Esgarçando...

Publicação: 2019-09-19 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
A governadora Fátima Bezerra, até pela experiência como líder sindical nas lutas dos professores, entre as assembleias e as ruas, sabe que já se esboça, ainda sem forte agravamento, os primeiros sinais de esgarçamento do tecido das relações com algumas categorias mais fortes como educação, saúde e segurança. O governo caminha para o terço final do primeiro ano e apesar dos esforços não há como garantir a reversão de insegurança com salários atrasados. 

É bem verdade que a folha do ano em curso vem sendo paga religiosamente e que os serviços essenciais, bem ou mal, estão mantidos, no nível crítico dos últimos anos. Mais: seu governo não enfrenta suspeições de desregramentos financeiros, levando a oposição a manter o fogo baixo. No máximo, em alguns poucos, os de olhos na campanha política do próximo ano, florescem aqui e ali elucubrações que não enfraquecem o tônus governamental de até agora.

Ainda assim, deve ser frustrante para a governadora chegar ao dia 31 de dezembro sem ter a certeza de que irá inverter esse quadro. As repercussões seriam não apenas saudáveis para seu governo, como para a sociedade e seus milhares de servidores estaduais. Não parece de todo perdida a esperança de poder anunciar boas notícias, mas essa concretização de certas conquistas está fora do seu raio de decisão e, pior, cativas das mãos de um Jair Bolsonaro.

Não é fácil a previsão racional. O que há de certo, internamente, são os R$ 150 milhões sobrados dos R$ 251 milhões da venda ao Banco do Brasil da exclusividade da conta do governo, a outorga do pré-sal, da ordem de R$ 450 milhões, e da curva ascendente de receita à medida que vão chegando os meses finais do ano e a proximidade dos primeiros meses do ICMS futuro. No mais, a boa promessa do empréstimo com aval do Banco Central. Nada mais. 

O governo herdou dois e meio bilhões de dívidas devidamente empenhadas e até hoje represadas, além do cofre raspado da Previdência Social no qual foram devorados os recursos do Fundo Previdenciário da ordem de R$ 1 bilhão. Por sobre esse montante, anunciou, através do seu secretário de planejamento, Aldemir Freire, que deve encerrar o primeiro ano com R$ 500 milhões de dívida nova. O que eleva o débito a R$ 4 bilhões, o que jamais será arrecadado.

Diluído num tempo que já vai longe, por isso menos agudo como sensação, nem por isso arrefeceu no servidor a sofreguidão de receber o que lhe é devido. E esse quatro se move diante de um cenário bem singular na medida em que os cargos comissionados, empossados em janeiro, vivem com seus salários em dia. A governadora sabe das inquietações e aspirações. Mesmo sincera no jogo na mesa do fórum dos servidores, pode não ter como evitar a exaustão. 

PALCO

POSIÇÃO - O Conselho Estadual de Educação, à unanimidade, votou contra a parceria para as atividades da Universidade do Vale do Acaraú no Estado. A UVA atua aqui ‘há dezoito anos.

EFEITO - A posição do Conselho de Educação não é definitiva. A decisão final depende da governadora Fátima Bezerra. Pode ser técnica, (Lei de Diretrizes e Bases), ou administrativa.

PERIGO - Tem secretário do governo pendurado num galho da governadoria. Se insistir no estilo pode cair desse galho. Embora não seja bem o desejo da governadora Fátima Bezerra.

DIÁRIO - Abimael Silva lança sábado próximo, a partir das 9h, no Sebo Vermelho, a edição, do “Diário de um Soldado da Companhia das Índias Ocidentais”, de Ambrósio Richshoffer.
RARO - O “Diário” foi publicado originalmente em 1677, na Alemanha, traduzido e lançado no Brasil em 1978, com tradução de Alfredo de Carvalho, edição do Governo de Pernambuco.

POESIA - No sábado próximo, Abimael aproveita para lançar também a segunda edição de “Alma e Poesia do Litoral do Nordeste”, conferência de Eloy de Souza, impressa no Rio, 1930.

MESA - A cozinha brasileira teve um dia de consagração da sua melhor tradição: a rabada com agrião, feita sob o olhar de Pio Morquecho. O que acabou honrando o velho Nemézio, seu pai.

AVISO - A governadora Fátima Bezerra já sabe que a aprovação do uso de recursos da Caern precisa ser negociada com os líderes de bancada e blocos partidários. A cada caso específico.

CAMARIM

PERIGO - A nota da presidência do Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal revela a preocupação com a crise no setor e alerta para prejuízos que serão causados pela portaria. 500 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, hoje já na sua plena vigência.

PESO - Erradicar a carcinicultura nas salinas nas áreas ‘entremarés’, em nome da preservação dos manguezais, pode encerrar uma atividade econômica que segundo o Simorsal, garante hoje cerca de 90 mil empregos diretos e indiretos e movimenta em torno de R$ 1 bilhão de reais.

AUSÊNCIA - O Simorsal denuncia pior: no grupo de trabalho instituído pelo governo federal não há representante ou técnico do Rio Grande do Norte. Revela descaso da bancada federal. Tem do Ceará, Alagoas e Maranhão. Mais dois técnicos: do Pará e da Bahia. Do RN nenhum. 




continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários