Esporão do Galo, Paladino da Fiel

Publicação: 2020-02-11 00:00:00
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Alex Medeiros
alexmedeiros1959@gmail.com

Outro dia escrevi aqui sobre o glorioso Cruzeiro dos anos 1960 e citei o time de tampinhas de água tônica Antarctica, destacando o ponta direita Natal. Hoje volto no tempo de novo para enaltecer o ponta do arquirrival Atlético, o valente e periculoso Vaguinho que nesta data de 11 de fevereiro está completando 70 anos de vida. Wagno de Freitas, filho da cidade de Sete Lagoas, carregou nas costas o número do berço, fazendo história no Galo e depois no Corinthians.

Estreou no alvinegro das Alterosas em 1968 e conquistou a torcida com seus dribles rápidos e cruzamentos quase sempre fatais na conclusão em gol de artilheiros como Dario, Amauri Horta, Lacy, Tião, Lôla. E também era um fazedor de gols, principalmente quando a tampinha de Coca Cola manuseada por mim acertava o ângulo. Baixo, Vaguinho rompia defesas com a raça do “Galo de Ouro” Éder Jofre, o nosso campeão de boxe daqueles tempos.

Em setembro de 1969, suas arrancadas foram essenciais para o Atlético vencer a seleção das “Feras do Saldanha”, num amistoso que comemorava a classificaçao para a Copa de 1970. Gols de Amauri e Dario, e Pelé descontou.

A conquista do Galo no campeonato mineiro de 1970 teve em Vaguinho um esporão que incomodou e feriu as defesas adversárias. Pena que quando veio o título do primeiro Campeonato Nacional, em 71, ele já estava no Corinthians.

Não fosse a polêmica troca de João Saldanha por Zagallo, e o ponta de Sete Lagoas estaria na campanha do tricampeonato da canarinho. O velho lobo optou por chamar um terceiro goleiro na contusão de Rogério, do Botafogo.

Quando ele foi para o Corinthians, a revista Placar publicou reportagem sobre a nova seleção pós-tri e o vácuo aberto por Pelé, Gerson e Tostão. Uma foto trazia Dirceu Lopes, Paulo Cezar Caju e Vaguinho, as três soluções ideais.

Mas a história o aguardava no Timão, que lutava há anos por um título paulista, investindo em reforços que pudessem salvar a geração do gênio Rivellino. O garoto do Parque deixaria o time em 1974, e Vaguinho seguiu na batalha.

No ano de estreia, 1971, infelizmente teve a perna quebrada numa disputa com o canhotinha Gerson, do São Paulo. Só deu tempo voltar pra receber num jogo com o Flamengo a Bola de Prata de melhor ponta direita do Nacional de 1970.

Sua raça, a abnegação pelo clube, o destemor nas disputas de bola e, principalmente, a agilidade para deixar os atacantes na cara do gol o tornaram queridinho da torcida, sendo chamado pela mídia da época de paladino da Fiel.

Quando finalmente ocorreu a quebra do jejum de 23 anos sem título paulista do Corinthians, em 1977, o ponta direita foi peça importante na luta. Um mês antes da decisão ele foi o pôster nas páginas centrais da revista Placar.

Quase 90 mil em ação no Morumbi na noite de quinta-feira, 13 de outubro de 1977. Um empate com a fortíssima Ponte Preta garantia a conquista esperava. No dia anterior o Jornal Nacional mostrou a expectativa nas ruas paulistanas.

Nos primeiros minutos de jogo, Vaguinho disputa a bola com o zagueiro Polozzi, dando-lhe um leve pisão no pé, como um galo esporando o rival. A partida se estende equilibrada, mesmo com a Ponte tendo Rui Rei expulso.

Aos 35 minutos do 2º tempo, o lateral Zé Maria cruza a bola que toca na mão de Polozzi. Bate a falta, a bola sobra e Vaguinho acerta o travessão de pé esquerdo, na volta Wladimir cabeceia, um zagueiro rebate e Basílio explode o Morumbi. Vaguinho ficou dez anos no Timão e voltou ao Galo para ganhar o campeonato mineiro de 1981. Nada tira seu lugar na história do futebol.

Só deu Guedes
And the Oscar goes to... Parasita. Depois da consagração da indústria cultural sulcoreana (K-Pop), alicerçada na mais estruturada economia liberal da Ásia, espera-se que os servidores de Pindorama se desgrudem dos parasitas.

Xô, panfleto
Exibindo sua ridícula plaquinha com a frase “Quem matou Marielle?”, a militante Petra Costa não percebeu que esse tipo de panfletismo não funciona numa academia que pouco está preocupada com quem mandou matar JFK.

Sem streaming
Um ano depois de consagrar “Roma”, do mexicano Alfonso Cuarón, a Academia de Hollywood parece ter enviado um recado à Netflix e outros serviços. Com 10 indicações, o filme O Irlandês, de Scorsese, foi ignorado.

Oscar argentino
Ao receber a estatueta pela montagem de “Ford vs Ferrari”, Andrew Buckland mandou alô “para mi familia en Argentina”. Ele vive lá com a produtora María Azcue e os filhos portenhos. O prêmio teve gosto de oitavo Oscar do país.

Os outros 7
Os filmes “A História Oficial” e “O Segredo dos seus Olhos” já ganharam Oscar. O músico Gustavo Santaolalla ganhou dois. Os roteiristas Nicolás Giacobone e Armando Bó ganharam por “Birdman”. E Eugenio Zanetti no filme “Restoration”.

Sarampo
Começou ontem a parte municipal da campanha nacional contra o sarampo, com a Secretaria de Saúde de Natal vacinando a população entre 5 e 19 anos. A intenção é imunizar 12 mil pessoas até o fim da campanha em 13 de março.

Coronavírus
As vítimas fatais alcançarão esta semana a casa de 1.000 e o contágio segue rápido se espalhando e já tendo atingido mais de 40 mil. No Brasil só há casos suspeitos, mas urge tomar cuidado no carnaval, com multidões aglomeradas.

Carlos Santos
O jornalista mossoroense informa que a manifestação dos três bispos no tabuleiro da reforma previdenciária foi em 2017, ainda com Michel Temer. Mas a pergunta feita aqui segue: como estão eles diante da reforma da rainha?








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