Economia
Endividamento cresce; crédito e consumo caem
Publicado: 01:00:00 - 19/10/2014 Atualizado: 11:02:28 - 18/10/2014
O consumidor está comprando menos e os bancos também sentem isso. Nos empréstimos consignados, por exemplo - aqueles com desconto da prestação na folha de pagamento de aposentados e servidores públicos – há uma marcha lenta.

“É uma linha que bateu recorde após recorde, mas agora não está crescendo na mesma velocidade. Se fez muito empréstimo em 96 meses, em 120 meses e quem pegou fica muito tempo sem poder renovar. Ficou com a renda comprometida”, diz o superintendente da Caixa Econômica Federal no Rio Grande do Norte, Roberto Linhares.

Levantamento do banco mostra que os potiguares pegaram R$ 301,05 milhões em crédito a pessoa física, na instituição, no primeiro semestre do ano. Houve crescimento de 0,14% em relação ao mesmo período de 2013. A linha de crédito inclui consignados e recursos para compra de bens como veículos, móveis e eletrodomésticos.

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Apesar do baixo crescimento até junho, há a perspectiva de que o ritmo suba. Mas não com a mesma magnitude de antes. A expectativa é fechar o ano com um valor 10% acima do alcançado em 2013, quando foram liberados R$ 530,49 milhões ou 338% a mais que os R$ 121 milhões de 2012.

Entre janeiro e setembro deste ano foram emprestados R$ 355,82 milhões. A previsão é chegar a R$ 583 milhões até dezembro. A cifra não inclui crédito habitacional nem o Minha Casa Melhor, cartão com limite de crédito de até R$ 5 mil para beneficiários do Minha Casa, Minha Vida comprarem móveis e eletrodomésticos. “O endividamento aumentou, a corrida para o consumo não está da mesma forma, mas ainda se tem muita oportunidade de fazer crédito e não somente o crédito para o consumo, mas principalmente o voltado ao investimento, à produção, o crédito que possa gerar mais crédito”, diz Linhares.

Do total de crédito que o banco concede no estado 35% é em linhas voltadas ao consumo – o número não considera habitação. Os consignados “levam” mais de 50% dessa carteira de crédito.

Empresas


No que diz respeito às empresas, a corrida por crédito também perdeu força.  “Prevemos um crescimento de 10% este ano. No ano passado foram 20%”, diz o superintendente estadual do Banco do Nordeste, Francisco Carlos Cavalcanti, se referindo ao crédito destinado aos setores de comércio e serviços. Segundo Cavalcanti, não existe diminuição, porém, de tomada nem de oferta de recurso. “Não vemos do lado das empresas o que se observa no crédito ao consumo, onde não está havendo a receptividade de antes. As empresas continuam contratando”, diz.

Ele admite, no entanto, que o ritmo da demanda empresarial também mudou, embora ressalte que o movimento era “previsível”. “A demanda está diferente. Agora, tivemos dois fatores importantes nesse período: a expectativa criada em função da Copa que não foi atendida e a eleição. Isso gera um momento em que todos os agentes ficam preocupados. Mas vemos isso como normal”, frisa.

No caso do comércio, a redução do ritmo de vendas do setor acende um alerta, mas não chega a preocupar, garante. “Nossa preocupação é com a indústria. Podemos dizer que 50% do orçamento que era direcionado à atividade tem sido remanejado para outras áreas no estado por falta de demanda”, observa. “Se a indústria não reagir em 2015 aí sim o comércio vai preocupar”, complementa ainda o superintendente.

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