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Alex Medeiros
Entre passado e futuro
Publicado: 00:01:00 - 13/05/2022 Atualizado: 20:58:32 - 12/05/2022
Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

As ondas da Internet, diminuindo as distâncias do mundo nos sistemas 5G e 4G, nos milhares de aplicativos e sinais de interação entre os povos, são uma nova camada a embrulhar o planeta, somando-se à estratosfera, ionosfera e outras feras do gênero. E seu alcance, desconfio (sem fio), é de espaço e de tempo. Dia desse um estranho viajante num veículo que me pareceu um carro de corridas, me levou a passear por Natal e, quando menos esperei, estávamos circulando pelas ruas do passado. Quase atropelamos Câmara Cascudo na Ribeira.

Divulgação


Meu amigo estrangeiro avançou pelo Rio Potengi, empinou o carro por baixo da Ponte Newton Navarro e se danou pelo mar da Redinha, entrando rapidamente nas profundezas das águas atlânticas. Fomos bater na costa de Portugal, onde ele estacionou num trapiche do rio Tejo. Enquanto procurava uns mapas, entrei por aquela Lisboa dos anos 1920, com seu romantismo brotando em cada esquina, em cada conversa das mesas de café de um Rossio que me parecia tão renovado e belo no seu estilo manuelino.

Para meu espanto, percebi que o lap top que eu trouxera estava com a bateria cheia e o sinal de Internet permanecia aceso. Pois não é que ao acessar o navegador, rapidamente entrou o site da Tribuna na página de Alex Medeiros.

Busquei uma mesa num café e fiquei a navegar, um fato histórico mais incrível do que a própria viagem no tempo. Eu estava no passado de mim mesmo lendo as notícias do meu presente que ali, naquele instante, eram do futuro.

E eis que chega um cidadão, que decidira – entre outros tantos assustados que me olhavam – se aproximar e indagar de quem eu se tratava e o que era aquele objeto em cima da mesa. Eu disse que vinha de 100 anos além.

O homem ficou entre o arrebatamento e o descrédito, num limbo da curiosidade humana. Aos poucos foi demonstrando conhecimento da História e das artes, mas mantendo uma desconfiança discreta quanto à minha conversa.

Falei sobre os acontecimentos nas dez décadas que nos separavam, do avanço da astronomia, da televisão, das transmissões ao vivo, telefonemas intercontinentais, a conquista da Lua, a Segunda Guerra o fim do comunismo.

Mas nada o deixou tão maravilhado do que minha explanação sobre a informática, o advento dos computadores na vida futura, o casamento perfeito entre os bits e os eletrodomésticos, a música nos iPods e nos iPhones.

O novo amigo, que na minha volta ao presente se tornou velho amigo, era um poeta respeitado em Lisboa, personagem emblemático cuja identidade apenas um só homem conhecia com perfeição. Ficou abismado com meu lap top.

E ali mesmo, debaixo da bruma romântica dos anos 1920, depois de navegar na internet, procurar por si mesmo no Google e conversar com perfis no Twitter que homenageavam poetas lusos, se inspirou a escrever um longo poema.

Perguntei seu nome; disse chamar-se Álvaro de Campos, mas desconhecia alguma informação sobre sua vida; nome dos pais, parentescos. Também não tinha memória da infância e adolescência. Só sabia que era um bom poeta.

Passou a tarde inteira escrevendo no Word do meu lap top um longo poema que intitulou “Ode Triunfal”. Em louvor do futuro e da tecnologia que estava por vir. Alguns trechos, me jurou, eram diretamente voltados para os internautas.

Cantou o meu amigo: “Tenho fé e escrevo. Digito rangendo os dentes, fera para a beleza disto. Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos. Em febre e olhando os computadores como a uma Natureza tropical”.

Ao passar dos anos, diante dos mistérios em torno da existência daquele poeta e do seu estranho amigo com o estranho equipamento, a grande poesia de Álvaro de Campos foi modificada e sua autoria foi dada a Fernando Pessoa.

Covid 
Os EUA atingiram a incrível cifra de 1 milhão de norte-americanos mortos pelo coronavírus. Nenhum militante ou paspalhão de comitezinho de direitos humanos se manifesta com ação acusando Joe Biden de ser um genocida.

Armas 
Um tribunal federal dos EUA derrubou esta semana uma Lei que proibia a venda de armas semiautomáticas para jovens abaixo de 21 anos no estado da Califórnia. Agora os garotos poderão andar prevenidos como os adultos.

Castigo 
O frei que atropelou um ladrão resolveu se arrepender e pedir reza para o delinquente. A velha mídia já tratou de criticá-lo por ter a CNH vencida, o que não atrapalha sua destreza na direção. Afinal, ele guiou bem e acertou o cara.

Globo pei 
A relação do grupo Globo com a política já fez a empresa amedrontar nomes como Brizola, Lula, Paulo Maluf, Garotinho e até chefes militares. O vereador Gabriel Monteiro está resistindo ao ataque de todas as marcas dos Marinho.

Pologay 
Na publicidade do novo Polo, o texto diz que o carro evoluiu, com mais segurança e tecnologia, com o usuário ligando sem uso de chave e com conexão internética. Que eu saiba, um carro assim já existe há uns dez anos.

Música 
O músico Genildo Costa está em Natal para lançar hoje o seu novo disco, “Camboar”, e um livro narrando a vida nas Salinas de Grossos. O show é às 20h no Bar Me Leve, Candelária, com apoio de Ciro Pedroza e Rafael Bezerra.

Bandeirantes 
Hoje é o aniversário de fundação da TV Bandeirantes, que entrou no ar em 13 de maio de 1967 com evento em São Paulo na presença do presidente Costa e Silva, do governador Abreu Sodré e do prefeito Faria Lima. No canal 13 VHF.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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