Entrevistas literárias

Publicação: 2021-01-21 00:00:00
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

Nos meus divertidos anos adolescentes, algumas das tantas imagens do cinema e da televisão que me agradavam eram aquelas que reproduziam o glamour dos anos 1950 e 1960, quando apareciam belas mulheres folheando revistas em restaurantes, hotéis e salões de beleza. Os filmes e os seriados me deram conhecimento da existência de títulos como Life, Paris Match, Time, People, Esquire, The Paris Review, além, é claro das revistas brasileiras.

Fiel e compulsivo na condição de acumulador de passado, juntei algumas edições estrangeiras em compras por sebos e feiras alternativas que frequentei catando HQs e revistas de futebol. Foi no começo dos anos 1980, circulando na feira hippie da Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, que eu descobri que a revista The Paris Review era totalmente dedicada à literatura e que apesar de criada em Paris tinha fundadores de Londres e sua sede foi para Nova York.

Passadas quase três décadas, numa das viagens para a França, repeti o ritual de visitar a livraria Shakespeare and Company e depois circular na calçada que margeia o Sena, me refastelando de velharias nas barracas armadas por ali.

Uma delas tinha uma farta quantidade de edições antigas da Paris Match, que nasceu esportiva em 1949, morreu em 1968 e renasceu variada nos anos 1970. Trouxe um exemplar de abril de 1977, com Brigitte Bardot na capa.

Ao lado, uma fileira de revistas The Paris Review, que me chamaram a atenção com suas capas de desenhos gráficos quase geométricos e raramente com alguma fotografia. Peguei uma de 1989, destacando Rilke e Marcel Proust.

Ao voltar, folheei suas páginas e com a ajuda da internet e de um dicionário li parte das matérias com os dois autores. Lembrando do seu tempo de periodicidade, imagino quão privilegiado é quem a leu por esses anos todos.

E imaginei isso quando vi ontem num site francês a notícia de que está saindo um livro, com aspecto de bíblia, trazendo 100 entrevistas históricas da The Paris Review. São simplesmente 2.838 páginas sobre o período 1951-2012.

Por ali passaram ícones literários como Ezra Pound, Ítalo Calvino, T.S. Eliot, Samuel Beckett, Pablo Neruda, Faulkner, Kerouac, Nabokov, entre tantos, que estão retornando com suas entrevistas que marcaram épocas e a literatura.

E pensar que a revista foi fundada por três garotos de vinte e poucos anos, com edição trimestral e em língua inglesa em plena cena parisiense. Do trio, George Plimton a dirigiu até morrer em 2003; ele quem descobriu Philip Roth.

The Paris Review surgiu num tempo em que escritores e poetas não eram notícia na mídia, nem pauta de jornal. A não ser figuras destacadas além-livros, como Hemingway e Norman Mailer, quando resolviam bater nas namoradas.

Quando a revista surgiu na França, totalmente em inglês, espalharam um boato de que os três jovens editores eram financiados pela CIA, mais ou menos como se repetiu nos anos 1960 com os hippies, que seriam a antítese da guerrilha.

Mas a fofoca ideológica não pegou e a revista avançou pelas décadas, erguendo um pedestal midiático para os literatos e se tornando uma bíblia do jornalismo cultural, a gênese de alguns nomes como Roth que fez estreia nela.

O livro, ou tijolo, que está sendo lançado, reúne em dois volumes as mais espetaculares entrevistas, consideradas a joia da coroa da revista. Que não demore a ter a edição em português, que não sejamos a rabeira do mundo.

Créditos: Divulgação

Perdão
Antes de deixar a Casa Branca, o agora ex-presidente dos EUA Donald Trump assinou perdão dos conservadores Steve Bannon, Lil Wayne, Kodak Black, Michael Harris e Elliott Broidy, todos alvos da pauta identitária da imprensa.

Portugal
A terrinha elege seu novo presidente em 24 de janeiro, entre sete candidatos (eram oito). O compositor Chico Buarque foi para lá se juntar à escritora Pilar del Rio, viúva de José Saramago, no apoio à socióloga Marisa Isabel Matias.

Esquerda
A candidata de Chico tem 44 anos, é deputada no Parlamento Europeu e vice-presidente do partido Esquerda Unitária Europeia. Já disputou a presidência de Portugal em 2016 e é doutora em sociologia pela Universidade de Coimbra.

Assédio
A coordenadora do curso de jornalismo da Universidade Federal do Ceará, Kamila Bossato, revelou no Twitter uma série de assédios de Daniel Dantas Lemos contra alunas cearenses, ao mesmo estilo do que fez agora na UFRN.

Protegido
E pensar que o assediador foi escolhido pelo governo do PT para compor a comissão julgadora que avaliou as propostas das agências na recente licitação do setor. Jamais atuou numa agência de publicidade e nem numa redação.

Excursão
De Maurício Pandolphi sobre a nota de ontem: “Pós, pós, pós, uma atrás da outra, sempre onde se pode apreciar um vinho e usufruir outros prazeres burgueses. Enquanto isso as salas de aulas são pos...tergadas ad infinitum”.

Crocodilos 
Ciro Gomes chorou, João Dória chorou, Rodrigo Maia chorou, Felipe Neto chorou, Reinaldo Azevedo fez 
beicinho, Alexandre Frota uivou, Diogo Mainardi surtou de novo, Luciano Huck vibrou eletrizante. Eita, lugarzinho de frouxos.






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