Empresa planeja, até 2021, dobrar produção e rebanho

Publicação: 2016-11-06 00:00:00
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Com produção mensal de 30 toneladas de queijo, a fazenda Tapuio se prepara para dobrar a produção e o rebanho até 2021 e, com isso, destinar 30% para exportações. Hoje, cerca de 90% dos produtos são destinados ao mercado interno. Os planos de expansão contam com a ampliação da unidade produtora localizada em Taipu, na região Leste Potiguar. Presente em todos os estados nordestinos, exceto a Bahia, e no Distrito Federal, a Tapuio abastece redes de supermercados, hotéis, restaurantes.
Créditos: Alex RégisCom investimentos de R$ 4 milhões, empresário espera concluir até o final do mês a construção de uma nova ordenha mecanizadaCom investimentos de R$ 4 milhões, empresário espera concluir até o final do mês a construção de uma nova ordenha mecanizada

“No Brasil temos um público consumidor diferenciado, de maior poder aquisitivo e preocupado com a saúde. Tanto que conseguimos abastecer o mercado com a produção atual e esperamos dobrar a capacidade para expandir nossa cobertura”, afirma. O produto é de larga aceitação no Brasil e lá fora por ser mais leve e nutritivo, com mais proteínas, cálcio e vitaminas, além de ter 33% menos colesterol do que o similar de origem bovina.

Com investimentos de R$ 4 milhões, o empresário espera concluir até o final do mês a construção de uma nova ordenha mecanizada, totalmente automatizada. Com  tecnologia vinda da Irlanda do Norte, a inovação é no manejo do rebanho com sistema de “carrocel” e com capacidade instalada para ordenhar 2 mil animais.

“Investimos em inovação e tecnologia, único sistema na América Latina, que amplia a capacidade de ordenha, num processo automatizado, com maior segurança alimentar”, afirma Francisco Veloso, diretor geral da fazenda Tapuio.

O sistema conta com uma antessala de aspersão, onde os animais são banhados antes da ordenha, uma sala de espera que os conduz para a plataforma giratória, onde são acopladas as teteiras e o leite é ordenhado e canalizado para a indústria de laticínio.  E passa pelos processos de pasteurização, coalho, fermentação, corte, dessoragem e filagem com água em temperatura de 90 graus.

O processo de fabricação  da mozzarella difere do produto feito a base de leite de vaca, bem mais popular no Brasil. “Esse filamento preserva a umidade e a textura do queijo que originalmente é feito com leite de búfala”, explica o empresário.

São onze tipos de queijo de origem bubalina, entre mozzarelas (bola, manta, barra), provolones, frescal, alla panna, ricota e coalho e outros cinco de origem bovina. Entre os queijos de búfala, um é de produção artesanal: o burrata (do italiano creme de leite) cujo interior é recheado com creme de leite e fios de mussarela.

“É um produto mais nobre, para gostos mais requintados.   Hoje temos apenas dois funcionários encarregados pela produção do burrata, que é feito artesanalmente um a um e deve manter o mesmo padrão”, explica Veloso.

Rebanho é mais resistente a estiagens

Ainda da estrada que dá acesso a Fazenda Tapuio, em Taipu, a 52 quilômetros de Natal, o rebanho de animais robustos e de pelos pretos se destaca em meio a paisagem típica do Semiárido. A criação de búfalos foi iniciada em 2000, explica o empresário Francisco Veloso, devido necessidade de espécies mais adaptadas a longos períodos de seca.

O experimento - em alternativa a bovinocultura – começou com  20 cabeças trazidas de Pernambuco e já soma hoje 1.4 mil animais que se mostram até 27% mais produtivos e resistentes ao clima da região.

“Precisávamos de soluções para a convivência com a seca, o búfalo traz mais vantagem. Com as mesmas condições climáticas e de alimentação, conseguimos um animal, para o corte, 27% maior do que o nelore”, observa o criador, Francisco Veloso.

O rendimento na produção de queijo  também é superior. Para cada  1 kg de mozzarela é preciso 10 litros de leite de vaca, enquanto o de búfala, demanda a metade. “Isto explica conseguirmos atingir um mercado tão grande”, afirma Veloso. Além disso, os animais tem um ciclo de gestação de 90 dias, o que eleva a produtividade e o número de novas reses.

A meta é dobrar o tamanho do rebanho em cinco anos, dentro do plano estratégico de expansão da produção elaborado para execução entre 2017 e 2021. Para isso, a fazenda investe em inovação e melhoramento da alimentação. “Estamos sempre buscando novas alternativas, inovação para melhoramento da espécie”, afirma.

A espécie da  raça murrah é de origem indiana, com ocupação em áreas desérticas e, por isso, se ambienta a escassez de água e a alimentação mais rústica. Apesar do porte, os animais estão longe do imaginário de selvagens e chegam a ser dóceis. Em parte devido ao manejo que, diferente do gado bovino, dispensa o pastoreio por cães ou vaqueiros. Os tratadores passam por capacitação para reduzir ao máximo possíveis situações de estresse para o animal, que refletem em maior produtividade. “O bem estar do animal é um dos diferenciais no mercado internacional, reflete diretamente na qualidade do leite”, conta.

Além dos queijos, que representam um terço dos negócios, a fazenda trabalha com a avicultura em maior atividade. “A meta é crescer com a criação de búfalos, para que este seja a principal atividade no futuro”, disse. Ao todo, a empresa gera 146 empregos diretos.

Reuso de água e adaptação são soluções

Em meio a estiagem prolongada e dificuldade de obter água que é comprada a 8 quilômetros da Tapuio, a busca é por soluções de como o reaproveitamento de água para irrigação e investimentos em novas espécies de plantas. O resultado se traduz no verde de canaviais, plantação de palmas (cactáceos) e da pornunça – base da alimentação dos animais – que  contrasta com a paisagem seca e garante o crescimento do rebanho bubalino.  “É preciso saber conviver coma  seca e isso se faz com tecnologia, inovação e não com empirismo ou reclamação que a seca existe”, afirma Francisco Veloso.

O empresário conta que o investimento é por ampliar a área plantada e cultivar espécies adaptadas ao clima da região. Como a pornunça, um híbrido natural entre a mandioca e maniçoba, desenvolvido pela Embrapa, em Petrolina (BA), com alta absorção de líquido e com os nutrientes exigidos pelo gado.

“Conseguimos um ciclo de 60 dias entre os cortes da pornunça, sem precisar de irrigação. Temos alimentação sempre fresca e com alto teor nutricional. A palma que retém até 92% de água”, lembra.

Em meio a alta do preço do milho, Veloso conta que um pool de empresários dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco se reuniram para importar o grão da Argentina. “Conseguimos trazer uma carga de 30 mil toneladas e reduzir o custo em 20%, em relação ao milho que vem via rodoviária do Goiás”, afirma.


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