Especialistas debatem novas estratégias de prevenção à Sífilis

Publicação: 2019-09-21 00:00:00 | Comentários: 0
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O crescimento dos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) no Brasil preocupa os especialistas, que debatem novas formas de tratamento e, estratégias diferentes de prevenção. O evento “Sífilis e outras IST no Brasil” reúne em Natal, diversos especialistas para traçar o panorama das doenças no Brasil e no Mundo.

Especialistas destacam a necessidade de se discutir o retorno de doenças como a sífilis
Especialistas destacam a necessidade de se discutir o retorno de doenças como a sífilis

Um dos principais especialistas na área de prevenção e combate às ISTs, o médico infectologista da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Vasconcelos, alerta que o assunto não tem sido foco de discussão no Brasil e que eventos do tipo são necessários para reacender o debate. “Um evento como esse, desenvolvido pela UFRN é fundamental. Quanto mais espaço para falar de ISTs, melhor será”, afirma.

Ricardo Vasconcelos ressalta ainda que o momento é oportuno para se debater prevenção, principalmente do HIV, por conta da recente expansão da Profilaxia pré-exposição (PrEP). Neste método, pessoas que não são portadoras do HIV tomam medicamentos anti-retrovirais diariamente, para seguir sem a infecção mesmo em contato com o vírus. “A estratégia (PrEP) é extremamente recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) pela sua eficácia comprovada e está sendo implantada como medida pública no Brasil desde janeiro de 2018. Apesar dessa recomendação apenas 10 mil pessoas tomam a PrEP no país, o que é um número pequeno” revela o especialista.

No Brasil, o tratamento de prevenção com a PrEP é direcionado a grupos que estão em maior vulnerabilidade em relação ao HIV. Atualmente o Ministério da Saúde prioriza quatro grupos; Homens homossexuais, população trans, pessoas que trabalham com prostituição e indivíduos que possuem relacionamento 'sorodiferente', onde somente uma pessoa é portadora do HIV. “Só pertencer a esses grupos não é automaticamente necessidade do uso de PrEP, a pessoa precisa contar que não consegue se prevenir com as estratégias tradicionais, como a camisinha” explica o Dr. Ricardo Vasconcelos.

Países como Austrália e Reino Unido diminuíram drasticamente o número de novas infecções por HIV após a ampliação do uso da PrEP, e no Brasil o tratamento poderia ajudar a reduzir os novos casos. No entanto, o infectologista alerta que a PrEP é uma alternativa e não solução; “Não acho que a PrEP seja a solução para o HIV, pois algumas pessoas não vão poder usar camisinha nem a PrEP, mas novas estratégias de prevenção são muito bem-vindas.”

O especialista revela que no Brasil, são registrados cerca de 40 mil novos casos de HIV anualmente e que dois grupos de pessoas têm um aumento mais elevado de novos casos de HIV; jovens gays com menos de 30 anos e homens hétero acima dos 55 anos. Por isso a necessidade de campanhas para conscientizar e principalmente informar a população sobre os métodos de prevenção. “Não é o medo que faz a pessoa se prevenir, e sim a educação. Por isso a saúde pública precisa mostrar para as pessoas todas as formas de se proteger para que elas escolham a mais adequada para sua vida” ressalta o infectologista.





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