Escola Multicampi é pioneira no País

Publicação: 2018-07-01 00:00:00 | Comentários: 0
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É na Escola Multicampi de Ciências Médicas da UFRN, que Everson Brito, de 23 anos, deverá se formar médico. Natural de Timbaúba dos Batistas, no Seridó potiguar, ele integra a primeira turma de estudantes de Medicina da Escola, cuja estrutura de equipamentos é uma das mais modernas do Brasil e a metodologia de ensino, pioneira. Quando formado, ele pretende atuar na região semiárida na qual nasceu e cresceu.

Na Escola Multicampi de Ciências Médicas alunos são formados com nova metodologia de ensino
Na Escola Multicampi de Ciências Médicas alunos são formados com nova metodologia de ensino

“Eu fiz uma rota de fuga para Natal para estudar, fazer cursinho e tentar passar em Medicina. Quando eu vi a notícia de que iria abrir o curso em Caicó, não tive dúvidas e voltei”, relembra. Com um projeto pedagógico inovador no estado, os alunos da EMCM são formados a partir da resolução de problemas práticos inerentes à profissão e com convívio com situações vivenciadas inicialmente nos Postos de Saúde e, nos dois anos finais, nos Hospitais Universitários no regime de internato.



Ao detalhar as batalhas que travou até ingressar no curso de Medicina, Everson Brito ressalta a importância da Educação Superior como transformadora de realidades. “Na minha família, não se tinha oportunidade de fazer Ensino Superior. A diferença começou com a minha mãe que, aos 35 anos, decidiu fazer Pedagogia. A Educação Superior é uma forma de modificação de vidas. Às vezes, me questiono se essa estrutura que temos hoje em Caicó é mesmo pública. Eu sou consciente que preciso retribuir todo esse investimento”, declara. Somente nos campi de Caicó, Currais Novos e Santa Cruz a UFRN investiu, de 2011 a 2017, cerca de R$ 17,7 milhões.

O diretor da EMCM, George Dantas de Azevedo, comenta que as discussões para a criação do Curso de Medicina no Seridó norte-riograndense remontam ao ano de 2008. “A implantação do Programa Mais Médicos possibilitou a retirada do projeto do papel em 2013. Com essa política pública de expansão das vagas do Curso de Medicina e abertura de Faculdades no interior do País, conseguimos abrir a EMCM”, diz. Para ele, expandir a interiorização do Ensino Superior, principalmente nos cursos da área da Saúde, deve ser uma meta prioritária da UFRN. Um dos objetivos da EMCM é ter em seu quadro, 86 docentes. Para isso, alguns desafios deverão ser vencidos.

Um deles é o financeiro. Em comum, a UERN, a UFERSA e a UFRN sofrem com a falta de recursos. O custeio para o Curso de Medicina de Caicó, por exemplo, foi zerado. Por ano, de acordo com George Dantas de Azevedo, a UFRN repassa R$ 1,3 milhão para pagamento de despesas básicas. O desafio deste ano será financiar o internato dos estudantes da primeira turma, iniciada em 2014, que migrarão para a prática acadêmica no Hospital Universitário Ana Bezerra, em Santa Cruz. Na UERN, o orçamento aprovado para este ano é R$ 71 milhões menor que o previsto para 2017. Na UFERSA, a previsão orçamentária para este ano é de R$ 282 milhões contra R$ 274 milhões em 2017.   

Ampliação

A UFRN recebeu a cessão temporária, semana passada, de um terreno na cidade de Santa Cruz. Anteriormente pertencente ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a propriedade possui uma área total de 23.800 metros quadrados, localizada às margens da BR-226. O imóvel é destinado à expansão do ensino superior em saúde, especificamente à ampliação da Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (Facisa).

Com a medida da cessão temporária e a perspectiva de, em dois anos, ocorrer a doação definitiva do terreno, a UFRN pretende ampliar a estrutura e os serviços dos cursos de graduação em Nutrição, Enfermagem, Psicologia e Fisioterapia, bem como dos cursos de  Mestrado em Ciências da Reabilitação e em Saúde Coletiva, e o curso de Especialização em Saúde Coletiva.

Novas salas de cirurgia

O ministro da Educação, Rossieli Soares, esteve no Rio Grande do Norte neste sábado, 30 de junho, para inaugurar novos espaços de assistência médico-hospitalar no Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN): a Central de Misturas Intravenosas e o Bloco Cirúrgico Ambulatorial. 

A Central de Misturas Intravenosas é uma área vinculada ao setor de farmácia hospitalar do hospital universitário e foi reformada para atender às normas que regulamentam essa estrutura de manipulação de medicamentos. Foram gastos na reforma e na adequação ambiental, incluindo a climatização e o sistema auxiliar de exaustão, cerca de R$ 540,1 mil, oriundos do Ministério da Educação e do Sistema Único de Saúde (SUS).

A área é importante para atividades acadêmicas de graduação e pós-graduação da área de farmácia, pois permite o treinamento de alunos em manipulação de fármacos. Além disso, contribui de forma significativa para o processo terapêutico adequado e seguro que utiliza produtos antineoplásicos e imunobiológicos. No local também serão feitas preparações de medicamentos quimioterápicos e de nutrição enteral e parenteral. “A central vai permitir que esses procedimentos sejam mais seguros”, garantiu Stenio Gomes da Silveira, superintendente do HUOL.

Segundo Kleber Morais, presidente da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), autarquia vinculada ao MEC, os hospitais universitários têm a melhor assistência pública do país. “E isso ocorre porque o corpo clínico é formado por pessoas competentes e dedicadas, que se espalham por todo a país”, garante.

O Bloco Cirúrgico Ambulatorial consiste em um espaço reformado para comportar três novas salas de cirurgia, que serão utilizadas para a realização de procedimentos cirúrgicos de pequeno porte, com menor complexidade. A obra contou com recursos da ordem de R$ 180 mil, oriundos do SUS. O Hospital Universitário Onofre Lopes não contava com salas exclusivas para cirurgias ambulatoriais e a criação desse espaço atende a uma antiga demanda da unidade de saúde. 

Com as novas instalações, o bloco reduzirá a demanda de programação cirúrgica no edifício principal, liberando essas salas de cirurgia para procedimentos de maior complexidade. A instalação também é de suma importância para o treinamento de estudantes de graduação e de programas de residência médica em procedimentos de pequeno porte.

A reitora da UFRN, Ângela Paiva, destacou o ganho que as novas instalações vão trazer para os estudantes. “A gente percebe claramente o impacto que essas unidades trarão para qualificar academicamente o trabalho que realizamos aqui no hospital do ponto de vista do ensino e da pesquisa”, disse. “Dificilmente os nossos estudantes teriam essa condição de aprendizagem em seus cursos sem essas instalações.”


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