Economia
Empresas júniores impulsionam universitários ao mercado de trabalho no RN
Publicado: 00:00:00 - 16/01/2022 Atualizado: 21:42:14 - 15/01/2022
Bruno Vital
Repórter

Os estudantes potiguares que participam de projetos de empreendedorismo universitário têm até quatro vezes mais chances de entrar no mercado de trabalho após formados, segundo uma pesquisa da Federação de Empresas Juniores do Estado do Rio Grande do Norte (RN Júnior). A estatística segue uma tendência nacional.
Adriano Abreu
A engenheira de produção Marcíula Madruga, 27 anos, é oriunda de empresa júnior

A engenheira de produção Marcíula Madruga, 27 anos, é oriunda de empresa júnior

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Um levantamento divulgado pelo Movimento Empresa Júnior (MEJ) da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior), que representa todo o segmento, aponta que 52,8% desse público consegue se posicionar no mercado em até três meses após a formatura. No ano passado, 1.200 alunos de 43 cursos estiveram vinculados a uma das 57 empresas juniores atuantes no Estado.
Cerca de 75% destes alunos estão na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que concentra 35 empresas juniores nas áreas de saúde, tecnologia, comunicação, logística, contabilidade e construção. O coordenador da Central de Empresas Juniores da UFRN, Kleber Cavalcante, afirma que os espaços permitem que o estudante se diferencie dos demais a partir de experiências que estimulam noções de organização, liderança, responsabilidades fiscais e tributárias, além de manter contato direto com o mercado de trabalho.

“O aluno vai ter esse ganho extra porque ele vai vivenciar tudo isso na prática. Além disso, ele vai desenvolver suas competências sócio-emocionais, que é o que nós chamamos de soft skills. As hard skills o aluno já aprende na sala de aula, mas às vezes ele não consegue desenvolver lá como abordar o cliente, como lidar emocionalmente com certas situações, então na empresa júnior ele vai poder ter toda essa vivência”, detalha Cavalcante.

Egressa da UFRN, Marcíula Madruga, 27 anos, se formou em engenharia de produção e ao longo da graduação participou por três anos da empresa júnior (EJ) do curso, a Produtiva Júnior. Ela também foi diretora da RN Júnior e coordenadora da 27ª edição do Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ), considerado o maior evento de empreendedorismo jovem do mundo. A experiência profissional dentro da universidade foi determinante para que ela conseguisse ser contratada logo após se formar.

“Enquanto universitários, devemos aproveitar os três pilares da educação: o ensino, a pesquisa e a extensão. A empresa júnior entra no pilar da extensão num papel essencial de complementar a formação. Foi onde tive o meu primeiro contato com o mercado através de projetos de consultoria em gestão empresarial em empresas de diferentes segmentos. Ainda na empresa júnior tive abertura para os meus primeiros estágios”, conta.

A engenheira de produção, que hoje atua como gerente de produtos digitais na rede de saúde integrada Dasa, no estado de São Paulo, diz ainda que a experiência na faculdade permitiu que ela contribuísse para o desenvolvimento de outras empresas juniores, enquanto esteve na direção da RN Júnior. “Consegui desenvolver outras habilidades como liderança, comunicação, criatividade e aprendizagem ativa, essenciais para o profissional do futuro ao contribuir diretamente com o desenvolvimento de todas as empresas juniores potiguares daquele ano de 2020”, acrescenta.

Aplicando conhecimentos na prática
Estudante do curso de administração, Beatriz Nascimento teve seu primeiro contato com a  ADM Consult – empresa júnior do curso – ainda no primeiro período. Segundo ela, participar da organização foi uma oportunidade de aplicar os conhecimentos teóricos na prática. A partir da experiência, Beatriz decidiu seguir na área assumindo a presidência da RN Júnior em 2021. No próximo mês, a estudante tomará posse como presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior).

“Entendendo que eu podia estar empoderando outras mulheres a entrarem em cargos de liderança, assumi a presidência da RN Júnior em 2021. Nisso, com muito compromisso e entendendo que a gente poderia estar fazendo muito mais pelo Brasil, olhando para a educação, vim para a presidência da Executiva da Brasil neste ano. Nesse movimento a gente tem um grande networking, com várias empresas, instituições, o que possibilita que a gente possa estar em contato com os nossos próximos empregadores”, destaca.

Além da UFRN, outras seis instituições de ensino superior desenvolvem ações de empreendedorismo acadêmico no Estado: Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Universidade Potiguar (UnP), Universidade do Estado (UERN), Centro Universitário (Uni-RN), Faculdade do Complexo Educacional Santo André (Facesa) e Faculdade Católica. As empresas juniores estão espalhadas por Natal, Macaíba, Mossoró, Caraúbas, Caicó, Pau dos Ferros, Assu e Angicos.

De acordo com a atual presidente da Federação de Empresas Juniores do Estado do Rio Grande do Norte (RN Júnior), Vitória Júlia Azevedo, a tendência é que as universidades sigam investindo e estimulando os estudantes a participarem das iniciativas de empresas juniores.

“É algo que tende a cada vez mais se fortificar e a tendência é que as empresas se espalhem mais pelo Estado com as universidades apoiando isso. A gente não tem a quantidade exata das pessoas que participam dos processos seletivos porque isso fica a cargo das próprias empresas, mas a gente sabe que a empresa júnior é uma coisa muito disputada, principalmente naquelas que são mais tradicionais”, conta.

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