Especialista aponta riscos de Ivermectina para grávidas e bebês

Publicação: 2020-06-16 07:18:00
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O diretor-geral do Instituto Santos Dumont (ISD), especialista em medicina fetal e instrutor nacional da Estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia Pós-parto da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Reginaldo Freitas Júnior, alertou que mulheres grávidas não devem usar Ivermectina - substância que passou a ser adotada pela Secretaria de Saúde de Natal no combate à Covid-19 e acabou levando a população a uma corrida às farmácias. 

Créditos: Arquivo TNEspecialista aponta risco do uso irrestrito da ivermectina para saúde das grávidas e dos bebêsEspecialista aponta risco do uso irrestrito da ivermectina para saúde das grávidas e dos bebês

Essa é uma droga que pode atravessar a barreira placentária, e pode ser tóxica para o fígado da mãe e tóxica para o fígado do bebê. No momento, não há segurança o suficiente para recomendar o uso da ivermectina na gravidez”, disse o especialista. Ele acrescentou que a droga nunca foi testada em grávidas.

Além de não ter eficácia comprovada para tratar Covid-19 em humanos (apenas pesquisas in vitro, ou seja, com células, têm resultados divulgados até agora), o uso do produto sem orientação médica é contraindicado – na própria bula – não só para mulheres grávidas ou que estejam amamentando, mas também para crianças com menos de 5 anos de idade. 

Os fabricantes alertam ainda que ele “deve ser administrado com cautela a pacientes em uso de medicamentos que deprimem o Sistema Nervoso Central, como medicamentos para o tratamento de insônia, ansiedade, alguns analgésicos ou mesmo bebidas alcoólicas”. Informam, ainda, que diminuição da pressão arterial (principalmente quando associada ao levantar-se) e piora da asma brônquica foram relatadas desde o início da comercialização da droga, em vários países”.

O uso da substância, segundo Freitas Júnior, também pode trazer uma perigosa sensação de segurança para as grávidas e levá-las a comportamentos de risco, do tipo “ah, eu posso fazer isso porque estou tomando ivermectina”. “Isso preocupa e merece o alerta. De tudo o que a gente já estudou e já provou, são as medidas gerais, mais simples, como lavagem de mãos, a etiqueta da tosse, a etiqueta do espirro, e o distanciamento social que têm se mostrado mais efetivas”.

Ele ressalta que o uso de máscaras de tecido é essencial em todas as situações em que for indispensável sair de casa, não só para consultas de pré-natal ou exames. “O cuidado com a lavagem das mãos, com a proteção dos olhos, da mucosa do nariz, da mucosa da boca, precisa ser permanente”, pontuou o especialista.

Neste mês, ao menos duas mulheres morreram após o parto no Rio Grande do Norte  em casos associados à Covid-19 registrados em Natal e Mossoró.

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