Escola Estadual invadida na Zona Norte de Natal foi reaberta nesta quinta-feira

Publicação: 2017-10-05 22:42:00
As escolas do Rio Grande do Norte passaram a ser incluídas nas estatísticas de violência do Estado. Após o caso da Escola Municipal Limírio Cardoso ter sido completamente destruída e saqueada em junho do ano passado, em Parnamirim, a Escola Estadual Crisan Siminéa, na zona Norte de Natal, foi invadida na tarde do último sábado (30) reaberta somente nesta quinta-feira (05). A escola foi depredada por criminosos que deixaram nas paredes ameaças pichadas contra alunos e funcionários da instituição. De acordo com as secretarias municipal e estadual de educação, são cada vez mais frequentes os pedidos por segurança armada nas escola, que já foram feitos por cerca de 60% das escolas estaduais no RN.

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Alunos voltam às aulas na Escola Estadual Crisan Siminéa, invadida no último sábado

A secretária adjunta de educação do Estado, Mônica Guimamães, ressaltou que o problema que passou a escola é social e estrutural. "A nossa perceptiva é que a gente não trabalhe simplesmente com uma ação, é uma questão social e estrutural e que precisa ser encarada não somente com segurança armada. Precisamos reunir os pais para fazer a corresponsabilidade para que os estudantes se sintam partícipes para cuidar da escola", explicou Mônica Guimarães.

A Secretaria de Segurança e Defesa Social (Sesed), foi acionada para investigar o que ocorreu e identificar os responsáveis. Segundo Mônica, tratou-se de uma questão pontual.

Casos como o da Limírio e da Crisan Siminéa, no entanto, ainda são pontuais. A primeira já possuía um longo histórico de problemas e ameaças realizadas por traficantes contra professores e diretores da instituição, que tentavam impedir a venda de drogas no pátio do colégio. Já a Crisan Siminéa se viu em meio ao fogo cruzado entre duas facções criminosas que tentavam disputar o território da comunidade José Sarney. “Protegida” pela facção que atualmente está presente na área, a escola foi alvo dos ataques pela facção rival, que tinha como intenção desafiar a primeira.

Apesar disso, a insegurança chega de formas menores aos centros educacionais, e essa situação já pode ser demonstrada em números pelas secretarias. De acordo com dados da Secretaria Municipal de Educação, em 2017 já foram 34 ocorrências em escolas municipais e centros de educação infantil, a maioria furtos de equipamentos. O valor estimado do prejuízo é de cerca de R$ 34 mil reais. Na rede Estadual, 180 escolas passaram a ter alarmes com sensores instalados a fim de tentar inibir os furtos, e cerca de 35 em situação mais crítica passaram a ter seguranças armados atuando.

Os métodos para enfrentar a violência, no entanto, são debatidos pelos gestores. Na Secretaria Estadual, um Núcleo de Educação para a Paz e os Direitos Humanos (NEEPDH) foi criado a fim de tentar criar e aprofundar os laços entre a escola e a comunidade “Entendemos que parte fundamental do processo de erradicação da violência é a criação de uma cultura da paz. Não é apenas colocar um segurança armado que vai resolver o problema da insegurança. A escola é o lugar da prevenção, o local onde devemos justamente educar as pessoas para que elas não se encaminhem para a violência”, contou o professor João Maria, coordenador do núcleo.

A Secretaria de Segurança e Defesa Social (Sesed), foi acionada para investigar o que ocorreu e identificar os responsáveis. Segundo Mônica, tratou-se de uma questão pontual. 


Ronda Escolar
Projeto feito pela Polícia Militar do Rio Grande do Norte, “Ronda Escolar”, é desenvolvido em unidades de ensino da rede pública de Natal e Parnamirim. De acordo com a PM,  atualmente 30 homens atuam com o auxilio de seis viaturas. A ação funciona de segunda-feira à sexta-feira, das 06h30 às 23h. Eventualmente o trabalho também é feito aos sábados, em eventos escolares.

O objetivo da Ronda é prevenir ações delituosas no ambiente escolar, aumentar sensação de segurança da comunidade escolar e evitar problemas com a segurança dos locais. A Ronda atua de forma preventiva com visitas às escolas e patrulhamento na adjacência; e de forma ostensiva atendendo ocorrências. Em resposta à TRIBUNA DO NORTE, a assessoria da PM informou que atualmente o efetivo não é suficiente, “mas cremos que futuramente poderemos recomplementar o efetivo”.

Bate-papo

Entrevista com o Coordenador do Núcleo de Educação para a Paz e os Direitos Humanos (NEEPDH), João Maria Mendonça.


Créditos: ReproduçãoJoão Maria - Coordenador do Núcleo de Educação para a Paz e os Direitos Humanos (NEEPDH)João Maria - Coordenador do Núcleo de Educação para a Paz e os Direitos Humanos (NEEPDH)


O cenário de violência parece não ter fim no Brasil e principalmente nas escolas. Como o senhor vê isso?
Vivemos uma cultura de violência. Existem diversas fragilidades em relação a isso, que fica claro nos últimos acontecimentos nos Estados Unidos. O que se mata em um ano no Brasil, não se morreu em 10 anos de conflito entre EUA e Vietnã. Primordialmente no RN temos grandes desafios no tocante aos homicídios, são mais de 1.800 até agora. 


O perfil geralmente é de jovens?

Sim. Vivemos um 'juvenicídio', assim como o feminicídio. Tem mulheres que abandonam a educação de jovens e adultos (EJA), à noite, porque o marido não permite que ela estude. Eu já conversei com mulheres que apanhavam do marido e diziam que era

 'amor selvagem' e não é, trata-se de violência e cultura machista. Os jovens estão matando e morrendo, o perfil continua sendo pobre, preto e da periferia.


Como mudar essa realidade? quais os caminhos?
Temos como mudar com políticas públicas, envolvimento da sociedade, assim será possível diminuir esses índices alarmantes.