectivos países, foram as pistas concretas dadas à Polícia Federal de que o local teria se tornado uma rota internacional do tráfico de drogas. Semanas depois, a polícia holandesa revelou mais uma apreensão, resultando em 10 toneladas de cocaína movimentadas em um período de quatro meses.












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