Encontros e despedidas

Publicação: 2021-04-08 00:00:00
Garibaldi Filho
Ex-senador da República

Encontros e Despedidas é uma famosa música lançada por Milton Nascimento, em 1985. Essa canção sempre me trouxe e ainda me traz boas recordações. Curiosamente, no mesmo ano em que esta música virou uma das mais pedidas nas rádios do Brasil, eu estava me lançando para enfrentar um dos meus maiores desafios na vida pública naquela época: ser Prefeito de Natal. Porém, resgato agora esta música para servir de trilha musical para este artigo que escrevo com as tintas da esperança.

Com exatamente três minutos e trinta e cinco segundos de duração, os versos de Encontros e Despedidas nos falam sobre as idas e vindas pelos trilhos que nos levam às estações de nossas vidas. Nada mais atual para o difícil momento vivenciado pelo nosso povo brasileiro.

Na última terça-feira, o Brasil bateu o triste recorde de mortes pela Covid-19 em um só dia. Nada mais nada menos que 4.211 pessoas perderam as suas vidas, em apenas 24 horas, para esta doença invisível aos olhos e tão dolorosa para os sentimentos de quem fica. Os números não contam histórias. No entanto, basta fazer contas rápidas para chegar à assustadora conclusão: os poucos mais de três minutos e meio de duração de Encontros e Despedidas equivalem praticamente ao mesmo tempo em que 10 pessoas perdem a luta para o coronavírus em nosso país. 

Acontece que, assim como falei inicialmente, escrevo este artigo com as tintas da esperança. Os tempos são difíceis, sim. Devemos nos preocupar em sobreviver, sim. Entretanto, o futuro é uma criança de braços abertos esperando o nosso encontro. O encontro com a saúde. O encontro com a alegria. O encontro com o viver. O encontro com os gestos de amor que ainda não ganharam vida. Eu acredito nesses encontros. E tenho fé em Deus que vamos também celebrar despedidas. Sim, despedidas. Vamos nos despedir para sempre destes tempos sombrios esperando nunca mais vê-los de volta. Vamos nos despedir da vida vista somente pela janela de casa para voltar a encontrar a vida que pulsa lá fora.

E, assim, voltaremos a ligar para quem a gente ama, e há muito tempo não vê, simplesmente para dizer: “me dê um abraço, venha me apertar, tô chegando”.








Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.