Esquema de leitos pra coronavírus é ampliado no RN

Publicação: 2020-03-14 00:00:00
A+ A-
Luiz Henrique Gomes
Repórter

A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) constituiu uma rede de 1,2 mil leitos de internação e 60 de Terapia Intensiva (UTI) distribuídos em 11 hospitais para tratar casos suspeitos e confirmados do novo coronavírus (Covid-19). A rede foi dividida entre hospitais de referência, para casos com necessidade de internação, e de contenção, acionados somente se o número de confirmados chegar a 20. Os hospitais de referência são o Hospital Giselda Trigueiro (adultos) e o Hospital Infantil Maria Alice Fernandes (crianças).

Créditos: Adriano AbreuRepresentantes da Saúde estadual e municipal informaram sobre o primeiro caso positivo e as novas medidas de contigênciaRepresentantes da Saúde estadual e municipal informaram sobre o primeiro caso positivo e as novas medidas de contigência


O Rio Grande do Norte tem um caso de coronavírus confirmado e 17 suspeitos. De acordo com o secretário estadual de saúde, Cipriano Maia, a rede de referência estabelecida com dois hospitais e 11 de contingência suporta um possível agravamento. Entretanto, Maia também declarou que no futuro pode haver dificuldades principalmente na compra de insumos devido à inflação.

Os dois hospitais de referência contam juntos com 35 leitos exclusivos para atender pacientes suspeitos e confirmados de Covid-19 com quadro grave de saúde. A Sesap já havia determinado a referência no primeiro plano de contingência, atualizado nesta sexta-feira, 13, com a inclusão de outras nove unidades de saúde para a contenção. São cinco na Grande Natal, além do Giselda e Maria Alice, dois em Mossoró, um em Curais Novos, um em Caicó e outro em Pau dos Ferros. Esses hospitais serão utilizados de forma gradativa. A Sesap não especifica se os leitos de contenção ficarão exclusivos para o novo vírus.

Questionado se a estrutura de saúde estadual é suficiente para lidar com o Covid-19, Cipriano Maia afirma que sim, mas reconhece dificuldades. “Sabemos que no mundo as redes de saúde estão em situação de absoluto estresse e no Brasil já temos uma rede sobrecarregada, mas estamos preparados para o cenário de evolução dos casos. Temos hospitais de retaguarda e estamos expandindo o número de leitos com a convocação de médicos concursados”, declarou.

Maia também não descartou que a rede atual de contingência, de 9 hospitais, seja expandida com a inclusão de outras unidades públicas e privadas. “Caso haja uma evolução maior do que a rede de contingência, temos ainda um plano B, de reativar outras redes que não estão no plano atual, e um plano C, que é expandir a rede de contingência para unidades municipais e privadas.”

A rede privada conta com 1,5 mil leitos, entre cirúrgicos, clínicos e UTIs adultas, pediátricas e neonatal. O presidente da  Associação de Hospitais do Rio Grande do Norte (Ahorn), Élson Sousa Miranda, disse que os hospitais estão preparados para atender eventuais pacientes, mas informa que não há quantitativo de leitos específicos.

Os leitos serão utilizados caso haja necessidade de internação. A recomendação da Saúde é de que os pacientes com quadros menos graves permaneçam em casa durante 14 dias e adotem medidas de prevenção. “É importante ressaltar que nem todos casos necessitam de internação. Ficar em casa é o mais recomendado para evitar o contato com outras pessoas porque pode ser, inclusive, outros vírus respiratórios, que também são graves”, declarou o titular da Saúde Estadual, Cipriano Maia.

O atendimento médico inicial é feito nas unidades de emergência e pronto-socorros dos municípios. O encaminhamento clínico vai ser feito de acordo com a avaliação médica dos pacientes. Na próxima segunda-feira, 16, a Sesap vai se reunir com os prefeitos das cidades do Rio Grande do Norte para orientar os procedimentos adotados em casos de suspeitos. A intenção é evitar que a rede estadual seja sobrecarregada com a circulação de pessoas nos hospitais, onde há outros vírus e pessoas com imunidade baixa.

O diretor do Hospital Giselda Trigueiro, André Prudente, ressaltou que isso é importante porque o serviço público de saúde “já é sobrecarregado e cheio” e outras doenças graves, inclusive respiratórias, continuam circulando. “Se as pessoas saírem em uma busca desenfreada ao atendimento, talvez essas outras pessoas, que realmente estejam doentes, fiquem sem”, explicou.

Segundo André Prudente, o Giselda Trigueiro tem 25 leitos de internação exclusivos para atender os casos suspeitos de coronavírus. Os insumos médicos, como máscaras, capotes, e luvas, são avaliados como suficientes. No Hospital Infantil Maria Alice, a diretora Suyame Ricarte, também disse estar com insumos suficientes e 10 leitos reservados. Nenhuma compra emergencial foi feita, mas o Estado afirma estar preparado para caso haja necessidade.

Inflação dos insumos
Apesar da existência dos insumos nos hospitais, comprados para durar três meses, o secretário Cipriano Maia afirmou que há uma escassez no mercado que multiplicou o preço dos insumos e pode dificultar possíveis compras. “Nós temos um problema principalmente no equipamento de proteção individual porque tem escassez no mercado nacional, mas vamos pensar em uma iniciativa para buscar mecanismo excepcionais para garantir suprimento. A lei de emergência possibilita que a gente faça compras em caráter emergencial e vamos fazer um esforço para não haver desabastecimento”, informou Cipriano.

Contatos do caso positivo estão sendo monitorados
Dezessete pessoas que tiveram contato com o primeiro caso de contaminação por coronavírus no Rio Grande do Norte estão sendo monitoradas. São o marido da infectada e outras 16 pessoas que estiveram no raio de dois metros dela durante o vôo da Europa, realizado no dia 3 deste mês. As equipes de vigilância do Estado e de Natal, município onde a paciente reside, entraram em contato nesta sexta-feira, 13, com os monitorados do vôo, após ela atestar positivo para o Covid-19.

Créditos: Adriano AbreuHospital Maria Alice faz parte dos hospitais referenciadosHospital Maria Alice faz parte dos hospitais referenciados


Segundo a Sesap, uma mulher de 24 anos apresentou sintomas no dia 1º de março, ainda durante a viagem à Europa. Dois dias depois ela retornou a Natal com o marido, permancendo em casa, e no dia 5 foi ao Hospital Giselda Trigueiro com febre. Ela sofre de asma e o quadro foi considerado grave, motivando a internação por dois dias, de acordo com o diretor do Hospital Giselda Trigueiro, infectologista André Prudente.

Desde que recebeu alta, a paciente está no isolamento domiciliar e tem contato somente com o marido, que não apresenta sintomas. Nas redes sociais, ela afirmou que se sente “98% recuperada” e que sofreu uma “exposição injusta e desnecessária”.

Atualmente, o Rio Grande do Norte tem um único caso confirmado, 17 suspeitos, 15 descartados. Dos descartados, 11 testaram positivo para outros vírus respiratórios, como H1N1, Influenza A e Influenza B.

De acordo com o Plano de Contingência Estadual para Infecção Humana pelo Covid-19,  são considerados suspeitos de coronavírus as pessoas que apresentem febre alta e sintomas de gripe e tenham histórico recente de viagens à Europa, América do Norte e Ásia, além de países da América Central e do Sul classificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de transmissão local e Austrália. O Brasil ainda não está classificado.

O procedimento adotado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública para atestar o coronavírus nos suspeitos é realizar os testes de outros vírus antes de encaminhar o exame específico do Covid-19, feito por enquanto somente nos casos em que o paciente não apresente outro tipo de vírus nos exames. O Rio Grande do Norte ainda não realiza o exame específico para detectar o coronavírus. O secretário Cipriano Maia afirmou que busca recursos no Ministério da Saúde para melhorar o diagnóstico laboratorial.

Veja como se dá a transmissão do vírus

Como o novo coronavírus é transmitido?
As investigações sobre transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento, mas a disseminação de pessoa para pessoa está ocorrendo.

Alguns vírus são altamente contagiosos (como sarampo), enquanto outros são menos. Ainda não está claro com que facilidade o novo coronavírus se espalha de pessoa para pessoa.

Apesar disso, a transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como:

Gotículas de saliva;

Espirro;

Tosse;

Catarro;

Contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão;

Contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Os coronavírus apresentam uma transmissão menos intensa que o vírus da gripe e, portanto, o risco de maior circulação mundial é menor.

O vírus pode ficar incubado por duas semanas, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

Como prevenir o novo coronavírus?
O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

Evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas;

Realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente;

Utilizar lenço descartável para higiene nasal;

Cobrir nariz e boca quando espirrar ou tossir;

Evitar tocar mucosas de olhos, nariz e boca;

Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;

Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;

Manter os ambientes bem ventilados;

Evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas da doença;

Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Quais são os sintomas do novo coronavírus?
Os sinais e sintomas clínicos do novo coronavírus são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias.

Os principais são sintomas são:
Febre.

Tosse.

Dificuldade para respirar.

O quê
Hospitais da Rede Pública Estadual de Saúde aptos a realizarem atendimentos pelo Covid-19

Referência
Hospital Giselda Trigueiro - Natal

103 leitos de internação

7 leitos de UTI

Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes - Natal

85 leitos de internação

Contenção
Hospital Rafael Fernandes – Mossoró

39 leitos de internação

Hospital Tarcísio de Vasconcelos Maia – Mossoró

147 leitos de internação

9  leitos de UTI


Hospital Dr. Mariano Coelho – Currais Novos

108 leitos de internação

10 leitos de UTI


Hospital José Pedro Bezerra - Natal

227 leitos de internação

10 leitos de UTI


Hospital Central Coronel Pedro Germano – Natal

71 leitos de internação

10 leitos de UTI


Hospital Regional Cleodon Carlos Andrade – Pau dos Ferros

69 leitos de internação

10 leitos de UTI


Hospital Regional Telecila Freitas Fontes – Caicó

93 leitos de internação

10 leitos de UTI


Hospital Colônia Dr. João Machado – Natal

171 leitos de internação


Hospital Dr. Deoclécio Marques Lucena – Parnamirim

86 leitos de internação

10 leitos de UTI



Fonte: Sesap/RN











Deixe seu comentário!

Comentários