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Energia Solar Distribuída no RN cresce acima do Brasil
Publicado: 00:00:00 - 21/01/2022 Atualizado: 23:45:06 - 21/01/2022
José Maria Vilar
Economista, consultor e vice-presidente da Associação Potiguar de Energias Renováveis – APER

A energia solar instalada principalmente nos telhados das residências, estabelecimentos comerciais e industriais continua a apresentar um acentuado crescimento no Brasil como um todo, mas particularmente na região Nordeste, onde o RN ocupa um lugar de destaque. No ano de 2021, a potência instalada no Brasil cresceu 78,6%, enquanto no estado do RN o crescimento foi de 124,5%, acima também da região NE, que cresceu 95,7%. Em termos absolutos, o RN fica atrás apenas da BA, CE e PE. Se considerarmos uma proporcionalidade em relação PIB e à população, o estado ocupa a 2ª melhor posição na região Nordeste, tendo apenas o estado do PI à sua frente. 

Trata-se de um desempenho realmente digno de nota, representado por mais de 18 mil domicílios residenciais, comerciais e industriais que recebem energia limpa, renovável e inesgotável, proporcionando significativa redução em suas despesas com energia elétrica. 

Já são mais de 98% dos municípios potiguares que contam com pelo menos um sistema de energia solar fotovoltaica instalado, numa demonstração da grande aceitação dessa tecnologia por parte da população, resultando em uma forte interiorização.

Esses dados comprovam a vocação que o estado do RN apresenta para a geração de energias renováveis, quer seja de fonte eólica (onde desponta como o maior produtor nacional) ou solar (distribuída ou centralizada), além de ratificar o espírito empreendedor do norte-rio-grandense e o apoio que essas fontes de energia têm recebido de instituições como SEBRAE, SENAI, Federação das Indústrias e Governo do Estado.

Com a sanção da Lei 14.300, em 06/01/2022, denominada de Marco Legal da Microgeração e Minigeração Distribuída, a expectativa é de que a geração de energia solar distribuída venha a apresentar um crescimento ainda mais acentuado em 2022, devendo permanecer em patamares elevados nos anos subsequentes.

Os elevados reajustes nas tarifas de energia elétrica – que vêm ocorrendo sistematicamente em índices superiores à inflação nos últimos anos e com perspectiva de novos aumentos reais -, têm contribuído para que a energia solar distribuída tenha se tornado extremamente atrativa sob o ponto de vista econômico-financeiro, representando economia imediata e duradoura para os produtores-consumidores e apresentando baixos prazos para o retorno dos investimentos.

Por outro lado, o avanço da tecnologia tornou os equipamentos mais eficientes e robustos, com a expectativa de geração por um longo prazo, com os fabricantes prevendo uma pequena perda gradativa de eficiência ao longo do tempo, com estimativa de alcançar 20% no 25º ano de funcionamento; evidentemente que manutenção adequada e eventuais substituições de parte dos equipamentos ao longo do período fazem parte do processo.

Pelas suas características muito específicas, o setor de geração de energia solar fotovoltaica distribuída consegue alcançar um raro equilíbrio: economia no bolso com sustentabilidade ambiental, tornando-o altamente atrativo, sob os diversos ângulos: para as famílias, representa significativa economia em seu orçamento doméstico; para as empresas, redução substancial do seu custo com energia elétrica, que em muitos casos representa o segundo maior item de custo, tornando-as mais competitivas.

Por representar economia imediata e duradoura, o crescimento dessa fonte energética tem crescido de forma desatrelada do Produto Interno Bruto – PIB do país, diferentemente de muitos outros setores.

As instituições financeiras públicas e privadas têm se constituído em uma forte alavanca de apoio ao crescimento do setor, não apenas pela busca em criar imagem associada à sustentabilidade ambiental, mas certamente pelo baixo risco potencial que essas operações apresentam, considerando que, em grande parte dos casos, o pagamento da prestação do financiamento é proporcionado pela própria economia gerada na conta de energia elétrica.

Este seguramente parece ser um caminho sem volta, considerando a existência de uma rara convergência entre interesses governamentais – dada sua contribuição para a diversificação e segurança da matriz energética do país; econômicos, sociais e ambientais. Trata-se, portanto, de uma operação em que todos parecem ganhar. Que assim continue.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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