Equipe econômica defende privatização generalizada

Publicação: 2019-03-16 00:00:00 | Comentários: 0
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Fernanda Nunes
Agência Estado

Rio de Janeiro (AE) - Na sede da Fundação Getúlio Vargas (FGV), referência do liberalismo brasileiro, economistas em postos de liderança no governo defenderam nesta sexta-feira, 15, a venda completa das estatais. O grupo inclui os presidentes da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica, além do ministro da Economia, Paulo Guedes. O mais enfático foi o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, que disse que ele e seus pares são "evidentemente, contrários à presença de 99,9% das estatais, com exceção do Banco Central".

Paulo Guedes destaca que é preciso uma “agenda liberal”
Paulo Guedes destaca que é preciso uma “agenda liberal”

Segundo Castello Branco, os bancos públicos precisam ser privatizados e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), extinto. Ele lembrou, no entanto, que as vendas ainda não fazem parte da pauta do governo. "Já que não podemos privatizar, não temos mandato para isso, vamos transformar a Petrobras o mais próximo possível de uma empresa privada, que crie valor para seus acionistas, e o principal acionista da Petrobras é a sociedade brasileira", afirmou.

Mas o auge do discurso privatizante partiu do ministro Paulo Guedes. Pelas suas contas, os ativos da União, incluindo as principais empresas estatais, inclusive as não listadas em Bolsa, somadas aos imóveis, poderiam render R$ 1,2 trilhão aos cofres públicos: "No final vai a (privatização da) Petrobras também, vai o Banco do Brasil, tem de ir tudo."

Já o presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, disse que o governo, ao longo da história, atrapalhou mais do que ajudou o banco. "Minha conclusão é que se o BB fosse privado, ele seria muito mais eficiente, teria melhor retorno e poderia alcançar todos os objetivos que hoje alcança", argumentou.

Também no evento, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou que já considera as futuras vendas de subsidiárias do banco público como "históricas". "No exterior, as pessoas estão falando que as operações já estão compradas", afirmou em palestra, nesta sexta-feira. A primeira operação, envolvendo a Caixa Seguridade, está prevista para setembro. Depois deverá ser vendida a unidade de cartões e em seguida as unidades de loteria e de gestão de ativos.

Um sonho
A venda completa da Petrobras, assim como de outras companhias públicas, "foi sempre um sonho", disse Castello Branco. "Não podemos ter tudo o que queremos, mas podemos tentar", afirmou em seguida, em inglês, parafraseando música dos Rolling Stones. Já que não pode vender a petroleira, sua intenção é transformar a empresa "o mais próximo possível de uma empresa privatizada", complementou. A Petrobrás pode vender até US$ 40 bilhões dos seus ativos em 12 meses, segundo Castello Branco. A empresa projeta se desfazer de US$10 bilhões em ativos nos primeiros quatro meses do ano, e "três ou quatro vezes mais" nos próximos 12 meses.

Em plena negociação do governo no Congresso para tentar aprovar a reforma da Previdência, Guedes acenou com a intenção de mudar a distribuição da riqueza oriunda da exploração do petróleo na camada pré-sal, aumentando a parcela para Estados e municípios. A ideia, segundo o ministro, seria inverter a atual proporção de 30% dos recursos para Estados e municípios e 70% para a União.











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