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Entrevista da Senadora
Publicado: 00:00:00 - 05/08/2021 Atualizado: 01:10:06 - 05/08/2021
Garibaldi Filho 
Ex-senador da República 

A entrevista da senadora Simone Tebet teve a visão abrangente e ponderada da realidade nacional que ela sempre demonstrou no Congresso. 

Um dos aspectos abordados pela senadora diz respeito à Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia. Apesar de considerar ser das mais equilibradas as suas conclusões, considero que é preciso esperar o andamento da CPI para observarmos como vão evoluir as apurações. A ninguém é dado desconhecer que a Comissão, até agora, está presa a uma armadilha que reflete a polarização da vida partidária brasileira. 

Então, as suas deliberações, em algumas ocasiões, são eivadas destes excessos que os membros precisam evitar, como fez a senadora no depoimento a este jornal, na edição de domingo (01/08). 

Ela adverte que essa CPI não é, necessariamente, anti-corrupção, mas insere na pauta a identificação do crime de responsabilidade, tendo em vista “o número de vidas perdidas em decorrência das omissões no combate à Covid-19”. 

Aliás, ao deixar o tema inicial da entrevista, a senadora se voltou para o problema da polarização, já dizendo que o Brasil precisa tomar cuidado com os acirramentos político e ideológico exagerados, que podem atingir algo que temos de mais caro na sociedade brasileira, que é “o respeito à diversidade”. 

Com relação a esse assunto, é oportuno transcrever o que disse Simone Tebet. “O Brasil precisa tomar cuidado com essa polarização exagerada, exacerbada. A diversidade transforma o Brasil em um país único, inigualável, grandioso, com nossa capacidade de aceitar o diferente, com diversas opções de orientações religiosas e ideológicas. Cada um tem o direito de dizer o que pensa. Essa é a grande riqueza do nosso país”, destacou a senadora em uma das respostas aos jornalistas. 

Convivi com a senadora, quando estivemos juntos nas Comissões e Plenário do Congresso Nacional, e sei que posso não endossar todas as suas preocupações, mas com muitas delas, naturalmente, concordo. Entre as preocupações que compartilhamos estão essas que envolvem as implicações das polarizações, que levam a conflitos exacerbados.

E também sou levado a acreditar, a exemplo da minha ex-colega, que quase cinquenta por cento da nossa população em insegurança alimentar e mais de 2O milhões deixando de ter uma refeição no dia, deveria impor um debate nacional. Além disso, é preciso urgente unidade nacional no enfrentamento de algo tão grave. 

É lamentável não ter, no Congresso Nacional, uma união para projetos que combatam estes problemas, assim como para o desemprego, que vem se agravando ao longo dos anos nos quais a recessão tomou conta da nossa economia ou houve crescimento pífio. 

Portanto, é preciso que as lideranças políticas deixem as divergências ideológicas para outro momento e estejam voltadas às questões que têm afligido nossa população e precisam de ações inadiáveis.




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