Erudito nordestino

Publicação: 2012-05-02 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva - Repórter

Muito se diz que o futebol é uma ‘caixinha de surpresa’, e ninguém discorda disso – é fato! Já a música erudita criada por nordestinos é um grande ‘baú de surpresas’, e isso poucos sabem. No intuito de reverter o quadro de desconhecimento e prestar justa homenagem ao pernambucano Dimas Sedícias (1930-2001), um dos mais importantes compositores para clarinetes do Brasil, entra em cena o projeto “Valores de Nossa Terra”. O grupo formado por quinteto de clarinetes e percussão encerra turnê pelo Nordeste em Natal, nesta quinta-feira (3), às 19h30, no palco da Escola de Música da UFRN. Acesso gratuito.
DivulgaçãoProjeto Valores De Nossa Terra, encerra turnê nordestina amanhã, às 19h30, na Escola de Música da UFRN, em homenagem a Dimas Sedícias.Projeto Valores De Nossa Terra, encerra turnê nordestina amanhã, às 19h30, na Escola de Música da UFRN, em homenagem a Dimas Sedícias.

Provavelmente o leitor já deve ter ouvido alguma obra de Dimas, mesmo sem saber: é dele a peça “Rói Couro”, tema do personagem Chicó utilizada na minissérie e no filme “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna. Entre outras que fazem parte do imaginário musical do brasileiro.

Entre os clarinetistas que acompanham o projeto, elaborado em Recife e viabilizado através do Fundo de Incentivo à Cultura do Governo de Pernambuco, figuram dois professores da EMUFRN, João Paulo ‘JP’ de Araújo e Amandy Araújo. “Eu e Amandy estamos apenas como convidados, todo o projeto é de PE”, esclareceu João Paulo, clarinetista e saxofonista. “Já conhecíamos os outros músicos que formam o grupo de encontros e festivais, mas esta é a primeira vez que estamos trabalhando juntos.”

Além de JP e Amandy, completam o quinteto de clarinetes os instrumentistas Jônatas Zacarias, também diretor artístico do “Valores de Nossa Terra”, Isaías Rafael e Genilson Luiz, mais a presença fundamental do percussionista Antônio Barreto. “As obras de Dimas Sedícias são voltadas exclusivamente para o clarinete, mas pelo tom armorial do repertório, que mistura música erudita com ritmos regionais como o maracatu e o maxixe, a percussão é um elemento importante para dar liga ao conjunto”, explicou o professor da UFRN.

O projeto começou a série de concertos dia 20 de abril na cidade de Bom Jardim (PE), onde nasceu Dimas, e já passou por Maceió (AL), Salvador (BA), Recife, hoje se apresenta em Campina Grande (PB) e amanhã em Natal (RN). “Nos encontramos pouco para ensaiar antes do início da turnê, por questões logísticas mesmo. Fizemos algumas viagens para Recife, mas nos concentramos na troca de partituras”, informou JP. “Mas o resultado no palco demonstra total sintonia, as composições são muito conhecidas e como estamos seguindo o formato original das obras não houve muita dificuldade para deixar as apresentações redondas”.

Serviço: Concerto “Valores de Nossa Terra” – quinteto de clarinetes e percussão interpreta composições do pernambucano Dimas Sedícias. Amanhã, às 19h30, na Escola de Música da UFRN. Entrada gratuita.

Joca Costa e Heliana Pinheiro se apresentam no 1º andar da Casa da RibeiraMÚSICA E GASTRONOMIA NA CASA DA RIBEIRA

O duo formado pelo guitarrista Joca Costa e a cantora Heliana Pinheiro se apresentam nesta quarta-feira, às 19h, no primeiro andar da Casa da Ribeira dentro do projeto mensal “Quarta Musicada”. Nesta segunda edição a dupla dedica a noite ao casamento entre música e gastronomia. Dividido em dois momentos, o evento começa com degustação no Café 1911 e segue para a sala de Arte Contemporânea, onde acontece o show. O duo apresenta repertório formado por standards da música brasileira e internacional, temperadas com pegada jazzística e inspiradas em receitas gastronômicas.

Durante o evento, o público terá a opção de degustar – literalmente – a experiência: as 30 primeiras pessoas que fizerem reservas terão a oportunidade de saborear o cardápio criado especialmente

para a ocasião. O evento é aberto, mas restrito a 50 pessoas.Os ingressos custam R$10 (apenas o show) e R$20  (show mais degustação. Informações: 3211 7710.

Álvaro Barros e Danilo Guanais tocam juntos desde 1984, unindo erudito e popularDUO DE VIOLÕES NA LIVRARIA SICILIANO

A receita básica do projeto “Genot Maior” é oferecer música erudita com aroma de café, e nesta quarta-feira, às 19h, o Café Genot da livraria Siciliano/Saraiva do Midway recebe o duo de violistas Álvaro Barros e Danilo Guanais. Acesso gratuito.

Professores da Escola de Música da UFRN, Álvaro e Danilo formaram o duo em 1984 com objetivo principal de integrar os gêneros erudito e popular na música instrumental para violão. Já se apresentaram como solistas em concertos com a Orquestra Sinfônica do RN e participaram de diversos eventos de música na região Nordeste. Em 2008, na Itália, realizaram recitais em parceria com o coro milanês Cantosospeso e com o coro paulista Luther King, em cidades como Veneza, Gênova e Milão.

Gravaram CD e seguem desenvolvendo intenso trabalho na divulgação do repertório para o instrumento, sempre consolidando as características buscadas pela dupla: o equilíbrio entre técnica e expressividade.

SEDÍCIAS, DE PERNAMBUCO PARA O MUNDO

Nascido em família musical, o compositor e multi-instrumentista Dimas Segundo Sedícias iniciou seus estudos em violão e clarinete aos seis anos de idade. Aos 12, ingressa como percussionista na banda de seu avô, Mestre Zuza, e aos 17 chega ao Recife, onde logo começou a trabalhar na Rádio Jornal do Commercio. Suas peças mais famosas foram gravadas pelo grupo pernambucano SaGrama, incluindo “Rói Couro” – parte da trilha sonora da minissérie e do filme “O Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna.

Arranjador, Dimas compôs para as mais diversas formações e muito do seu trabalho para clarinetes foi feito para amigos e alunos de uma escola de música no Recife onde trabalhou. Sua produção inclui peças para clarinete solo, duos, trios e quartetos.

Em 1958, embarcou para a Europa, a convite do Ministério da Educação, para divulgar a música brasileira durante a EXPO 58 em Bruxelas (Bélgica) junto com o Trio Irakitan, Sivuca, entre outros nomes.

Sua participação no evento rendeu novos convites para temporadas européias: gravou discos e teve centenas de composições editadas na Inglaterra, França, Bélgica, Espanha, Itália e Portugal. Em 1974, passa integrar a Orquestra Sinfônica do Recife, onde atuou até sua aposentadoria em 2000.

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