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Natal
Escolas de Samba investem em eventos para o carnaval em Natal
Publicado: 00:00:00 - 15/01/2022 Atualizado: 22:53:13 - 14/01/2022
Natal terá o segundo ano sem o desfile das escolas de samba e tribos de índios, que tradicionalmente ocorre na avenida Duque de Caxias, na Ribeira. Mas o samba não deve parar. A Liga das Escolas de Samba de Natal, que reúne nove agremiações carnavalescas, com uma média de 600 integrantes, cada uma, lançou uma programação que começa dia 27 de janeiro e segue nos dias de carnaval, de 27 de fevereiro a 5 de março, e promete até um desfile compacto das Escolas de Samba. “A ideia é mantermos as escolas ativas, pulsando, porque na hora que a gente fecha fica mais difícil retomar para o ano seguinte”, afirma Larissa Lira, que integra o colegiado da Liga das Escolas. 

Magnus Nascimento
Escola Balanço do Morro iria homenagear o empresário Nevaldo Rocha no desfile deste ano

Escola Balanço do Morro iria homenagear o empresário Nevaldo Rocha no desfile deste ano


Ela explica que a decisão da Prefeitura de Natal de cancelar o Carnaval de rua, e consequentemente o desfile, não surpreendeu, pois uma semana antes da divulgação oficial da medida, a Liga das Escolas já tinha se reunido e decidido que as escolas filiadas não participariam do desfile deste ano. “Diante da indecisão da prefeitura, por muito tempo, os barracões terminaram fechando, porque tem um custo mantê-los abertos, e o tempo também ficou curto para nos reorganizar para um desfile se viesse a ocorrer, o que nos motivou a resolver logo não disputar  este ano, e tínhamos comunicado isso ao secretário municipal de Cultura (Dácio Galvão)”, disse Larissa.

Segundo ela, nos próximos dias até o período do carnaval a intenção é fazer pequenos eventos para não fechar completamente os barracões. “Vamos fazer festas, dentro do possível, do que permite as regras sanitárias do Estado. Ainda estamos aguardando uma portaria do governo para decidirmos o rumo, se faremos eventos fechados, ou apenas virtuais, mas já temos um cronograma pré-definido”, explicou a carnavalesca. 

São filiadas a Liga as agremiações Balanço do Morro, Imperatriz Alecrinense, Acadêmicos do Morro, Império do Vale, Em cima da Hora, Batuque Ancestral, Confiança do Samba, Grande Rio do Norte e União do Samba

Juventude de Extremoz, escola que nasceu na pandemia e ainda não teve nenhum desfile oficial.

Os locais dos eventos da Liga ainda serão divulgados, e um deles seria realizado na pinacoteca, mas depende das restrições que o governo vai estabelecer no acesso aos prédios públicos. O Governo do Estado anunciou que publicaria nesta sexta-feira (14) uma portaria disciplinando esse uso, o que não ocorreu. Este será o segundo ano consecutivo que não correrá desfile das agremiações de samba em Natal. O último foi em 2020, quando a agremiação Águia Dourada, do bairro do Alecrim, foi a campeã, com o  tema “Da Literatura e Cordel ao Imaginário Popular” e homenageou o folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo.

O presidente da escola Francisco Canindé da Silva confessa que ficou aliviado com o cancelamento. Segundo ele, a pandemia atravessou todo o planejamento da instituição, que perdeu membros importantes para a covid-19 e acumulou baixas financeiras ao longo dos últimos dois anos.

“A gente já tinha entrado com um pedido junto a federação para cancelar o desfile das escolas de samba. Com a premiação de campeão, a gente investiu muito para o carnaval passado e não tivemos desfiles. Isso gerou muitas perdas e também perdemos muitos amigos para a covid, aderecistas, costureiras. Os próprios participantes da Escola é que mantinham ela funcionando com contribuições, mas com a pandemia isso parou. Com tudo isso a gente não tinha estrutura nem condições financeiras para sair no carnaval deste ano”, relata.

Francisco Canindé explica que no mês seguinte ao carnaval de 2020 já tinham decidido o tema do carnaval 2021, que seria sobre Ariano Suassuna. “Mas terminou que o desfile foi cancelado, por causa da pandemia . Nós decidimos nos aprofundar no temo, participando de algumas oficinas em São Paulo, e já estávamos com o enredo e o samba, prontos e os figurinos desenhados para este ano, e tínhamos comprado grande parte do material para as fantasias e alegorias”, explicou Francisco Canindé.

Segundo ele, o barracão ficou aberto, com equipes, em torno de 30 costureiras, trabalhando nas fantasias até junho, julho do ano passado. “Depois, nós terminando fechando porque as coisas ficaram difíceis e passamos apenas a nos reunir periodicamente para fazer um balanço e unir o pessoal, para não desarticular totalmente”, disse ele. A escola tem cinco alegorias e pretende manter o tema e enredo para o próximo desfile, o de 2023.

A escola, que tem 800 componentes e não segue a Liga, tem uma programação de confraternizações e shows prevista até o carnaval. Além disso, de 10 a 15 integrantes da agremiação vão participar, no dia 28 de fevereiro do desfile da escola de samba Nenê de Vila Matilde,  uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo. “Vamos com dez batuqueiros, que vão tocar tamborim na bateria da Vila, e mais uns dez que vão sair na Ala Amigos do Presidente da Escola. Isso é muito bom, porque voltamos ricos de cultura”, comemora. A parceria com a escola paulista tem dois anos.

Para a rainha de bateria da Império Alecrinense, Ani Castilho, o cancelamento representa tristeza para os membros da escola de samba da capital, mas já era esperado. “Passou Natal e Réveillon e a gente já ficou meio temeroso com essa situação da gripe e da covid. A gente fica triste não só pelo cancelamento do carnaval de rua, mas também pelos nossos amigos que dependem da data, os ambulantes e comerciantes, que esperam o evento para ganhar algum dinheiro. Mas para a melhoria dessa situação em Natal, a gente entende o cancelamento, não tinha muito o que fazer”, destaca.

O presidente da Escola de Samba  Balanço do Morro, Severino Cândido Santana, lamenta a ausência da passarela, mas afirma que com a pandemia crescente “não seria possível ter o controle do vírus com as aglomerações”. Para este ano, a escola já tinha um recurso garantido de R$ 135 mil, de projeto aprovado e financiado pela Guararapes. O homenageado seria o empresário Nevaldo Rocha. “Nós já tínhamos reciclado parte do que era possível, das fantasias e dos móveis, e já temos o samba-enredo pronto e o desenho das 13 alas também. Não teremos prejuízo porque o projeto tem validade de dois anos, então poderemos usar no próximo carnaval”, disse ele.

Essa será a terceira vez que a escola não desfilará – as outras duas foram em 2021, quando não houve desfile por causa da pandemia, e em 2013, por problemas de dinheiro com a prefeitura. Fundada em 1966 por Mestre Lucarino, no bairro das Rocas, a agremiação é a campeã do Carnaval de Natal 2019, e tem 28 títulos de vitórias carnavalescas.

Cidades cancelaram festa por conta da covid
Com a elevação dos casos de covid-19 e de síndromes gripais no Rio Grande do Norte, neste começo de 2022, pelo menos 14 cidades já decidiram cancelar a programação oficial do carnaval de rua, entre os dias 26 de fevereiro e 1º de março.  Além de não ocorrer em Natal, a folia não vai para as ruas em cidades potiguares com tradicionais festas carnavalescas, como Parnamirim (Pirangi), Macau e Areia Branca. Além dessas, Apodi, Tibau, Tibau do Sul, Assu, Pendências, Grossos, Dix-sept Rosado, Alexandria, Upanema e Almino Alfonso suspenderam o carnaval de rua. No Brasil, 19 das 27 capitais, incluindo Natal, não vão realizar o carnaval de rua em 2022. 

O anúncio mais recente foi feito nesta quinta-feira (13) pela prefeitura de Macau. A decisão, segundo o município, leva em consideração “a proteção da população macauense”, tendo em vista que medidas precisam precisam ser tomadas para evitar a propagação do coronavírus, causador da covid-19.

Em virtude dos índices crescentes dos atuais quadros virais relacionados à Covid-19 e à gripe Influeza, a Prefeitura Municipal do Natal decidiu cancelar a programação oficial do próximo Carnaval, que seria realizado entre o fim de fevereiro e começo de março na cidade. 

A decisão do Executivo atende a recomendações do Comitê Científico do Município e de técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), com base nos índices de 600 atendimentos por dia nos dois Centros de Enfrentamento criados pela gestão para conter casos da Síndrome Viral e do coronavírus com a variante Ômicron.

O prefeito Álvaro Dias explicou que “tendo em vista os índices de que pessoas acometidas pelo coronavírus e essa nova variante Omicron e também as síndromes virais têm aumentando constantemente, o Comitê Científico voltou a se reunir, deliberou e decidiu cancelar o nosso Carnaval”.

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