Especialistas alertam sobre uso de celular na escola: vilão ou aliado?

Publicação: 2020-02-29 00:00:00
Levar ou não levar o celular para a escola? Esta é uma dúvida de muitos pais que já disponibilizam o aparelho eletrônico para os filhos desde a infância. De fato, os smartphones são uma ferramenta indispensável para comunicação, mas os especialistas alertam: seu uso na sala de aula – como em casa também – deve ser controlado e orientado por adultos, para que haja maior aproveitamento de seus benefícios. E o desafio das escolas é utilizar o celular como aliado da aprendizagem.

Créditos: DivulgaçãoUso do celular deve ser controlado e orientado por adultos, para que haja maior aproveitamento de seus benefíciosUso do celular deve ser controlado e orientado por adultos, para que haja maior aproveitamento de seus benefícios


De acordo com a pesquisa sobre o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Escolas Brasileiras (TIC Educação), mais de 90% das escolas do país proíbem o uso de celular na sala de aula. Em contraponto, segundo pesquisa mais recente da TIC Kids Online Brasil, cerca de 86% das crianças e adolescentes, com idade entre 9 e 17 anos, são usuárias de internet no Brasil, o que corresponde a cerca de 24,3 milhões. E, para 93% delas, a internet é mais usada por meio de telefone.

A tecnologia e a conexão com a internet são mais fáceis para esse público. No entanto, o uso aleatório do aparelho em sala atrapalha a concentração e o andamento da aula, principalmente quando não atrelado ao planejamento do professor e pior, podendo até provocar o isolamento social, alerta o coordenador pedagógico do Instituto Educacional Casa Escola, Jorge Raminelli. “Na verdade, seria muito mais fácil proibir, mas a gente acredita muito no processo de construção e, com ele, os alunos e os profissionais vão adquirindo maturidade e aperfeiçoamentos metodológicos que incluem as tecnologias às práticas de ensino”, ressalta o coordenador.

Na Casa Escola, a orientação é que os alunos até o 5º não levem os aparelhos, devido à pouca maturidade para controle do uso. Já os estudantes do Ensino Fundamental II têm o uso regrado. “Nós levamos o tema para discussão na assembleia com os alunos, que acontece regularmente. E, após a discussão, os próprios alunos estabeleceram as regras, com a mediação e acompanhamento dos professores”, explica.

Em contrapartida, a equipe pedagógica lança mão do recurso do smartphone para realizar determinadas atividades em sala. Como a tarefa de inglês, em que os estudantes do 7º ano criariam um perfil em uma rede social, usando a língua inglesa, e só conversariam por aquele canal também em inglês. O equipamento também é utilizado como meio de pesquisa em sala para responder às próprias perguntas dos alunos sobre assuntos variados. E, nas Planilhas de Estudo, que servem para organizar a rotina escolar, há indicações de sites (orientados anteriormente pelo professor) para pesquisas.

Estabelecer limites
Algumas das orientações do coordenador aos pais: estabelecer limites claros e fazê-los acontecer; usar o diálogo como meio de entendimento sem precisar dispensar as regras; estabelecer uma rotina conjunta para as atividades diárias com ou sem o uso do celular; saber o que o adolescente acessa também é importante. “Conjuntamente, é fundamental conversar sobre o que deve ser prioridade seja para os estudos ou, até mesmo, para a vida deles hoje, sempre ponderando o equilíbrio entre estar online, se dedicar aos estudos e manter o convívio real com os amigos”, reforça Raminelli.