Fim de Semana
Entre bares singelos e espaços de arte
Publicado: 00:00:00 - 30/06/2017 Atualizado: 21:51:41 - 29/06/2017
“Apesar de artista, sou um explorador muito tímido da vida boêmia da cidade e tenho muito pouco hábito de passear”, diz o artista plástico Pedro Balduino sobre sua rota de lazer habitual. Ele atua na área há 11 anos, e atualmente trabalha na Galeria de Arte do Sesc/RN. Pedro se desvia dos lugares comuns, e  prefere as paisagens mais enevoadas de David Lynch e David Cronemberg para passar o fim de semana:

“Me agradam espaços como o Mahalila Café e Livros e o Nalva Melo Café Salão onde costumo ir para beber e ler, principalmente e, às vezes, encontrar alguns conhecidos. Também é fácil me encontrar em qualquer bar com cerveja razoável a um preço bacana pelo centro da Cidade Alta e Ribeira, como o Zé Reeira e o Bar da Nazaré.
Cedida
Pedro Balduino - Artista plástico

Pedro Balduino - Artista plástico


"Pedro Balduino -Artista plástico

Recentemente conheci a Confeitaria Atheneu, em Petrópolis, e apesar de aparentar muito asseada até me agrada. Estou presente com alguma frequência no Bar do Chico, perto do Midway Mall, que me agrada pela mesa de sinuca torta e as lâmpadas com defeito que proporcionam uma ambientação que arquiteto nenhum conseguiria reproduzir, além de ser um lugar que posso ir para beber e ficar quase sozinho, salvo a companhia silenciosa e desinteressada do próprio Chico.

Nas últimas semanas só estou tendo tempo de acompanhar os novos episódios de Twin Peaks que são lançados semanalmente na Netflix. Sempre que posso reassisto filmes do David Cronemberg como Marcas da Violência e Videodrome e do Michael Mann como Colateral e Fogo Contra Fogo. Veludo Azul do David Lynch é bom de assistir antes de dormir para garantir sonhos estranhos.

Não saberia indicar um livro bom para o fim-de-semana, acredito que todo livro é bom para todo dia. Atualmente estou lendo O Pequeno Homem das Montanhas - Dersu Uzala: Ecologia, Semiótica e Arte do amigo e professor Antonino Condorelli e publicado pela Fortunella Casa Editrice, que faz uma análise do livro Dersu Uzala de Vladimir Arseniev e do filme homônimo do Akira Kurosawa, afim de explorar a hibridação entre conhecimento científico e conhecimento mágico e a relação entre sujeitos humanos e ambientes não urbanos. Bom que só.

Não chego a sentir falta de muita coisa na programação da cidade, mas sinto falta de mais qualidade nos programas. Conta-se nos dedos as galerias de arte que fazem um trabalho minimamente bom. Boa parte das festas mais populares são cheias de problemas clássicos de espaços privados. Os teatros sim, estes são escassos e fazem muita falta. Do cinema (enquanto espaço) eu já desisti: não há cinemas no Rio Grande do Norte, eu me atenho a métodos alternativos de adquirir produtos audiovisuais e é o melhor que se pode fazer. Programas alternativos e mais democráticos também são escassos.”

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