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Encontro com Jesus Cristo; a grande meta da Igreja
Publicado: 00:00:00 - 08/01/2022 Atualizado: 00:29:04 - 08/01/2022
Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Prezados leitores/as!
Iniciamos um novo ano. Somos convocados a vivê-lo na fé, na esperança e na caridade. Será, com certeza, um ano difícil, complexo, cheio de apelos e desafios. Enquanto estamos de recesso ou férias para alguns, é necessário nunca esquecer: este tempo de descanso sirva para renovar as forças, para um momento de meditação e também de construção de ideais ou projetos de vida. Temos um novo Plano de Ação Pastoral para 2022, em sintonia com o Plano de Ação Pastoral Arquidiocesana 2020-2023, e que busca ser uma luz na nossa caminhada. Tudo na dimensão da sinodalidade, característica importante da vida da Igreja. Mas, é preciso ter bem presente que a centralidade de nossa fé é o encontro pessoal com Jesus Cristo, como já afirmou e nos iluminou o Documento de Aparecida. E que é preciso sempre recomeçar a partir dele.

Por isso, creio oportuno chamar a atenção para que meditemos: “a vida da Igreja é Jesus Cristo”. É necessário e urgente, portanto, que a nossa vida, o nosso projeto pastoral e nosso projeto de formação permanente recomece a partir de Cristo. O que significa, portanto, recomeçar a partir de Jesus Cristo? Em primeiro lugar somos convidados a nos perguntar: na nossa fé pessoal, no conteúdo de nossa fé, a pessoa de Jesus Cristo ocupa o lugar central? A relação que temos com Jesus ou com Deus é uma relação abstrata, de tipo comercial, de uma espécie de tapa-buracos ou de busca de prosperidade sem alcance do Reino? Jesus é para nós o mediador, o redentor? Aceitamos Jesus como aquele que exige um seguimento, um discipulado? Reconhecemos que Jesus é a medida e o motivo do reto agir, que ele provoca uma decisão de nossa parte? Reconhecemos que Jesus está presente na vida do cristão e na Igreja? Reconhecemos que Jesus é princípio e fim de todas as coisas? Quando encontramos Jesus sentimos que Ele nos deu um novo sentido à nossa vida?
São os Evangelhos que vão dar uma resposta a todos esses questionamentos. Recomeçar a partir de Jesus Cristo requer que reflitamos sobre nossa fé. Ela nos diz tudo isso: Jesus Cristo é o Filho de Deus, o Mediador entre Deus, Mistério inefável e nosso Pai, e nós, criaturas de Deus, chamadas nele, em Jesus Cristo, à graça da filiação divina. Ele nos redime de nossos pecados e com a redenção nos convida a fazer parte de seu corpo, que é a Igreja. Fazer parte de seu corpo significa elegê-lo como medida e motivo de nosso agir, que é direcionado por Ele e pelo seu Espírito a ser um reto agir. Pelo seu Espírito, Ele se faz presente em nós, pelos sacramentos da Igreja, sinais de sua graça e da plenitude de seu amor, se faz presente no irmão e nas irmãs, sobretudo nos pobres, enfermos e sofredores. Somos convocados por Ele a ser discípulos missionários, anunciadores de sua Pessoa, que é princípio e fim de todas as coisas. 

Por isso tudo, não tem sentido procurar Jesus somente quando não podemos mais agir pelas nossas próprias forças; não podemos tratar Jesus como tratamos os poderosos deste mundo. De fato, é difícil chegar até os poderosos e então procuramos representantes, secretários, ministros, alguns bajuladores. Com Jesus é diferente. De um certo modo Jesus se uniu a todo ser humano, por causa da Encarnação, nos diz o Concilio Vaticano II (cf.

Constituição pastoral sobre a Igreja no mundo contemporâneo, Gaudium et spes, n. 22). Partindo de Jesus Cristo somos chamados a fazer um balanço de nossa vida, de nossas atividades pastorais: tudo está refletindo a Pessoa de Jesus Cristo? Nossas atividades pastorais estão conduzindo as pessoas ao encontro pessoal com Jesus Cristo, mediador e redentor? Avaliemos para que recomecemos a partir d’Ele.

Não esqueçamos dessa verdade orientadora para nós, presente no ensinamento de Papa Emérito Bento XVI e que o Papa Francisco sempre lembra: “Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (BENTO XVI. Encíclica Deus caritas est, n. 1). 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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