Escolas e obras contratam mais e dão recorde ao RN

Publicação: 2014-03-18 00:00:00
Sara Vasconcelos
repórter

O Rio Grande do Norte fecha o mês de fevereiro com saldo positivo na geração de emprego: 931 empregos formais. A economia potiguar admitiu 17.253 trabalhadores com carteira assinada e dispensou 16.322, no mês passado. É a primeira vez, desde 2003, que o número de contratações é maior que o demissões no segundo mês do ano, de acordo com  dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A PEC das Domésticas e obras da Copa do Mundo levaram os setores de serviços (1.660 postos de trabalho) e construção civil (600 postos) a liderarem na contratação de pessoal, de acordo com analistas do setor.

O Estado teve o maior crescimento (2,16%) em contratação no setor de serviços do Nordeste, no primeiro bimestre - 3.663 postos - na comparação com o total de empregados de dezembro de 2013. O número de empregos criados em fevereiro de 2014 é 29,8% maior que o de janeiro desse ano e 4,06% em relação ao mesmo período do ano passado, quando o RN teve saldo negativo (-844 postos de trabalho).

No setor de serviços, a atividade de ensino foi a que mais contribuiu para este saldo, com a abertura de 688 novas vagas, seguido pela corretagem de imóveis, com 561 novos postos, e hospedagem (353), no estado.

“Os números são animadores e podem ser considerados um termômetro interessante para este ano de Copa, no qual estamos apostando tantas fichas no que diz respeito ao aquecimento de nossa economia. E vêm ratificar que  Comércio e Serviços, incluindo o turismo,  são os pilares básicos”, avalia o  presidente do Sistema Fecomércio RN, Marcelo Queiroz.

Escolas

Nas escolas, o incremento se deu nas duas pontas do ensino: a educação infantil e o ensino superior. O primeiro, analisa o presidente do Sindicato das Escolas particulares do RN, Alexandre Marinho, o aumento de mais de 15% no número de vagas criadas para alunos de ensino infantil na rede privada e a maior procura pelo serviço em tempo integral é decorrente da mudança na legislação para a formalização de empregados domésticos.

“Com a PEC (das domésticas), os pais passaram a considerar mais viável, em termos de custo e de cuidados, educação, colocar o filho na escola em tempo integral do que contratar uma babá”, explicou Marinho. Para as turmas menores de 3 anos ou berçários, a proporção é de um profissional para cada três alunos. “Em geral, cada professor recebe reforço de até 3 auxiliares”, acrescenta. Os educadores ganham em média por hora aula R$ 25,00, na rede privada, onde os professores de cursinhos preparatórios recebem R$ 45,00, a hora aula. A estimativa toma por base os preços praticados nas 10 maiores escolas de Natal, de acordo com o Sindicato.

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Já no ensino superior, os programas de ampliação do acesso às Universidades, como Prouni, Enem e mesmo o Fies, levaram a necessidade de mais professores e maior nível de qualificação (mestres e doutores). “Há um crescimento não só em número de contratados, como também na valorização dos profissionais”, conclui o presidente do Sinepe.

O melhor desempenho do setor turístico neste início de ano, com taxas de ocupação batendo na casa dos 75%, teve reflexos diretos no resultado do setor de serviços, avalia o presidente do Sistema Fecomércio/RN. “Se somarmos o saldo negativo de fevereiro de 2013 com o número de agora, recuperamos mais de 2,6 mil vagas formais em  doze meses. Isso é muito bom para nossa economia”, diz ele.

Os dados de fevereiro do Caged, explica Marcelo Queiroz, mostram também a esperada retração de vagas registrada no comércio a cada início de ano, devido o desligamento de parte dos colaboradores temporários contratados no final de 2013.