Engevix quer vender ‘fatia’ que detém em aeroportos

Publicação: 2015-03-20 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Sara Vasconcelos
Repórter*

Após ser citada na Operação Lava Jato  e ver as receitas  despencarem, a construtora Engevix afirmou ter colocado à venda as participações que detém no Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante, e no aeroporto de Brasília. A informação foi confirmada pelo  presidente do Conselho de administração da empresa, Cristiano Kok, em entrevista  publicada na Folha de São Paulo, ontem (19).
Rayane MainaraAeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante (RN): Engevix opera aeroporto em conjunto com grupo argentinoAeroporto Governador Aluízio Alves, em São Gonçalo do Amarante (RN): Engevix opera aeroporto em conjunto com grupo argentino

Contudo, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) disse à TRIBUNA DO NORTE não ter recebido, até ontem, solicitação de venda ou transferência de participação da Engevix, e nem por parte de outras empresas que compõem as concessionárias no RN e em Brasília.

A Engevix é uma das empresas que compõem o Consórcio Inframérica, que arrematou a concessão para construção e exploração do aeroporto do RN em 28 anos. A construtora detém 50% de participação no negócio. A outra integrante do consórcio é a Corporación América, da Argentina.

“Vendemos nossa empresa de energia e colocamos à venda nossas participações nos aeroportos de Brasília e Natal, e o estaleiro no Sul. Se tudo der certo, vamos encolher, mas continuar vivos”, disse Kok à Folha. O faturamento da Engevix, que em 2014 foi de R$ 3 bilhões, deve cair para R$ 1 bilhão.

 Procurada pela TRIBUNA DO NORTE, a Engevix limitou-se a responder, por meio da assessoria de imprensa, que após a venda da Desenvix a situação da Engevix é mais confortável e a venda de outros ativos, como os aeroportos, é algo secundário. “Eles estão sendo sondados pelo mercado, mas não há nenhuma decisão sobre o assunto”, disse, por meio da assessoria.

O Consórcio não detalhou como ficará o controle, no caso da saída de um dos sócios, e as possíveis mudanças em relação a prazos estabelecidos no contrato de concessão, nem sobre os valores pretendidos com a venda. Com a capacidade de investimento reduzida, não há informação de como ficam os planos de investimentos futuros previstos para os próximos 20 anos, tampouco quanto já foi investido.

A empreiteira tem dívida superior a R$ 1,5 bilhão com bancos e fornecedores. Na mesma entrevista, o empresário confirma o pagamento de propina ao doleiro Alberto Youssef, no valor de R$ 10 milhões. A empresa está sendo processada por improbidade administrativa e, se condenada, poderá pagar  indenização de R$ 358 milhões, requerida pelo Ministério Público.

Trâmite
O contrato de concessão para operacionalização do aeroporto estabelece que qualquer transferência de controle da concessionária precisa de anuência prévia da Anac. O trâmite envolve o recebimento da solicitação, a análise e avaliação do pedido, a partir do contrato de concessão e também do edital do leilão. Um novo leilão, nesse caso, não seria necessário.

Caso a venda seja realizada, não há sanção de multa a Engevix desde que tenha o aval da Anac, informou a Agência. As obrigações contratuais, entretanto, devem ser integralmente cumpridas pelo possível comprador, para assegurar que os passageiros não sofram impactos da mudança de controle.

O aeroporto Governador Aluízio Alves foi o primeiro do país concedido à iniciativa privada. O leilão foi realizado em 2011 e entregou ao consórcio a responsabilidade de  construção parcial, manutenção e exploração do aeroporto, por 28 anos.

Mudança não teria efeito negativo, diz Turismo

O secretário estadual de Turismo e também presidente de Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Rio Grande do Norte, Ruy Gaspar, não acredita que a venda da participação da Engevix no Consórcio traga impacto negativo para a atividade turística e nem para as operações do Aeroporto. O diretor da Câmara Empresarial de Turismo da Fecomércio RN, George Gosson, também considera que o setor não seria afetado com a possível saída da Engevix.  “ O importante é que o sócio que tem a expertise de aeroportos, que é a argentina Corporacion America, se manterá. Eu não tenho dúvida que haverá outros interessados a serem sócios”, disse ele, ontem.

O Aeroporto Governador Aluizio Alves começou a funcionar no dia 31 de maio de 2014, em São Gonçalo do Amarante. Na mesma data, o Augusto Severo, que atendia a demanda do estado, deixou de receber voos comerciais.

Uma audiência pública para discutir soluções e opções para o melhor aproveitamento dos dois aeroportos será realizada hoje, na Assembleia Legislativa. Em Parnamirim, sede do Augusto Severo,  será possível acompanhar a sessão no plenário da Câmara de Vereadores, por meio de sistema de videoconferência.

Proposto pelo deputado e ex-vereador de Parnamirim, Carlos Augusto Maia (PTdoB), o debate será em torno de aspectos técnicos, econômicos, legais, ambientais e sociais do uso dos aeroportos. A Fecomércio  irá apresentar também uma proposta de utilização do Augusto Severo, como um novo Centro de Convenções para a Grande Natal.

*Colaborou Aura Mazda



continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários