Especulação

Publicação: 2020-02-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Vicente Serejo
serejo@terra.com.br

Créditos: DivulgaçãoEspeculaçãoEspeculação


A cobertura política não é e nunca poderá ser um jogo matemático. Se fosse não teria a dinâmica natural das nuvens que vão andando e formando cenários a cada hora, sabedoria que um dia atribuíram a Tancredo Neves. As circunstâncias são as nuvens e é por isso que não se pode abrir mão das ilações naturais. Sua única exigência é que venham a nascer de projeções plausíveis, ainda que os fatos inesperados possam interferir no que parece lógico e definido.

É nesse sentido que observadores políticos já admitem, como especulação, um cenário que pode ser real em 2022, na sucessão estadual. Tudo depende do sucesso do agora ministro do desenvolvimento regional, Rogério Marinho, se imprimir à sua gestão uma repercussão intensa no Rio Grande do Norte, com a conclusão de obras estruturais como a Barragem de Oiticica, transposição das águas do São Francisco e o programa Minha Casa, Minha Vida. 

O vazio no espaço de oposição é fato. O governo de Fátima Bezerra, com sua tintura petista, a menos que venha a promover uma virada, parece até agora resumir-se a gerenciar a grande crise que enfrenta. Busca a sobrevivência com o que resta a receber, mas até sem chance de promover mudanças, a não ser a manutenção precária, a partir das transferências voluntárias - a assistência na saúde, educação e segurança e assim mesmo sem relevância.

A se manter assim, pode ser o húmus no terreno dos seus próprios aliados de hoje, do o PSDB garantindo uma confortável maioria no plenário da Assembléia. Maioria que oferece a governabilidade, mas não lhe pertence como patrimônio político. À governadora cabe, sim, buscar recursos junto ao novo ministro, como já anunciou no caso da Barragem de Oiticica, e para outras obras, afinal deve ter o desejo natural de renovar o mandato no final de 2022.

Resta saber qual será o cenário futuro. Tanto pode mudar e Marinho não ser ministro até lá, como pode fazê-lo chegar ao pódio da disputa com as condições ideias para mudar o azimute do panorama estadual. Nessa direção, se a gestão Bolsonaro estiver com aprovação em índices elevados e o seu ministro vestir-se da representação local do fenômeno, será a novidade na disputa do voto. A luta não será tão fácil. Cada um leva seu acervo no ombro.

A governadora vai ao palanque para o julgamento do seu governo e o ministro não tem como evitar a rejeição que sofrerá da área sindical. Ela, com seu acervo de votos rurais, mas se mantiver o que conquistou em 2018 e o desgaste que do PT nas mais diversas camadas, principalmente nas classes média e superior. Se a prática e a retórica de Marinho tiver força para neutralizar seu desgaste, será o único a enfrentá-la. É especulação, sim, mas é plausível.

REFORMA - A proposta da reforma da previdência estadual que chega ao Legislativo pode sofrer emendas, mas dificilmente sua gradação deve ir além dos 16% para os maiores salários.

MAS - Já tem deputado pensando emendar a isenção, proposta para aposentados e ativos até 2,5 salários mínimos, para três. O pactuado não é unânime e pode passar por novo debate.

SAÍDAS - O governo jogou bem ao obter a assinatura dos vários sindicatos, mas nada que o Poder Legislativo não possa alterar, embora tenha uma maioria, sólida até hoje, de 16 votos.

TRAVA - A Assembléia precisa acenar para os menos favorecidos depois de aprovar reajuste de 16,38% para os maiores salários e negar para os que percebem até três salários mínimos.

REVELOU - A nova golfada de intolerância do ministro Paulo Guedes é contra a empregada doméstica. Festejou a alta do dólar para que elas não possam viajar a Miami. Inacreditável.

SINAL - Delfim Neto, a quem a intolerância não pode acusar de ser comunista, já avisou a quem leu seu artigo na Folha: a crise social pode golpear o neoliberalismo de Paulo Guedes.

LUTA - O advogado Armando Holanda resolveu disputar a vaga do colega Eider Furtado na Academia de Letras com a desistência do presidente do Instituto Histórico, Ormuz Simonetti.
  
LUTA - Holanda exerce a advocacia profissional, é procurador da República e professor de Direito da UFRN aposentado. E resolveu disputar a vaga com o teatrólogo Racine Santos.

DOUTOR - Cícero Martins, macaibense que se declara ‘macaibeiro’, juiz, uma das melhores cabeças da magistratura neste rio que se nomeia grande, será doutor pela austera Universidade do País Basco, na Espanha. E defende, este ano, sua tese de doutor sobre ativismo na Justiça.

SINAL - Ivan Maciel de Andrade aproveitou seu recolhimento durante o verão para fazer a revisão final do novo livro que reúne a seleção dos seus ensaios semanais nesta TN. O livro – ‘Os Fios da Meada’ - deve ser lançado até fim de abril, pela Caravela, do editor José Correia.

BAHÚ - O editor Abimael Silva, discreto e decidido, toca a edição fac-similar de um raro livro da literatura satírica no Rio Grande do Norte: ‘Bahú de Turco’, desaparecido dos olhos praticamente desde 1938, quando lançado. Sá Poty é o pseudônimo de Pedro Lopes Cardoso.








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